quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Uma Lista Extensa dos Meus Encontros com Entidades Paranormais, ou Parasitas Meméticos…

Este é um relato pessoal em primeira mão das minhas experiências com o que muita gente consideraria sobrenatural. Embora eu acredite que existam explicações naturais para os fenômenos que vivi, vou descrever os eventos da forma mais direta e crua possível antes de entrar nas minhas teorias pessoais.

Quando criança, eu tinha terrores noturnos com frequência. Eu dizia que um homem saía do meu armário e gritava comigo. Meus irmãos também o viram. Certa noite, minha mãe entrou no quarto para me acalmar e acabou se deparando com o homem. Ela o descreveu como alguém vestindo macacão e boné de beisebol. Ficou tão apavorada que não soube o que fazer, e ele simplesmente foi embora. Até hoje não sabemos quem era.

Eu não me lembro de quase nada disso, mas a história me foi contada por várias pessoas diferentes, e armários ainda me deixam ansioso até hoje.

Uma das memórias mais antigas que tenho sobre esse tipo de coisa envolve o meu “Duende” (ou “Leprechaun”, como a gente chamava). Quando eu era pequeno, minha avó me deu um bonequinho velho de goblin ou alienígena de algum jogo de tabuleiro — tinha só uns 5 cm de altura. Era um homenzinho verde, careca, com orelhas pontudas, olhos amarelos e uma tipoia atravessando o peito como se fosse uma bandoleira. A gente chamava ele de Leprechaun porque tinha um buraquinho na cabeça, e dentro desse buraco havia um trevo de quatro folhas quando o encontramos. Se a gente colocasse o Leprechaun numa prateleira junto com outros brinquedos, eles frequentemente apareciam jogados pelo quarto ou quebrados sem explicação. Eu sinceramente atribuo isso às minhas irmãs fazendo pegadinhas comigo — elas eram bem mais velhas e adoravam esse tipo de coisa. Mas teve uma experiência que eu mesmo presenciei. Uma vez peguei algo me espionando no quarto da minha irmã: uma figurazinha verde minúscula. Só que não era o mesmo verde plástico do brinquedo; era um verde elétrico, daquele tipo que você vê quando fecha os olhos depois de um flash de câmera. Comecei a correr atrás e era inconfundivelmente uma figura humanoide. Ele correu de volta até o lugar dele na cômoda, e foi aí que percebi que era o meu Leprechaun. Nunca mais aconteceu nada parecido, mas marcou bastante.

Minha casa pegou fogo em 6 de junho de 2006 por causas desconhecidas. Sei que parece coisa de filme de terror por ser tão conveniente, mas não acho que tenha sido sobrenatural, e mais adiante explico minhas teorias sobre os eventos mais absurdos. O importante é que o Leprechaun se perdeu no incêndio, e a gente se mudou para uma casa alugada enquanto esperava a reconstrução da nova.

Na casa alugada só me lembro de um episódio estranho: eu estava deitado no sofá da sala quando senti uma mão me agarrar vindo de dentro das almofadas do encosto. Acordei meus pais na hora, apavorado pra caralho, mas meu pai racionalizou dizendo que eu devia ter dormido em cima da minha própria mão, ela ficou dormente e eu me agarrei sem perceber, me assustando sozinho. Meu braço não estava formigando nem nada, mas ainda assim é uma explicação bem plausível.

Depois que nos mudamos para a casa reconstruída, joguei Ouija com amigos no meu quarto e todo mundo saiu correndo depois de ver a sombra de uma menininha atrás de nós — eu mesmo não vi isso. Mas as amigas das minhas irmãs nunca mais quiseram chegar perto do meu quarto; mesmo as que não estavam presentes no dia diziam que o lugar tinha uma “energia estranha”.

Um evento que definitivamente não foi alucinação: uma caixa que estava na minha prateleira voou pelo quarto do nada. Fiquei tão apavorado que gritei até meu pai vir correndo. Ele tentou racionalizar de novo, dizendo que a caixa só caiu e quicou no puxador de uma gaveta, mas ela literalmente atravessou o quarto voando. Racionalmente falando, talvez o ventilador de teto combinado com a posição da caixa tenha criado uma corrente de ar que a fez planar mais do que o normal quando caiu. Deve ter uma explicação melhor, mas eu não sei qual é.

Eu costumava ver TV de noite e uma vez, quando fui me sentar, fui tomado por um terror absoluto: meu corpo inteiro travou enquanto ouvia uma voz grave ecoando dentro e fora da minha cabeça ao mesmo tempo: “SAI DAQUI”. Saí correndo na mesma hora.

Para explicar por que não acredito que essas interações sejam sobrenaturais (mas ainda assim acho fascinantes), preciso contar que também vi o Papai Noel uma vez.

Numa véspera de Natal, eu o vi passando bem na frente da porta do meu quarto. Parecia exatamente o Papai Noel da Coca-Cola, só que tinha visco ou uma planta parecida no chapéu e outra folhagem na cintura. Ouvi as botas dele batendo no chão, ele carregava um saco enorme no ombro e tinha um brilho nos olhos. Ele virou o rosto na minha direção ao passar e colocou o dedo na frente da boca, como quem faz “shhh”.

Acho que a maioria dos adultos racionais já está entendendo o que realmente está acontecendo aqui, mas vou continuar contando as experiências para que você tire suas próprias conclusões…

Eu encontro ocasionalmente um ser que chamo de Homem Remendado, ou simplesmente Scrokuds. Ele é magrelo, mais alto que eu, mas geralmente curvado, então é difícil saber a altura exata; o rosto é sem feições, os membros são duplamente articulados mas raramente contorcidos, e o mais marcante: a pele parece um acolchoado feito de retalhos de carne podre.

Encontrei ele pela primeira vez brincando de esconde-esconde com meus irmãos. Tenho um quartinho pequeno embaixo da escada. A gente se escondia lá para assustar uns aos outros. Enquanto procurava minha irmã (a última a ser pega), vi que a porta estava entreaberta. Abri para pegá-la e lá dentro estava a silhueta do que depois eu chamaria de Scrokuds. Ele cobria a boca — ou o lugar onde a boca deveria estar — como se estivesse segurando o riso. Pensei que fosse minha irmã, mas uma parte de mim estava com medo daquele quarto escuro e da presença que sentia ali. Eu tenho visão péssima (sou praticamente cego), então insisti comigo mesmo que era ela e que eu estava me assustando sozinho, exatamente o que ela queria. Fiquei repetindo “Te peguei” e “Sei que é você, sai daí” até que minha irmã apareceu atrás de mim, saindo de trás da porta da lavanderia, rindo de mim por ser burro. Naquele momento entrei em pânico total, bati a porta com força e saí correndo com ela atrás de mim, os dois em surto.

Mais tarde vi ele com mais clareza por alguns segundos enquanto procurava meu irmão no quarto dele. Abri a porta e lá estava o Scrokuds. Em pânico, mostrei o dedo do meio e fechei a porta na cara dele. Sei que a reação é estranha — a maioria luta, foge, congela ou se submete —, mas eu geralmente entro num modo de confusão total quando o terror é real.

Vi ele mais algumas vezes de relance, em situações parecidas.

