Não sou muito chegado a higiene pessoal, vou admitir. Eu reutilizo as roupas pra adiar a lavagem, então as primeiras peças que vão pro cesto ficam ali por um bom tempo. Por todo o Fórum, já vi centenas de fotos de cogumelos e mofo crescendo nas roupas das pessoas — essa coisa tinha os mesmos ingredientes, mas não era cogumelo nenhum.
Numa camiseta d' O Retorno do Jedi tinha vários brotos crescendo. O maior era um caroço do tamanho de um polegar, com a textura e a cor de pudim de tapioca velho. Ele se espalhava mais uns três centímetros pela camiseta, cobrindo boa parte da cara do Jabba the Hutt. Eu apertei o tecido por baixo dele e, mesmo que a superfície encrustada parecesse que ia esfarelar, ele ficou preso e se mexeu junto. Fiquei chocado, mas nunca com nojo de verdade — achei tudo absurdo, na real. Tirei uma foto e postei, e as pessoas tiveram uma reação bem mais explosiva do que a minha. Não sou nenhum especialista em plantas, não fazia ideia do que era aquilo, e ninguém mais parecia saber também. Os CDFs saíram da moita pra compartilhar a sabedoria deles, mas ficaram todos de boca aberta. Não fiquei com ele por algum senso solene de dever à ciência e à descoberta — eu queria ver até onde aquilo ficaria bizarro. Acho que consegui as duas coisas.
Tentei recriar o fundo do cesto num lugar onde eu pudesse observar o crescimento. Estendi a camiseta numa cesta de vime e a coloquei em cima de uma saída de ar do aquecimento no meu armário. Borrifei água na camiseta e continuei fazendo isso a cada poucos dias. Estava funcionando — ele crescia aos poucos, assim como os menores que cresciam ao lado. Depois de três semanas, os tentáculos se estenderam até a Princesa Leia e deixaram visível só a metade de baixo do Jabba. Ficou mais detalhado: as crostas eram mais finas e com covinhas, e a camada superior inteira estava mais escura, como uma batata murcha.
Só o toquei uma vez — cutucuei o centro com delicadeza e ele afundou. A camada de cima não explodiu, mas vazou um líquido transparente; gotinhas correram pela superfície e escorreram até as raízes, onde se misturaram com outro fluido. Era um líquido amarelado e turvo que escorria por baixo e ia encharcando a camiseta. O crescimento desacelerou na semana depois que eu cutucuei; convicto de que tinha machucado ele, jurei que não ia tocá-lo de novo a não ser que fosse absolutamente necessário.
Ele pegou mesmo o ritmo quando as raízes dele encontraram as de outro broto. Embora a relação parecesse simbiótica, o broto menor não se beneficiou tanto quanto o maior — o progresso dele foi estagnando até parar completamente. A largura aumentou onde as raízes se encontravam, conforme a planta principal se espalhava mais. Essa largura avançou pelas raízes da menor e causou um inchaço na massa central. A mudança mais repentina entre uma borrifada e outra aconteceu quando o broto menor explodiu com novo crescimento. Todo o material que havia acumulado no centro parecia ter sido expelido para o lado, deixando-o completamente murcho.
Com o tempo, todos os brotos foram se conectando e passaram a se comportar da mesma forma — inchavam e, no dia seguinte, eu encontrava uma explosão de crescimento. A massa grande se tornou a única restante, e as outras pareciam nós no sistema de raízes. As raízes se enrolaram por baixo da camiseta, presumivelmente dando uma volta completa em torno dela. Estava ficando sem tecido e achei que teria que transferi-lo para outro lugar, mas ele se adaptou escalando o cesto.
