quinta-feira, 7 de maio de 2026

Tô sendo "conduzido" pra atravessar a fronteira do Ohio por uns caras numa van branca. Por favor, me ajuda

Os seguintes acontecimentos rolaram ao longo de quatro dias no final de outubro de 2024, entre o interior da Virgínia Ocidental e as estradas vicinais do Ohio. Tô postando isso aqui porque a polícia do condado de Kanawha basicamente parou de atender minhas ligações, e eu não durmo mais de duas horas direto numa cama desde que isso começou. Só preciso colocar a timeline no papel antes que eu fique maluco de vez.

Começou num posto Sunoco logo depois da I-64. Eu tava dirigindo meu Honda Civic 2018 de Richmond pra Columbus pra visitar minha irmã. Devia ser umas 23h30.

Era um daqueles postos antigos, mal iluminado, onde as lâmpadas fluorescentes zumbem alto o suficiente pra dar dor de cabeça.

Eu tava abastecendo quando reparei numa van Ford Transit branca, modelo mais novo, parada bem no fundo do estacionamento, perto da mata. O motor tava ligado. Sem farol nenhum aceso. Só uma forma branca vibrando no escuro.

Não dei muita bola até entrar pra comprar um café. O caixa, um cara de uns cinquenta anos com uma cara de poucos amigos permanente, nem olhou pra mim. Ele tava olhando fixo por cima do meu ombro, em direção à janela. Eu me virei. A van branca tinha se mexido. Agora ela tava parada bem atrás do meu Civic, me bloqueando.

Senti o primeiro pico de adrenalina. Paguei o café, saí, e fiquei parado do lado da porta do motorista. Os vidros da van eram pretos, bem escuros. Não dava pra ver o motorista. Esperei uns dez segundos. Nada. Nenhum movimento.

Limpei a garganta e acenei com a mão, pedindo pra eles saírem da frente. A van ficou parada lá, motor ronronando. Bati no vidro do passageiro. Continuou nada. Eu já tava ficando puto, mas aí o vidro do motorista desceu uns dois dedos só.

Senti um cheiro azedo. Tipo leite estragado misturado com cobre molhado. Uma voz bem baixa e rouca disse: “Você deixou cair uma coisa ali atrás, Elias.” Meu sangue gelou. Meu nome é Elias, mas faz anos que eu não uso. Todo mundo me chama de Eli. E eu não tinha deixado cair porra nenhuma.

Dei uns passos pra trás, tropecei na guia da calçada, entrei correndo no carro. Não me importei que a van tava me bloqueando. Coloquei de ré, pisei fundo no acelerador e desviei deles por cima da grama, raspando o fundo do carro com um barulho horrível de metal.

Peguei a estrada a 140 por hora. Olhava pelo retrovisor a cada cinco segundos. Por uns dez quilômetros, nada. Depois apareceram dois pontinhos de luz. Não tavam chegando perto rápido, só mantendo a distância. Peguei uma saída que eu nem conhecia perto de Hurricane, no West Virginia, na esperança de despistar eles.

Entrei no estacionamento de um Dairy Queen que tava fechado e apaguei os faróis. Passaram cinco minutos. Depois dez. Comecei a respirar de novo. Fui pegar o café, mas minha mão travou.

Meu celular, que tava no porta-copos, acendeu com uma mensagem de um número desconhecido. Era uma foto. Uma imagem granulada, de cima, mostrando o topo da minha cabeça enquanto eu tava no caixa do Sunoco três minutos antes. A legenda dizia: “O café vai esfriar, Elias. A gente tá na ponte agora.”

Olhei pra frente e, lá estava ela, parada no cruzamento a uns trinta metros: a van branca. Os faróis piscaram uma vez. Depois ela virou à esquerda, na direção da única ponte que voltava pra estrada principal.

Não fui pra ponte. Fiz um retorno e entrei mais fundo nas ruas residenciais de fundo de quintal, com o coração martelando no peito. Acabei num bairro pequeno e quieto, cheio de casas estilo ranch dos anos 50. Quase 1h da manhã. Estacionei na entrada de uma casa que parecia vazia — sem luz, gramado alto — e me abaixei no banco. Liguei pro 911.

A atendente tava calma, calma até demais. Ela disse que tinha uma viatura na área e pra eu ficar parado. Dei minha localização. Vinte minutos depois, um Ford Explorer com barra de luzes entrou na rua. Senti um alívio enorme. Pulei pra fora do carro acenando os braços.

A viatura diminuiu e parou. Mas quando eu fui andando na direção dela, percebi que tinha algo errado. Os adesivos de “Police” na lateral tavam descascando, e a barra de luzes era de um modelo antigo, não aquelas de LED que os xerifes locais usam. O vidro desceu. Não era policial. Era um homem de camisa cáqui de trabalho, sem distintivo nenhum.

Ele me olhou com uma expressão vazia, olhos bem abertos. Não falou nada. Só levantou um scanner de polícia portátil que tava soltando um chiado alto. Atrás dele, no banco de trás, eu vi uma pilha de roupas. Minhas roupas. Uma camisa de flanela azul que eu tinha perdido numa lavanderia três semanas antes em Richmond.

Dei uns passos pra trás, o estômago revirando. “Onde você pegou isso?”, sussurrei. O cara não respondeu. Só segurou o volante com força, os nós dos dedos brancos. Virei e corri de volta pro Civic. Quando saí cantando pneu, vi a “viatura” fazendo o retorno. Não tava me perseguindo rápido. Só… acompanhando.