Um dos encontros mais reais foi quando eu estava dormindo no sofá em L da sala. O sofá faz curva bem no canto da parede, deixando um espaço entre o encosto e o canto. Acordei no meio da noite, sem conseguir me mexer. Já tinha paralisia do sono desde os 12 anos e sabia reconhecer, mas de repente comecei a entrar em pânico. Então vi: o Scrokuds rastejou de trás do braço do outro lado do sofá, subiu no estofado e entrou no espaço entre o sofá e a parede. No segundo em que ele sumiu da minha vista, consegui me mexer de novo. Levantei num pulo — meus olhos já estavam abertos, o que foi uma das partes mais assustadoras.

Também vi várias entidades de sombra durante paralisias do sono: sombras de pessoas projetadas na parede, silhuetas humanas 3D completamente pretas, o famoso Homem do Chapéu (que descobri depois ser alucinação comum), e outras mais distorcidas — uma figura humanoide com garras longas e tentáculos tipo cobra ou minhoca se contorcendo saindo da cabeça, estranhos seres octopoides e insetoides, alguns dos quais depois vi com mais detalhes como criaturas completas, inclusive um encontro com uma entidade tipo “louva-a-deus” que explico mais adiante.

Já tive alucinações em que a fresta da porta do quarto se abre — não como uma porta girando, mas como se estivesse deslizando de baixo para cima, tipo elevador de carga. Quase toda vez que isso acontece, algo ruim vem na minha direção. Às vezes são figuras de sombra; outras vezes são seres totalmente formados com intenções claras, como cirurgiões alienígenas dementes, deformados ou mutantes que fazem cirurgias em mim. Eu sinto tudo acontecendo e muitas vezes dói. Numa dessas vezes, lembro de uma figura de sombra entrando; quando tentei focar nela, veio uma luz ofuscante acima de mim. Olhei para cima e vi refletores cirúrgicos. A figura passou por cima de mim e bloqueou a luz. A textura dela era indescritível porque não é algo físico: era meio translúcida, dava para entrever o que estava atrás, mas ao mesmo tempo era o preto mais profundo, preto de breu. Conforme materializava mais, a pele continuava preta mas translúcida, com um brilho quase lustroso, tipo tela de celular ou casco de inseto como vespa. A cabeça era inconfundivelmente insetoide, tipo formiga, mas com várias patas de inseto saindo das laterais. Parecia ter muitos olhos, mas era difícil distinguir. O ser encostou um instrumento gelado em mim e senti pânico absoluto. Ele fazia um som de estalo, como se um besouro fumasse dois maços por dia a vida inteira. Depois abriu minhas costelas e tirou um objeto estranho, brilhante e pulsante de dentro de mim, passou a garra sobre mim e eu desmaiei. Isso é estranho porque, nas outras vezes, eu permanecia mentalmente acordado o tempo todo e tinha que me acalmar antes de voltar a dormir.

Às vezes animais de outro mundo entram pela mesma fresta. Um exemplo marcante foi um bicho parecido com um aardvark (tamanduá-africano) recém-esfolado e demoníaco: entrou do mesmo jeito, subiu rastejando pela parede até ficar atrás de mim e começou a cheirar minha cabeça de cima, quase visível, mas eu sentia o focinho molhado dele. Em outra ocasião, vários demônios de sombra menores com olhos vermelhos brilhantes saíram da luz que entrava pela fresta, subiram pelas paredes e pelo teto na minha direção.

Já vi insetos e octopoides estranhos e assimétricos, geralmente em tons de carne podre marrom, azul claro, verde mofado e às vezes rosa-vermelho com a mesma textura de animais esfolados ou virados do avesso.

Às vezes vejo animais estranhos ou cachorros de sombra pelo canto do olho, ou simplesmente sinto a presença deles.

Eu tinha um medo irracional de que tinha algo debaixo da cama — simplesmente sentia uma presença ali. Ficou tão ruim que tirei o estrado da cama. Agora sinto algo se mexendo debaixo do colchão.

Por outro lado, às vezes sinto o colchão afundar, como se algo estivesse subindo na cama comigo.

Então, o que está acontecendo? Sou um farol para o “outro lado”? Provavelmente não. Sei que muita gente gosta de acreditar no metafísico, mas quase ninguém pensa nos mecanismos reais de como o mundo metafísico funcionaria. Tipo, do que são feitos os espíritos? A explicação “científica” mais próxima que já ouvi é que são feitos de “energia”. Energia genérica, sem especificar qual. É bem fraco, e não existe evidência sólida que sustente a maioria das alegações metafísicas — e acredite, eu queria que existisse, porque a alternativa é muito mais assustadora para mim.

Esquizofrenia aguda e episódica.

Dois terapeutas já mencionaram isso para mim sem saber dessas experiências, e estou inclinado a acreditar que as conclusões deles, somadas a tudo isso, podem indicar exatamente isso. Nunca fui diagnosticado, então talvez eu esteja me precipitando. Leitores atentos vão notar temas recorrentes em todos os encontros: quase sempre estou dormindo ou quase dormindo, frequentemente em paralisia do sono. Isso é comum em algumas pessoas, então não é exclusivo de quem está enlouquecendo. Outro ponto é que muitas vezes há ansiedade associada às visões quando não estou em paralisia. Então uma mente cansada + ansiedade gera alucinações realistas e aterrorizantes de vez em quando. No papel fica mais fácil de lidar, mas na hora…

Não consola em nada. Não importa se não é real, porque para mim é real. Não tenho controle sobre quando acontece e às vezes me assusta pra caralho. Apesar de muitos exemplos, não é algo que acontece toda hora. Tenho 27 anos e isso é o acumulado de uma vida inteira.

Mencionei sonhos lúcidos antes. Por muito tempo a fuga que eles proporcionavam valia os pesadelos ocasionais, mas nos últimos dois anos algo mudou.

Quando fico lúcido num sonho, ele vira pesadelo, e quanto mais tento controlar, pior fica. Se tento voar, subo tanto que o chão vira mapa, depois fico acima das nuvens, depois em órbita baixa e percebo que não estou respirando. Ou sou transportado para um prédio de escritórios abandonado com paredes e chão cinza, máquinas de escrever e computadores intocados nas baias, e fico voando quebrando tudo. Ou corredores infinitos. Ou um labirinto sem fim de uma casa em construção, só com vigas de madeira e base de concreto. Ou sou arrastado por um lago marrom lamacento. Às vezes tudo isso misturado no mesmo sonho. Já estive nesses lugares várias vezes, e quase nunca há NPCs que interagem comigo. Ou eles fogem, ou são pessoas de sombra só observando. Algumas vezes sou perseguido por animais ou pessoas que parecem esfoladas ou viradas do avesso, sem feições no rosto. Nas últimas vezes resolvi lutar, e no momento em que acerto eles vem um pânico absoluto que me acorda na hora. Esses sonhos geram muita ansiedade, mas não controlo quando fico lúcido — comecei aos 12 anos e essa perda de controle nos últimos 2–3 anos é estranha e desanimadora. Quase não durmo mais à noite; fico acordado até o sol nascer e só então durmo, mesmo assim tenho insônia frequente, o que ultimamente tem feito as sensações e as alucinações sutis voltarem…

Não acredito em fantasmas, mas acredito em parasitas meméticos. Pode ser que sejam um aspecto da consciência refletido sobre si mesmo, se retroalimentando, o que os torna mais impactantes. Também pode ser que tenham consciência própria e que, ao provocar emoções fortes, consigam persistir mais tempo na mente de alguém. O resultado final é o mesmo: eles continuam existindo graças à energia mental que recebem.