Chegou num ponto em que eu tinha que borrifar várias vezes por dia pra manter um ritmo de crescimento constante. Prendi um umidificador pequeno na tampa pra mantê-lo sempre úmido — fazendo isso, eu conseguia voltar a checar a cada dois dias, e toda vez que checava, ele parecia ter mudado drasticamente. Raízes mais grossas e mais numerosas traçavam os sulcos do cesto; a cada dia que passava o cesto parecia dois centímetros mais raso. Por um tempo — talvez desde quando eu o cutucuei — uma protuberância vinha se formando no centro: se fosse esse o caso, soava quase como um galo ou algum tipo de reação imunológica. O topo foi ficando mais fino, se espalhando e rasgando — escamoso como a muda de uma cobra. Os últimos fios se romperam e um caroço branco leitoso foi revelado. A área ao redor estava com uma cor diferente do resto da superfície — um roxo orgânico irritado. Parecia uma espinha, ou um hematoma infectado; foi a primeira vez que senti nojo do crescimento. Fiquei me perguntando se tê-lo tocado tinha de fato o infectado, se eu havia perturbado uma carne vulnerável.
Esperava que um dia eu tiraria a tampa e encontraria o furúnculo estourado, mas isso nunca aconteceu — pelo contrário, parecia estar cicatrizando. O inchaço foi diminuindo e a descoloração foi embora. Uma mancha escura se desenvolveu no centro, surgindo devagar do cinza claro pro preto — um ponto do tamanho de uma picada de alfinete. Dali ele se espalhou, o preto absoluto e vazio cobrindo mais e mais do branco polido e brilhante. Toda vez que eu o regava, ficava um tempo observando — sempre havia algo diferente no seu design. Se eu ficasse tempo suficiente olhando numa mesma sessão, o ponto escuro diminuía. Interpretei isso primeiro como uma reação negativa à luz, então coloquei a tampa rapidinho e o deixei em paz. Quando voltei, o ponto tinha voltado ao tamanho anterior, mas diminuiu de novo assim que o descobri. Era fascinante, mas tinha uma explicação — plantas reagem à luz, algumas, como os lírios-do-dia, reagindo rapidamente. O que eu não conseguia explicar, no entanto, era como o ponto seguia o meu movimento.
Tirei a tampa pra recolocar água na bandeja, deixando-a de lado enquanto me ausentei. Quando voltei pro armário, o ponto havia se deslocado pro canto mais distante da cúpula branca, de frente pra porta. Ele nunca havia se movido antes — só mudava de tamanho — e vê-lo se virar ativamente em direção à luz foi um desenvolvimento e tanto. Me joguei no chão pra dar uma olhada mais de perto, e enquanto me inclinava sobre ele, o ponto foi se arrastando de volta pro centro. Inclinei minha cabeça pra direita e, depois de manter a posição por alguns minutos, o ponto foi novamente se arrastando na minha direção. Fiquei observando por quase uma hora, me movendo ao redor e deixando-o me seguir. Mesmo depois de todo aquele tempo, não conseguia identificar ao que ele era atraído. Quando apontei uma luz para ele e me movi de um lado pro outro, ele continuava apontando pra onde quer que eu estivesse — mover outros objetos ao redor resultou no mesmo. Quando eu saía ou me escondia do campo de visão, ele apontava para onde eu havia estado por último. Não fazia sentido, mas fiquei me perguntando se ele era atraído por pessoas — então peguei uma foto da minha mãe e fui acenando com ela por lá. Nada.
Estava numa sinuca de bico. Sentia que precisava ser estudado por um profissional — um geneticista ou coisa assim — mas tanto a ideia de entregá-lo quanto a de dissecá-lo eram difíceis de aceitar. Tentei ser bem cauteloso quanto à quantidade de estímulos a que o expunha; podia estar arrancando um peixe-cachorro da sua toca toda vez que tirava a tampa. Se eu tivesse mais deles, talvez estivesse disposto a ir cutucar — mas, até onde eu sabia, esse aqui era um George Solitário.
Não falei pra ninguém depois dos posts iniciais. Aquilo era especial, e pessoal. Havia algo de sagrado nele, algo que eu vivenciaria sozinho. Documentei bastante — fotos e vídeos sem fim — mas nunca foi destinado a mais ninguém além de mim; era mais um álbum de fotos do que um relatório. Nunca fui bom em cuidar de coisas, especialmente plantas — mas esse estava prosperando, e a rotina veio naturalmente. Havia um orgulho simultâneo que eu sentia por mim mesmo e por ele, conforme ele continuava crescendo.