Dirigi por duas horas, até cruzar a fronteira pro Ohio. Eu tava exausto, vendo sombra na estrada. Achei um Motel 6 perto de Gallipolis. Parecia seguro o suficiente. Fiz check-in com nome falso, paguei em dinheiro e fui direto pro quarto 114. Tranquei a tranca, a corrente e empurrei a cômoda pesada pra frente da porta.

Verifiquei o banheiro. Vazio. Olhei embaixo da cama. Vazio. Sentei na beira do colchão, segurando um pé de cabra que peguei no porta-malas. Finalmente peguei no sono lá pelas 4h da manhã. Acordei às 6h15 com um barulho. Um som molhado, de coisa deslizando. Vinha da porta. Alguém tava enfiando algo por baixo dela.

Peguei o pé de cabra e levantei. Uma série de polaroides foi deslizando pelo carpete, uma por uma. A primeira era do meu carro no estacionamento. A segunda era do escritório do motel. A terceira era uma foto minha dormindo na cama, tirada da janela ao lado. Olhei pra janela.

A cortina tava um pouco aberta. Corri e abri ela de uma vez. O estacionamento tava vazio. Meu carro tinha sumido. No lugar dele, tava a van Ford Transit branca. As portas de trás tavam escancaradas, mostrando uma cadeirinha de madeira parafusada bem no meio do chão do compartimento de carga. Tinha uma câmera Polaroid em cima da cadeira.

Meu celular vibrou. Nova mensagem: “Você fica com uma cara tão tranquila quando dorme. Mas a cadeira é mais confortável. Sai ou a gente entra pelo vão do piso.” Foi aí que eu ouvi. Um baque pesado vindo de baixo do chão do quarto.

Não pensei duas vezes. Peguei minha mochila, empurrei a cômoda e saí correndo pro nevoeiro da manhã, não na direção da van, mas pro mato atrás do motel. Ouvi o motor da van ligando.

Desci um barranco íngreme, com espinhos rasgando minha calça e a pele. Corri até meus pulmões queimarem, até chegar perto de um cano de drenagem enferrujado que passava embaixo da estrada do condado. Entrei engatinhando e esperei.

Fiquei lá dentro por seis horas. Toda vez que um carro passava em cima, eu levava um susto. Por volta do meio-dia, decidi que tinha que me mexer. Segui uma trilha de veado por vários quilômetros até chegar num posto de gasolina com lanchonete. Usei o telefone fixo deles pra ligar pra minha irmã. Não atendeu. Liguei pros meus pais. Nada.

Liguei pra polícia de novo, dessa vez pra Patrulha Rodoviária do Ohio. Eles me disseram que meu carro tinha sido encontrado abandonado numa vala a uns cinco quilômetros dali, completamente destroçado por dentro. Falei da van, do “policial”, das fotos. O policial do outro lado da linha fez uma pausa. “Senhor”, ele disse, “a gente encontrou um celular dentro desse carro. Não era o seu.

Era um celular descartável logado num servidor privado. Estava transmitindo um vídeo ao vivo.” Meu coração parou. “Vídeo de quê?”, perguntei. “Um vídeo seu, nesse exato momento”, ele respondeu. Olhei pra cima. Num canto da lanchonete, perto do teto, tinha uma pequena câmera de segurança preta em formato de domo.

Ela tava inclinada pra baixo, apontando direto pra mim. Desliguei o telefone e saí correndo da loja. Vi um SUV preto estacionado do outro lado da rua. Um homem tava parado do lado dele, segurando um tablet. Ele olhou pra cima, sorriu e acenou. Não era o homem da van.

Era outro cara. Parecia um pai de família normal — calça cáqui, camisa polo. Mas ele começou a andar na minha direção, sem correr, só num passo firme e confiante. Virei e corri pra um milharal ali perto. Tô nesse milharal faz dois dias agora. À noite eu escuto eles conversando. Eles não tão tentando me pegar ainda. Tão me “conduzindo”. Toda vez que tento ir pra estrada principal, escuto um assobio ou barulho de porta de carro batendo, me forçando de volta pro meio do mato.

Essa manhã, encontrei minha mochila em cima de um toco numa clareira onde eu nunca tinha ido. Dentro tinha um sanduíche fresquinho, uma garrafa de água e uma nova polaroid. É uma foto da casa da minha irmã em Columbus. A porta da frente tá escancarada. Atrás da foto, escrito numa letra cursiva bem caprichada, diz: “A família tá esperando, Elias. Para de fazer a gente correr atrás de você. Tá na hora de voltar pra casa.” Consigo ouvir a van branca ligada em algum lugar por perto. O barulho do motor tá ficando mais perto.

Não tenho mais carro. Não tenho arma. A bateria do meu celular tá em 4%. Consigo ver a silhueta de um homem parado na beira das árvores, uns cinquenta metros de distância. Ele só tá lá parado, segurando uma corda longa de nylon. Não se mexeu faz uma hora.

Acho que vou tentar correr quando o sol se pôr, mas não acho que ainda tenha pra onde ir. Se você estiver na região dos três estados e vir uma van Transit branca com placa da Virgínia terminando em 88, não olha pro motorista. Só continua dirigindo. Não para pra nada. Eles tavam planejando isso faz muito tempo. Acho que eu nunca devia ter chegado em Columbus. Acho que eu sempre fui pra acabar naquela cadeira.

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