Também acredito em vírus meméticos. Ou seja, esses seres podem imprimir cópias de si mesmos em outras pessoas, do mesmo jeito que um vírus biológico faz. Eles se reproduziriam boca a boca. A ideia da existência deles planta a semente no subconsciente de quem ouve.

Talvez, só talvez, ao ler esta história, eu tenha plantado os filhotes deles no fundo da sua cabeça. Você pode começar a ver sombras pelo canto do olho. Sentir que está sendo observado. Ter terrores noturnos. Ver coisas que não deveriam existir. Pode ser que você comece a ver o que eu vejo…

Os Portadores de Câncer

Às vezes, existem certas pessoas que precisam desaparecer. Há uma infinidade de indivíduos que desejam, do fundo do coração, que alguém que odeiam esteja morto. Pode ser um cônjuge tóxico, um chefe autoritário e insuportável, um amigo que passou dos limites uma vez a mais, e assim por diante. Na minha linha de trabalho, eu posso ajudar — desde que o preço seja o correto. Sou um assassino profissional. Tenho um sistema simples e ele funcionava perfeitamente.

Possuo uma linha telefônica não rastreável, presente de um amigo extremamente generoso. A maioria das pessoas fala comigo por telefone e despeja suas mágoas. Por pura cortesia, permito que me digam exatamente como desejam que o serviço seja executado. Alguns clientes não se importam com os detalhes: jogam o dinheiro na minha conta e mandam eu resolver do meu jeito. Houve casos extremamente diretos, com instruções tão simples quanto “apenas atire na cabeça dele”. Por outro lado, existem aqueles que planejam cada mínimo detalhe.

Um exemplo marcante foi uma mulher tímida, de voz quase inaudível, que me ligou dizendo que queria o marido fora do caminho. Antes que você pergunte: aquele filho da puta merecia. Ele espancava ela e a filha delas, era alcoólatra violento e, por tudo que se sabia, um verdadeiro monstro. Ela queria que eu o espancasse até a morte com um taco de beisebol enquanto ela assistia. Enquanto a criança estava na escola, nós o acorrentamos a um radiador no porão. Ela se sentou numa cadeira dobrável, acendeu um cigarro e falou comigo numa voz completamente monocórdia:

“Comece pelos dedos dos pés e vá subindo.”

Eu assenti. Apesar dos choramingos patéticos e das súplicas por misericórdia daquele merda, comecei: esmaguei os dedos dos pés, depois as canelas, os joelhos, esmaguei os testículos… você já entendeu o resto. A última informação que tive foi que ela agora vive sozinha com a filha e parece estar, enfim, feliz.

Eu pretendia continuar fazendo isso até ficar velho demais, e então simplesmente parar. Mas esse último trabalho me deixou marcado. Sinto nojo só de ter aceitado. Eu costumava me considerar um assassino com algum código moral — sei que é uma afirmação irônica, mas achava que era “um dos bons”. Agora, enquanto escrevo isso, sinto apenas vergonha profunda e arrependimento amargo pelo dia em que descobri que eles existem.

Em setembro do ano passado recebi uma ligação de um homem que queria várias pessoas mortas. Ele se recusou a falar detalhes pelo telefone e disse que precisávamos nos encontrar pessoalmente. Como profissional, aceitei. Dirigi por cerca de quatro horas para o norte até o local combinado. Cheguei à noite. Não havia postes de luz. Era um bairro abandonado: casas esvaziadas e em ruínas, gramados crescidos invadindo calçadas quebradas e entradas de veículos rachadas, carros enferrujados sem peças e com vidros estilhaçados. Continuei dirigindo até encontrar uma casa com luz acesa. Estacionei na frente, coloquei a pistola no coldre ao lado do corpo e entrei.

O interior estava tão ruim quanto o exterior: piso estilhaçado, papel de parede descascando, cheiro forte de mofo. À minha frente, um homem magro, calvo, segurando a mão direita enfaixada. Estava sentado numa cadeira de madeira, extremamente pálido, com olheiras profundas e suor escorrendo pela testa.

“Boa noite”, ele disse.

“Boa noite”, respondi.

Ele apontou para outra cadeira dobrável.

“Sente-se, por favor. Vamos conversar.”

Sentei-me e o encarei com curiosidade.

“Você está com uma aparência—”

“De merda, eu sei. Meu nome é Ted.”

Ele tentou rir, mas um acesso de tosse o interrompeu. Fez uma careta e rangeu os dentes.

“Merda. Desculpe.”

“Não tem problema. Já convivi com muita gente doente. Você não é nem de longe o pior que já vi.”

Ele me deu um sorriso breve antes de voltar ao assunto.

“Até onde sua imaginação consegue ir?”

Senti um frio na espinha por um segundo. Já fui colocado em caçadas absurdas antes: Pé Grande, Homem-Mariposa, o “verdadeiro” assassino de JFK, esse tipo de coisa. Na maioria das vezes, eu não sabia como proceder e acabava enviando uma foto adulterada no Photoshop mostrando o “serviço concluído”. Eles eram tão loucos que acreditavam. Engoli em seco e assenti.

“É, o mundo é estranho mesmo.”

“Hm. Você não faz ideia da metade.”

“Então qual é o seu problema?”

Ele tirou o celular do bolso e me mostrou uma foto, claramente tirada de longe, de um homem. Aparência comum, um pouco gordinho, cabelo castanho, óculos de armação fina. A única coisa estranha eram as sobrancelhas inexistentes.

“É esse o cara?” perguntei.

“Sim. Ele… ele é maligno.”

Levantei as sobrancelhas, surpreso com um sujeito tão banal, mas monstros frequentemente assumem as aparências mais inofensivas. Havia um nerd patético em Wisconsin que comia pessoas, e um empreiteiro desleixado de Chicago que era um palhaço assassino e escondia crianças no forro da casa. Tudo era possível. Mas o que saiu da boca dele me deixou genuinamente chocado:

“Esse homem… ele dá câncer nas pessoas.”

“…como é?”

“Não sei quem ou o que ele é, mas ele é um portador de câncer. Parece que está no toque dele, sei lá que porra é essa! Começou quando o vi passando pela nossa rua. Ele parou minha esposa, que estava cuidando do jardim. Perguntou que flores ela estava plantando. Begônias, ela respondeu. Ele estendeu a mão e disse que era um prazer conhecê-la.”

Ele parou, tentando segurar as lágrimas, mas não conseguiu. Elas escorreram enquanto ele continuava, com voz rouca e entrecortada:

“Naquele mesmo dia, ela desabou no quintal. Pensei que era cansaço… mas era leucemia. Ela nunca — nunca mesmo — teve nada disso. Ela era obcecada por saúde! Caminhava todo dia, nunca fumou, nunca bebeu, era até vegana, cara!”

Ele desmoronou em choro, mas a tosse voltou. Cuspiu uma golfada de catarro no chão. Olhei: havia fiapos de sangue misturados no muco. Ele se recompôs e limpou a garganta.