Chegou uma hora em que o cesto estava quase cheio. As raízes já haviam transbordado pela borda e começado a descer pelos lados. Conforme eu estudava mais a orbe branca, fui aceitando que era um olho — enquanto conseguia encontrar alguma racionalidade no crescimento ser natural lá no início, já havia superado isso. O olho estava quase chegando na tampa, com o umidificador borrifando névoa diretamente nele; eu precisava mudar o arranjo, mas não sabia a melhor forma de fazer isso. Assisti vídeos sobre como transplantar árvores com raízes aglomeradas — não tinha como saber como estaria a parte de baixo, mas raízes aglomeradas era meu melhor palpite. Com muito custo, baixei as mãos até o cesto, mantendo-as perto das bordas. As pontas dos meus dedos enluvados pressionaram a costura onde a pele encontrava o vime entrelaçado — elas afundaram um pouco e o fluido amarelado vazou. Puxei as mãos rapidamente, com fios de gosma se arrastando pra trás. Conforme o fluido continuava a vazar, bolhinhas subiram à superfície soltando um chiado fininho. Seja qual fosse o bolsão de ar que estava por baixo, devia estar se enchendo com o fluido. Fiquei preocupado com ter machucado ele — que estava secretando algum tipo de seiva das feridas. Coloquei a tampa de volta e decidi que teria que fazer um recipiente novo, grande o suficiente pra acomodar o cesto também.
Comprei um grande baú antigo — estava bem gasto, então era bem barato. O interior era forrado com esse papel rasgado com estampas da natureza, tipo papel de parede vintage. O crescimento dele estava normal — melhor do que eu esperaria dado o incidente — mas ainda estava secretando o fluido, agora escorrendo pelos sulcos do cesto. Coloquei-o sobre jornais enquanto procurava pelo baú, tendo que trocá-los constantemente. Quando finalmente coloquei o baú onde eu queria, ergui o cesto pelas alças.
Era incrivelmente pesado. Até então eu só havia levantado alguns centímetros do chão pra trocar os jornais — isso não me preparou pra como seria erguê-lo de verdade. Devia ter uns dez quilos, o que era demais pras alças de madeira aguentar. A madeira encharcada ao redor dos parafusos rachou; consegui colocar um braço por baixo do cesto antes que ele caísse no chão, mas a luta não havia acabado. O fluido que havia encharcado o fundo do cesto estava quente e espesso — vazou pelas dobras da minha mão descoberta como mel não misturado. Curvei o corpo sobre o cesto pra apoiá-lo no colo, mas o fluido parecia secretar ainda mais — escorregou pelas minhas pernas e desceu por elas. O cesto pousou nos meus pés, amassando até explodir num gêiser de gosma amarela, com cordas dela se espalhando pelo meu tapete. Estendido sobre meus pés estava o broto — enrolado como um novelo de grama seca, coberto de salmoura, me encarando lá de baixo. Suas raízes se desenrolaram, se libertando do espaço apertado — algumas delas se contorciam, agitando e batendo; outras simplesmente se arrastaram o mais longe que conseguiam. Durante tudo isso, aquele mesmo chiado sibilante escapava de algum lugar dentro dele — dessa vez mais alto.
Fiquei lá parado chocado por um minuto, certo de ter matado ele, mas me recompus e comecei a transferi-lo pro baú novo. Nem me dei ao trabalho de colocar luvas — nossos germes já estavam todos entrelaçados. Coloquei as mãos por baixo do agrupamento principal e levantei. Foi como se uma torneira tivesse sido aberta, com aquele jorro pesado de gosma que derramou de dentro — não só se enrolou nas minhas mãos, mas as raízes também. Não tinha o apoio que tinha com o cesto, então minhas mãos afundaram fundo entre tentáculos quentes e molhados. Elas se enrolaram nos meus antebraços, se agarrando a mim, assim como eu me agarrei a ele. Havia dezenas de raízes com mais de um metro de comprimento que eu não queria arriscar pisar — então me curvei e o apoiei no peito enquanto jogava as pontas longas por cima dos meus ombros. O olho estava a quinze centímetros do meu rosto, e enquanto eu fitava dentro dele, percebi que nunca havíamos estado tão próximos. O horror era que provavelmente não estaríamos de novo — se ele sobrevivesse a tudo isso, eu não via como haveria outra oportunidade de segurá-lo. Não acho que o momento durou muito — tentando rapidamente deixá-lo confortável — mas pareceu longo.