“Aquele filho da puta. Perguntei quem ele era. Com o último fôlego dela, ela disse o nome: ‘Carson’. E sabe o que é mais triste? Eu roubei o significado das últimas palavras dela. Sabe o que eu teria dado para ouvir um ‘eu te amo’ ou ‘vou sentir sua falta’? Em vez disso, só o nome daquele desgraçado.”

“Carson… o tal ‘homem do câncer’?”

“Sim.”

“Onde eu encontro ele?”

Ele me entregou um endereço escrito à mão.

“Ele é fácil de reconhecer. Usa a mesma roupa todos os dias. Não se aproxime diretamente. Talvez seja melhor matá-lo de longe.”

Guardei o papel no bolso da camisa e perguntei:

“Como você sabe tanto sobre ele?”

Ele levantou a mão enfaixada.

“Tentei fazer eu mesmo. Tentei cortar a garganta dele enquanto ele corria de manhã. Ele me deu um aperto de mão…”

Desenrolou as bandagens. O que restava era uma mão retorcida, deformada, grotesca — mais parecia um porrete do que uma mão.

“Câncer nos ossos”, ele disse. “Raro. Doloroso.”

Enquanto ele enrolava novamente a bandagem, perguntei:

“Quanto tempo você tem?”

“Não sei. Pelo que vejo, eu tinha duas opções: gastar o que me resta em cuidados paliativos e deixar uma pilha de contas médicas para a minha família, ou contratar você e morrer sabendo que esse desgraçado não está mais por aí espalhando morte.”

Olhei nos olhos dele. Não estava mentindo. Sempre sei quando alguém mente. Havia verdade absoluta naquele desespero. Não importava se eu acreditava ou não; ele acreditava piamente.

“Como você quer que seja feito?”

“Não me importa. Rifle de precisão, escopeta, um puta bazuca — eu não dou a mínima. Só faça.”

Assenti e me levantei para ir embora.

“Volto aqui depois que terminar. Combinado?”

“Combinado… e obrigado.”

Depois do encontro, dirigi até o bairro onde o tal “Portador de Câncer” supostamente morava. Era um fundo de saco com casas quase idênticas, diferenciadas apenas por enfeites de jardim. A casa de Carson era particularmente sem graça: sem bandeiras, sem decoração, sem jardim — mas impecavelmente limpa. Parecia artificial. Dirigi devagar, procurando pontos estratégicos. Matar em público estava fora de questão por causa de testemunhas. Além disso, Ted havia dito para fazer de longe. Enquanto rodava pelo bairro, um apito de trem ensurdecedor soou à frente. O universo tinha me dado a solução: um viaduto ferroviário elevado, perfeito como um ninho de atirador.

No dia seguinte, observei os movimentos de Carson. Aluguei um carro e o segui. Ele não conversava com quase ninguém, não fazia nada suspeito. Parecia uma pessoa comum. Parei num cruzamento, mas mantive os olhos nele. Vi quando ele esbarrou numa mulher; a mão dele roçou brevemente no seio dela. Baixei o vidro para ouvir:

“Desculpe muito! Não foi minha intenção—” ele disse.

“Tudo bem, essas coisas acontecem!” ela respondeu.

“Olha, isso é tão constrangedor… tem alguma coisa que eu possa fazer?”

“Está tudo bem, sério.”

“Desculpe mesmo… tenha um bom dia. De novo, desculpe.”

Eles seguiram caminhos opostos.

Olhei pelo retrovisor. A mulher de repente levou a mão ao peito, como se procurasse algo. Seu rosto empalideceu. Ela havia encontrado algo que não estava lá antes. Ignorei e olhei para a frente. A cena inteira me deixou inquieto. A história de Ted era absurda… mas a voz dele não mentia. Será que eu tinha acabado de ver aquele homem dar câncer naquela mulher?

Segui Carson por mais um quilômetro. Ele virou e voltou correndo para casa. Não parou, não esbarrou em mais ninguém, nem suou. Dei meia-volta e fui para o viaduto.

Levei um rifle sniper simples com silenciador. Ao entardecer, mirei pela luneta. Ele não tinha cortinas nem persianas. Acendeu a luz do quarto, sentou na cama e ficou olhando para o vazio, com expressão abatida. Esperei que se despisse e vestisse o pijama. Mas ele permaneceu sentado, imóvel, olhando pela janela. Ficou assim por horas. Do entardecer até altas horas da noite, como uma estátua. Comecei a sentir um mal-estar crescente. A expressão vazia, fixa, sem piscar… parecia que ele estava me encarando através da escuridão. Perdi a paciência e decidi que era a hora.

Carreguei a bala, mirei, segurei a respiração. Sem vento, sem obstáculos, sem testemunhas. Tiro perfeito. Atirei.

A bala acertou exatamente no olho.

Carson caiu para trás na cama. Observei para ver se tinha errado ou se, por algum milagre, ainda estava vivo. Sangue escorria do crânio, mas algo mais saía da cavidade ocular: massas grossas de tecido, tumores brotando e rolando sobre os lençóis. Tumores vazando. Fiquei nervoso. Já tinha visto de tudo em cadáveres — último suspiro, espasmos, olhos abertos após a morte… mas nunca isso. Fiz algo que nunca havia feito antes: atirei novamente. A bala abriu o abdômen. Não havia órgãos internos… só mais tumores. Eles escorriam como pedras numa avalanche. Eram tantos, saindo em ritmo constante e desumano. O primeiro tiro passou despercebido. O segundo foi ouvido. Luzes começaram a acender nas casas vizinhas. Pessoas saíram olhando em volta, nervosas. Peguei minhas coisas e corri.

Liguei para Ted e disse que o serviço estava concluído. Voltei ao ponto de encontro no bairro abandonado. A luz da casa estava acesa. Estacionei na entrada. Respirei fundo e tentei manter a postura profissional apesar do que tinha visto. Ao chegar na varanda, notei que a porta estava arrombada. Empurrei-a.

Lá estava Ted, ou o que restava dele, apoiado na cadeira dobrável como uma boneca quebrada. Cobertura de carne disforme, pus e sangue escorrendo de vários orifícios na pele. Era… antinatural. Os tumores cobriam tanto o rosto que demorei a enxergar os olhos. Dois pontos brilhantes enterrados em carne endurecida. Estavam abertos, mas não havia nada além de dor neles. Lágrimas escorriam enquanto ele gemia e ofegava. Havia um bilhete no peito dele. As mãos — agora duas massas inchadas — não conseguiam mais segurá-lo. Aproximei-me e peguei o papel. Virei-o e li:

‘VOCÊ ACHOU QUE ELE ERA O ÚNICO?’

Um calafrio percorreu meu corpo. Larguei o bilhete e corri para o carro. Uma voz fraca e chorosa me parou:

“Por favor!” gritou. “Só… mata… m…”

Ele não terminou. Mas eu sabia o que queria. Peguei o revólver e atirei na cabeça dele. Saí correndo da casa, entrei no carro e dirigi sem parar. Só parei para abastecer. Não comi, não dormi. Só dirigi.

Voltei para minha vida normal — a vida que eu mantinha separada do trabalho. Minha filha Janice e minha esposa Wendy são meu mundo. Depois daquele serviço, fiquei aliviado ao revê-las. Pensei que aquilo seria o fim. Desativei minha linha secreta, vendi as armas anonimamente e, com o passar dos meses, achei que tudo ficaria bem.

Até esta semana.

Janice brincava no quintal enquanto eu lia no alpendre. Uma mulher de uns 40 anos passou correndo. Ela tropeçou num desnível da calçada e caiu. Minha filha correu para ajudá-la. A mulher sorriu para ela. Senti orgulho.

“Ela é uma boa menina”, disse a mulher, olhando para mim.

“É sim”, respondi.

A mulher pegou a mão dela, bagunçou o cabelo e continuou correndo. Janice voltou a brincar, mas de repente levou as mãos à cabeça.

“Minha cabeça dói, pai.”

E desabou.

Era câncer no cérebro. Estágio quatro, agressivo. Os médicos ficaram chocados e tentaram de tudo. Fizeram o possível… e ela se foi. Wendy não aguentou e foi morar com a irmã. Eu também não estou lidando bem, para ser honesto. Afundei na garrafa e comecei a tentar descobrir como identificar essas… coisas. Elas parecem exatamente como nós. Vivem vidas normais, agem como pessoas comuns. Mas estão por aí espalhando dor e luto em massa. Estão caminhando entre nós, à vista de todos. Um único toque e você está acabado.

O que mais me aterroriza é que elas fazem isso quando querem, como querem. Não sentem remorso, não têm piedade, não escolhem quem será a vítima.

Elas são os Portadores de Câncer. Estão em toda parte, são malignas e há muito mais delas do que você imagina.

Silêncio de Rádio

A viagem de volta pra casa foi mais silenciosa do que eu gostaria. O vento sacudia meu Saturnzinho 99 como se fosse uma lata amarrada atrás de uma bicicleta, e o rádio estava morto desde mais ou menos 2010. Jess me encarava de lado, e eu sentia o olhar dela queimando na minha orelha. Tentei ignorar o máximo que consegui, mas a estrada era longa e reta, e o vento não era distração suficiente pra justificar deixar aquele olhar no vácuo.

“Sim, amor?” perguntei, tentando soar desarmado. Eu já sabia exatamente o que ela estava pensando; era a mesma conversa que a gente tinha tido pelo menos quatro vezes. Toda vez que saíamos pra jantar e algum amigo anunciava noivado, eu era submetido àquele olhar de sniper que não combinava nada com uma professora do ensino fundamental.

“Quanto tempo faz, Blake?” perguntou ela. A voz não estava irritada. Era pior: estava triste, arrasada.

“Quanto tempo faz o quê? A gente tá dirigindo…” Olhei pro celular no colo, o que me rendeu um tapa forte no ombro. “Tá, tá, dez e dois, olhos na estrada. Uns vinte minutos, mais ou menos. Ainda faltam umas ho—”

“Não é isso que eu tô perguntando, e você sabe muito bem, porra.” Ela cortou. Arrisquei uma olhada de canto e só vi a nuca dela. Estava olhando fixo pela janela, furiosa. Suspirei e coloquei a mão no joelho dela.

“Você tem razão. Mas você já sabe o que eu vou dizer, Jessamess. Nenhum de nós dois tá em condições de casar agora. Quer dizer, minha carreira inteira foi pro caralho depois daquele acordo desastroso do Elderson, e você não ganha o suficiente pra bancar nós dois.” Pelo menos isso fez ela virar o rosto pra mim. Também fez ela tirar minha mão da perna dela. Pois é, ganha-se uns, perde-se outros.

“É. Eu sei. Mas faz sete anos, Blake. Sete anos. Ano passado era porque você tava correndo atrás de promoção, antes disso era porque você não ganhava o bastante, e antes ainda era porque você queria voltar a estudar. Qual vai ser a desculpa no ano que vem?” Caralho, doeu. Senti aqueles olhos cor de café com creme de avelã queimando a lateral da minha cabeça como queimadura de sol. Só suspirei, abri um pouco a janela e peguei um cigarro no console central. Apertei o isqueiro. Um clique metálico satisfatório depois, tirei o isqueiro quente e encostei a bobina laranja incandescente na ponta do meu cigarro premium cheio de câncer. Mal dei a primeira tragada profunda e gostosa, Jess me deu outro soco no braço.

“Porra! Que isso?!” gritei, quase perdendo o controle do sedã verde-musgo na estrada de duas faixas. Estiquei o cigarro pra fora da janela, a fumaça ainda saindo dos meus lábios franzidos. Dessa vez nem olhei pra ela. Sabia que ela tinha passado do estágio de chateada e entrado direto na zona de Jessica Realmente Puta da Vida. Mantive os olhos na estrada. Aquela faixa longa, reta e monótona de asfalto preto cortando o meio do nada absoluto do Kansas. Mas antes que minha namorada — talvez noiva — pudesse responder, o rádio no console acendeu. Uma luz âmbar saiu da telinha velha, mostrando um “12:00” piscando.

“Que porra é essa—” Jessica começou, mas foi interrompida quando o rádio explodiu em ruído branco. Desviei o carro, tirei a mão livre do volante e girei o botão de volume pra baixo. Não adiantou. O rádio continuou berrando estática, os alto-falantes do carro trovejando com o som de radiação cósmica que, de algum jeito, a antena tinha captado e transformado em ondas chiando e estalando. Jessica enfiou o dedo bem cuidado no rádio, tentando calar aquele treco morto há anos, mas nada. Nenhum botão funcionava. O mostrador digital da frequência começou a subir: 87.9, 99.5, 100.3, tudo estática. Subiu cada vez mais rápido, os números passando num piscar tão veloz que meus olhos mal acompanhavam. 105.1, 109.9, 111.1.

Consegui jogar o carro de volta na faixa da direita bem na hora que um par de faróis passou voando na contramão. Virei a cabeça pra olhar, depois voltei rápido pra estrada e pro rádio, nessa ordem. 135.6. 178.3. 245.7. Frequências impossíveis, muito além da faixa que qualquer emissora usaria ou qualquer rádio conseguiria sintonizar. O visor acelerou ainda mais, piscando, enquanto a estática continuava num ritmo estranho que quase acompanhava o uivo do vento nos meus ouvidos. 999.9. O visor travou ali, mas eu tinha certeza de que o rádio ainda estava varrendo todas as frequências possíveis até sabe-se lá onde.

E então, ouvimos uma voz.

“Bem-vindo, caro ouvinte, à transmissão desta semana de Silêncio de Rádio. Fico muito feliz que você tenha podido se juntar a mim. No episódio de hoje, vamos refletir sobre ‘Obsessão’. Obrigado e aproveitem o silêncio.”

A voz era um barítono calmo, sereno. As palavras pareciam manteiga derretida e cera quente ao mesmo tempo. Olhei pra Jess. Ela estava quase em pânico, me encarando como se rezasse em silêncio pra aquilo tudo ser uma pegadinha elaborada. Balancei a cabeça. E então, ouvimos o silêncio.

A voz parou, sim. Mas com a ausência dela veio o silêncio. O ronco do motor, o barulho familiar dos pneus no asfalto, o vento uivando desde que entramos naquela estrada de merda de duas faixas — tudo sumiu. Não só isso. O som da minha respiração, da respiração dela, o sangue pulsando nos ouvidos. Aqueles barulhinhos da boca que a gente só percebe em quarto silencioso. Nossas porras de batidas do coração. Tudo. Tudo morreu e nada tomou o lugar. A falta repentina de qualquer som era avassaladora. Era um ataque aos sentidos de um jeito que eu nunca imaginei possível.

Era ensurdecedor.

Eu gritei. Ou acho que gritei. Senti a dor na garganta, senti o ar sumindo dos pulmões, senti os dentes trepidando na cabeça, mas não ouvi nada. Do meu lado, Jessica batia nas próprias orelhas com as palmas das mãos, sacudindo a cabeça loucamente. Continuei gritando. Ou acho que continuei. O carro derrapou pra esquerda, depois pra direita, até o vento agarrar e nos jogar pra fora da estrada.

Eu via o céu noturno acima de nós, as estrelas girando até virarem o chão de repente. A planície reta ao redor girou em sincronia, virando o céu. O silêncio continuou gritando, nosso mundo virou de ponta-cabeça. O tempo pareceu parar quando entendi o que tinha acontecido.

O som de metal rasgando e vidro esmagando nunca veio. A dor, porém, veio. Devo ter desmaiado, porque acordei de cabeça pra baixo. Sangue endurecido na cabeça, o braço esquerdo inteiro uma lança de agonia queimante. Tentei olhar pra direita, pra ver Jess, mas não conseguia mexer o pescoço. Estava de cabeça pra baixo, preso no cinto. O carro cheirava a fumaça, e eu sentia gosto de bile na boca. O console estava derretido, os botões do rádio fundidos no plástico ao redor. Fios soltando faíscas. A voz voltou.

“Esta foi mais uma transmissão de Silêncio de Rádio. Eu, mais uma vez, sou o Locutor. Nos vemos em breve, Jessica.”

Eu engasguei. Voltei a ouvir. Primeiro sirenes, distantes, mas subindo de tom conforme se aproximavam. Depois estalos. O carro? Estava pegando fogo? Batidas. Batidas fortes. Do lado de fora da minha porta. Virei a cabeça pro único lado que conseguia, à esquerda, e vi Jess batendo desesperadamente na minha porta. A perna direita dela estava torcida pra trás e inútil, mas ela continuava socando a porta, uma mão apertando a orelha. “Je-ssica…” consegui falar finalmente.

Ela olhou em choque. De dor. Do acidente. De voltar a ouvir. Caiu pra trás, soluçando e apertando as orelhas. Eu sorri e apaguei de novo.

Isso foi há duas semanas. Vou poupar vocês dos detalhes sangrentos e chatos da internação. Acordei depois de várias cirurgias e fui imediatamente cercado pela polícia. Respondi as perguntas deles com a maior honestidade possível, incluindo a transmissão bizarra e a ausência total de som depois. Eles dispensaram como delírio de motorista com concussão grave tentando culpar o acidente em qualquer coisa. Cerrei os dentes, mas assenti. Era mais fácil assim. No fim, levei multa por direção perigosa (ha ha ha) e a culpa caiu em mim e nos famosos ventos de primavera do Kansas.

Jessica teve alta três dias antes de mim. Perna quebrada, costelas machucadas, nariz quebrado. Ela veio me visitar quando saiu, a primeira vez desde o acidente que eu conseguia realmente olhar pra ela. Deu um sorriso meio sem força e disse que voltaria amanhã. Beijei a bochecha dela e pedi pra ela descansar.

Ela não apareceu no dia seguinte. Nem no outro. Bombardei o celular dela no Facebook, liguei, mandei Snapchat, tudo. Ela não estava online em lugar nenhum. Liguei pro trabalho dela, mas tinham liberado mais duas semanas pra ela descansar em casa. Liguei pra mãe dela, que mora em Nebraska. Ninguém a via desde que ela voltou pra casa. Eu estava enlouquecendo. Será que teve alguma complicação? Já vi House M.D. o suficiente pra imaginar cem coisas diferentes que poderiam ter matado ela.

No dia que me liberaram, tive que pegar Uber. Fui direto pra casa dela e subi mancando o mais rápido que as muletas permitiam. A porta da frente estava destrancada. Girei a maçaneta e empurrei com o ombro. O cheiro me atingiu primeiro. Engasguei, vomitei pro lado. Nem tinha cruzado a soleira ainda, mas o fedor que vinha de dentro era nauseante. Cheiro de esgoto e amoníaco. Tampei o nariz, limpei a boca e gritei pra dentro.

“Jessica, pelo amor de Deus, que cheiro é esse?!” berrei. Pra minha surpresa e horror absoluto, algo respondeu. Um grunhido baixo, gorgolejante. Não era reconhecimento, era mais o som de um animal com dor. Mordi o lábio por dentro, me preparei e escancarei a porta. Meus olhos lacrimejaram com o fedor cru, e senti gosto de sangue. Entrei mancando.

“Jess? Jessica, que porra é essa?! Você tá aí?” Outro gemido gorgolejante. Meu coração pareceu subir pra garganta e cair no estômago ao mesmo tempo. A adrenalina disparou, inundando meu corpo machucado com reação de luta ou fuga, mas minha mente travou. Olhei a sala. A bolsa dela estava jogada no sofá. O celular e um pacote de chiclete tinham caído da abertura aberta. Cambaleei mais pra dentro, olhando a cozinha ao virar o corredor. A geladeira estava aberta, e pelo menos parte do mistério do cheiro estava resolvida.

Comida podre e fétida dentro da geladeira, que já não estava nem remotamente fria. Talheres e pratos de uma refeição meio feita na bancada, e um peito de frango parcialmente cozido boiando numa frigideira cheia do próprio caldo podre. Outro vômito, outro passo pra trás saindo da cozinha. Algo estava muito, muito errado ali.

Voltei da cozinha nas muletas e na perna boa. Beleza. Um pesadelo resolvido. Agora era achar minha namorada e entender o que diabos tinha acontecido. Fui pelo corredor curto até o quarto dela e bati na porta com os nós dos dedos.

Dessa vez não veio gemido gorgolejante. Só um grito agudo, estridente. Empurrei a porta.

E entrei no inferno.

O quarto dela. Meu Deus, o quarto lindo da minha Jessamess. Sempre impecável. Organizado. Ela brincava que me fazia dormir no sofá se eu deixasse meia no chão. Mas agora o quarto era um manicômio. O chão coberto de manchas de origem indefinida. O assoalho de madeira parecia empenado por líquidos derramados, manchas escuras que talvez já foram comida em outras partes. Meus olhos subiram pras paredes. A tinta tinha sido arrancada em riscos longos e arranhados. Meus olhos desfocaram enquanto meu cérebro tentava aceitar o que via. Ela tinha riscado palavras na parede pintada.

É ALTO DEMAIS

EU AINDA CONSIGO OUVIR ELES

ELES ESTÃO DENTRO DOS MEUS OUVIDOS

OS SURDOS AINDA CONSEGUEM OUVIR É ALTO DEMAIS ALTO DEMAIS ALTO DEMAIS

O cheiro estava pior, de algum jeito. Pior que na cozinha. Atordoado, virei pro lado da cama encostada na parede do fundo. Lá estava ela. Minha Jessica. Meu amor. Sentada na cama, dentro de uma poça do próprio excremento. Um radinho transistor estava na cama à frente dela, e ela encarava ele. Aquele rádio não podia mais funcionar. Estava coberto quase até o alto-falante de fezes humanas liquefeitas. Então percebi que o rádio nem estava ligado na tomada.

Jessica. Pobre Jessica. Estava sentada de pernas cruzadas na cama, a sujeira cobrindo-a na depressão que o peso reduzido drasticamente do corpo dela fazia no colchão macio. A pele parecia pendurada nela. Esquelética. Os olhos injetados, marcas vermelhas longas de arranhões descendo de cima deles quase até o queixo. O cabelo caindo aos tufos, emaranhado nos fones de ouvido grandes que estavam plugados no rádio. A perna quebrada estava dobrada debaixo dela, e dava pra ver mesmo dali que tinha inchado e escurecido embaixo do gesso. Estava submersa naquela poça de merda líquida, mas os olhos dela ainda estavam fixos no rádio. Não tinha como tudo isso ter acontecido em três dias.

Eu gritei, e a cabeça dela virou rápido. Os olhos estavam selvagens. Ela rosnou, lábios rachados e sangrando se abrindo sobre dentes cinzentos e quebrados. “ALTO!” berrou, a voz seca e esfarelada como pergaminho antigo. Eu tremi. Cheguei mais perto, em vez de fugir. “Alto demais. Alto demais. Alto DEMAIS.” Ela chamou de novo, os dedos descoloridos tentando girar os botões do radinho sem força.

“Tá tudo bem, Jess. Sou eu, o Blake.” sussurrei. “Deixa eu… deixa eu chamar ajuda pra você. Tá bom?” Ela sibilou de novo e levou as mãos de volta pros fones. Apertou eles contra as orelhas e balançou a cabeça.

“Ainda alto demais alto demais alto demais alto demais…” disse ela, quase sem som. Fiz careta. As pontas dos dedos dela estavam sangrando. Cheguei mais perto, ao alcance do braço. Meu Deus, ela tinha desgastado sulcos nos botões do rádio. Larguei as muletas, a dor subindo pela perna. Devagar, devagar, estendi as mãos e segurei as dela por cima dos fones. Ela chorou. Grandes soluços sacudindo o peito afundado, mas nenhuma lágrima saiu dos olhos vermelho-sangue.

“Vamos tirar isso, tá? Vamos chamar ajuda.” falei só com os lábios, sem som. Ela balançou a cabeça de novo. Fechei os olhos, respirei fundo e puxei contra as mãos dela. As pontas dos meus dedos agarraram o plástico barato dos fones, e com um puxão forte, arranquei com toda a força que tinha.

Ainda lembro dos sons de rasgar. Estalos. E o grito dela.

Os pulsos dela quebraram como gravetos secos enquanto ela resistia. Depois os fones se soltaram. Sangue escorreu do rosto dela onde eu arranquei os fones. Puxei eles pra longe enquanto ela gritava, olhando pros pulsos dela, depois pra mim. Quase deixei cair de puro choque, mas então vi a linha fina, amarelo-pálida, conectando a cabeça dela aos fones. Estava manchada de vermelho.

Eu gritei. Jessica uivou. E eu larguei os fones. Eles caíram no chão com um barulho, o cordão fino e fibroso do nervo auditivo dela se rompendo. Olhei em terror absoluto pros fones. Dentro deles estavam as orelhas dela. E o que só podia ser a cóclea. Tudo tinha crescido pra dentro dos fones, invadindo frestas e espaços como uma infecção. A cóclea tinha se enrolado nos drivers, pequenas terminações nervosas amarelo-pálidas brotando como trepadeiras subindo pelas linhas mais grossas do headset. Ela olhou pra mim, depois pro headset deformado e profano. Avançou pra pegar, mas os músculos atrofiados falharam. Caiu da cama, derramando dias de fezes e bile do colo. Bateu a cabeça no chão. Outro estalo nauseante. Mas a essa altura eu já estava dessensibilizado. Eu ri. Ela gorgolejou uma respiração, mãos inúteis grudadas em pulsos quebrados ainda tentando alcançar o headset.

Ela engasgou, depois ficou imóvel. Eu ri de novo. Era impossível. Era impossível. Nada daquilo era real. Peguei as muletas e comecei a sair. Mancando, cheguei na sala e liguei 911. Não fazia ideia de como explicar o que eu tinha acabado de ver. Parte de mim torcia pra polícia me fuzilar quando entrasse, mas eles abriram a porta com calma, mandaram eu ficar parado e foram pro quarto. Os sons de nojo e confusão, seguidos de gritos e vômitos, me disseram que acharam o quarto certo. Chamaram o legista. Fui levado sob custódia.

Fui interrogado uns vinte minutos depois. As fotos que me mostraram eram pálidas perto das que estavam queimadas na minha mente. Ainda vejo elas quando fecho os olhos. Toda memória da Jessica agora tem aquela… coisa sobreposta. O interrogatório foi estranhamente calmo. Eu ainda estava em choque demais pra falar qualquer coisa absurda, e minha história batia. Fui liberado, mas mandaram ficar na cidade e esperar contato ou visita. Assenti e fiquei olhando fixo pra foto da parede da Jess. Tinha algo errado, mas eu não conseguia identificar o quê.

Então caiu a ficha. Ali, na parede cheia de rabiscos arranhados, a mesma parede que eu vi pessoalmente, tinha uma frase parecida. Mas uma palavra estava diferente.

“OS MORTOS AINDA CONSEGUEM OUVIR.”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Uma coincidência que levou a uma possessão

“Nada importa quando você está na praia vivendo o sonho que nunca imaginou que se tornaria realidade!”, dizia a mulher no comercial. Eu não conseguia parar de pensar em quem não gostaria de uma vida assim. Eu só queria chegar em casa e dormir. Os turnos da noite eram os piores para mim. Eu trabalhava como ajudante de cozinha em um restaurante, e meu trabalho era uma merda: levava bronca quando os ingredientes acabavam ou quando as entregas de hortifrúti atrasavam. Naquela noite, levei a cartela completa: produto ruim que chegou estragado e eu levando esporro por erro de outra pessoa.

O trem do metrô seguia zumbindo e eu olhava a cidade passando sem o menor interesse. Havia poucas pessoas no vagão, nada chamava atenção e eu preferia assim. Chegou minha estação, desci. Eu era o único — o que não era estranho, já que eram 3 da manhã. Comecei a caminhar em direção às escadas para sair da estação quando as vi: uma mãe e uma filha paradas no fim do corredor, olhando para a cidade. Pareciam qualquer moradora de rua da cidade — sujas, perdidas. Não dei importância e segui para as escadas. Foi quando senti um cheiro estranho.

Eu conhecia muito bem aquele cheiro: carne podre. Era tão característico que tive de parar de novo e olhar em volta. Tentei identificar de onde vinha, mas não consegui. Olhei para ver se o casal ainda estava lá, mas elas tinham sumido. Isso começou a me deixar arrepiado. Apressei o passo para as escadas e ignorei qualquer outra coisa. Ao chegar às escadas, lá estavam elas de novo, agora na base, olhando para cima, na minha direção. Seja lá qual brincadeira de mau gosto fosse aquela, eu não queria participar. Continuei descendo as escadas e fiz o possível para ignorá-las. Na base, passei direto por elas. O fedor de carne podre estava tão forte que tive de levar a mão à boca. Não olhei uma segunda vez e segui andando.

Enquanto passava pelas lojas fechadas e outros prédios, eu tinha a sensação constante de que estava sendo seguido. Olhava para trás e não via ninguém além do normal. As ruas estavam silenciosas àquela hora da madrugada. Apressei o passo até o prédio, olhando para trás de tempos em tempos. Chegando ao edifício, parei na entrada para olhar em volta: ninguém. Ao me virar para entrar, lá estavam elas outra vez — paradas na frente do elevador, me encarando. Seus rostos pareciam encovados, como se não comessem há dias ou semanas; a pele quase branca, as roupas rasgadas em vários lugares e imundas. Meu apartamento ficava no segundo andar. Ao vê-las, mudei de direção e fui para a escada. Elas me observavam. Eu não fazia ideia de como tinham conseguido me ultrapassar na rua e não queria parar para perguntar.

Subindo as escadas, eu ficava olhando para baixo e para cima o tempo todo, verificando se estavam me seguindo. Toda aquela situação estava me deixando apavorado. No segundo andar, espiei pela porta até o corredor para ver se tinham usado o elevador. O caminho estava livre. Entrei, caminhei até meu apartamento e comecei a mexer nas chaves. Minhas mãos tremiam tanto que encontrar a chave certa virou uma missão. Chegando à porta, abri os três trincos enquanto mantinha um olho aberto para elas. Abri a porta e foi aí que o cheiro me acertou em cheio: carne podre. Dei um pulo para trás e quase gritei.

O apartamento estava escuro, com pouca luz entrando do corredor e das janelas. Procurei ver se havia algo lá dentro que pudesse ser a fonte do cheiro, mas não enxergava nada. Entrei devagar, passando a mão na parede à procura do interruptor. Encontrei e acendi as luzes. O apartamento estava exatamente como eu havia deixado no dia anterior: nada fora do lugar, nenhuma evidência de que alguém tivesse entrado. O cheiro ainda pairava no ar. Tampei o nariz e a boca com a mão e comecei a vasculhar o lugar à procura da origem.

Não havia nada no apartamento que pudesse estar causando aquele fedor. As saídas de ventilação eram pequenas demais para eu abrir e verificar. Saí do quarto e lá estavam elas, paradas na pequena sala de estar. Perguntei o que queriam. Elas apenas ficaram lá, imóveis. Perguntei como tinham entrado no apartamento, mas não se mexeram. Eu estava começando a ficar mais irritado do que com medo.

Avancei até ficar a um passo delas e perguntei, em voz mais alta:

— Que porra é essa com vocês duas? Por que estão me seguindo?

Nada.

— Quem caralho mandou vocês?

Nada.

Avancei para agarrar a mulher e, antes que eu pudesse tocá-la, uma onda de dor me atingiu como se um caminhão tivesse me atropelado. Fui jogado para trás e bati na parede. Elas não se mexeram, só continuaram me encarando. A dor começou no peito e se espalhou por todo o corpo. Era como se eu estivesse sendo esmagado por dentro. A sensação era amortecida, mas ao mesmo tempo minha força estava sendo sugada. Caí no chão e perdi a consciência.

De repente, me vi em algum tipo de campo. Parecia uma encosta de morro. O céu era de um cinza estranho, sem vento, apenas uma paisagem parada e imóvel.

Eu não conseguia entender por que ou como tinha chegado ali. Só sabia que estava parado, confuso. Comecei a andar em uma direção qualquer e percebi que minhas pernas se moviam, mas o chão não. Olhei em volta tentando entender o que estava acontecendo e então percebi que estava afundando. O solo parecia mãos agarrando minhas pernas e me puxando para baixo. Gritei com a sensação de ser arrastado para baixo. Tentei me segurar em alguma coisa e percebi que estava segurando uma mão — e aquela mão também estava me puxando. Seja lá que sonho doentio fosse aquele, eu não entendia nada. Só sabia que estava sendo puxado para baixo.

Acordei gritando. Olhei em volta: as duas tinham sumido e já era dia claro. Peguei o celular — estava descarregado. Verifiquei o horário: 11 da manhã. Eu já estava atrasadíssimo para o trabalho, mas nem liguei. Olhando para baixo, vi terra e grama grudadas nos meus pés. Peguei uma folha de grama e era idêntica à do sonho. Seja lá o que aquelas duas fossem, eu não queria descobrir. Levantei e praticamente corri para fora do apartamento. Depois de alguns passos, parei, voltei, tranquei a porta e continuei correndo escada abaixo. Lembrei que havia um templo no caminho para casa e decidi que era minha melhor opção.

No caminho, comecei a notar que os rostos das pessoas pareciam estar derretendo. O mundo inteiro parecia estar se desfazendo na minha frente. Eu não conseguia andar em linha reta sem esbarrar em pessoas ou objetos. Finalmente cheguei ao templo. Procurei um padre e o encontrei. Contei tudo o que tinha acontecido. O que ele respondeu não fez sentido na hora porque desmaiei de novo.

Acordei em um quarto, deitado sobre um tatame. Aos meus pés, um único incenso queimava. Tentei me sentar, mas uma dor aguda nas costas me fez cair de volta. Tentei falar, mas minha garganta ardia com o esforço. O padre entrou e sentou-se ao meu lado.

— Percebi que algo se agarrou à sua alma enquanto você tentava falar comigo. Era como se três pessoas estivessem falando ao mesmo tempo. Quando recitei uma oração, você desmaiou. Precisei purificar sua alma e seu corpo. Parece que duas almas perturbadas escolheram possuí-lo. Não sei quem elas podem ser, mas se você não tivesse vindo até aqui como veio, temo que elas poderiam ter tomado conta de você completamente.

Tentei falar novamente, mas não consegui. Ele me deu um copo d’água e depois um chá quente. Isso aliviou a dor e, finalmente, consegui contar toda a história da noite anterior. Ele ouviu em silêncio. Quando terminei, a única coisa que perguntou foi em que dia aquilo tinha acontecido. Respondi que foi na madrugada de quinta-feira. Ele me disse que era terça-feira. Eu tinha ficado inconsciente por cinco dias. Fiquei em choque total.

— Você precisará ficar aqui por mais um dia para que possamos completar as orações. Caso contrário, elas podem tomar conta de você por completo. Ainda é um mistério quem elas são, mas vou lhe dizer uma coisa: o cheiro que você mencionou pode significar que você passou por cima do local onde elas foram enterradas ou que você foi a última pessoa que elas viram antes de morrer.

Expliquei que eu era apenas um ajudante de cozinha em um restaurante, não um assassino. Mesmo assim, ele insistiu que tudo poderia ser apenas uma coincidência. Tudo o que sei é que perdi meu emprego e poderia ter perdido muito mais se não tivesse ido ao templo como fui. Seja qual for o caso, tive sorte de continuar vivo.
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Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon

Uma Lista Extensa dos Meus Encontros com Entidades Paranormais, ou Parasitas Meméticos…

Este é um relato pessoal em primeira mão das minhas experiências com o que muita gente consideraria sobrenatural. Embora eu acredite que exi...