Estendi as raízes longas por cima dos vários tecidos úmidos que forrei no fundo do baú, finalmente depositando o restante dele no centro. A forma como ele ficou estendido naquele baú grande o fazia parecer tão pequeno — igualzinho a quando era jovem. O chiado diminuiu, assim como o vazamento e o movimento dos membros. Não conseguia me decidir entre alívio e preocupação, com medo de que ele estivesse se acalmando como sintoma de estar morrendo. Seja o que fosse que estivesse passando, ele pelo menos parecia em paz.
Passei muitas horas nos dias seguintes limpando a bagunça. Lutando contra a gosma que já havia encharcado o tapete e endurecido, com um cheiro podre que só piorava conforme fermentava. Estragei muitas toalhas tentando tirar a mancha do tapete — cada uma delas indo pro baú. Tive que desistir quando havia esgotado quase todas elas. Não tinha como salvar a minha roupa também, então ela foi pro baú. Ficou evidente que tinha mais roupa minha no baú do que no cesto, e que havia passado um mês sem fazer lavagem. Meu armário estava pelado — algumas camisetas penduradas no cabideiro, e as prateleiras com calças espalhadas e amassadas. Parecia mais cheio do que nunca, com o baú quase ocupando toda a largura do cômodo. Apesar da minha negligência em lavar as roupas, me sentia mais produtivo do que nunca — limpeza nunca foi uma prioridade pra mim, mas de alguma forma me tornei uma, e minhas outras responsabilidades foram se apagando.
Acho que estava tentando tirar ele da cabeça — me mantendo ocupado enquanto ficava perto, simplesmente existindo no mesmo espaço. O crescimento dele parecia ter estancado, ele parecia murcho — sua superfície outrora rechonchuda e encrustada, afundada com sulcos mais profundos. Seus movimentos oculares estavam lentos, às vezes nem me reconhecendo, perdido em algum outro lugar. Às vezes eu me forçava a checá-lo — uma sensação de culpa — mas disposto a admitir que estava com medo do que encontraria. A mudança finalmente veio. Quando entrei no armário pra visitá-lo, encontrei protuberâncias pelo tapete. Me ajoelhei e vi brotinhos minúsculos, igualzinhos a ele e aos seus irmãos na infância. Corri pro quarto dos fundos e derrubei o cesto — tudo dentro dele tinha pelo menos um dos brotinhos.
Me ajoelhei ali no chão do banheiro estendendo o que havia sobrado das minhas roupas, o rosto tomado pelo espanto. Havia um conforto que senti olhando pra todos eles — num momento em que ainda estava incerto sobre o que aconteceria com o original, havia um consolo em pensar que sempre teria uma parte dele. O único dilema era decidir o que fazer com eles: arriscar as consequências de transplantá-los, ou deixá-los ter minhas roupas. Talvez houvesse um tempo em que eu jogaria com as vidas deles — talvez fosse um pensamento mais fácil quando os riscos eram imaginários. Eles importavam muito mais do que eu poderia ter previsto, e tudo o mais, muito menos. Imaginei que importariam mais pra ele do que pra qualquer outra coisa. Peguei todas as roupas cobertas de esporos no braço e fui até o armário — engancho a tampa do baú com o pé, levantei e fiquei parado sobre a abertura.
— Você não vai acreditar no que eu encontrei.
Foi a primeira vez que falei com ele. As pessoas dizem que plantas gostam que a gente cante pra elas, mas eu nunca conseguia me fazer isso — mesmo em completo isolamento me sentia envergonhado. Mas enquanto mostrava cada um dos filhotinhos, não senti nenhuma vergonha. O cômodo estava aromático e aconchegante — algo conjurado pela felicidade que compartilhávamos. Os pequenos mudaram tudo. Não foi uma decisão tanto quanto foi um instinto — eu estava totalmente comprometido em cuidar dele e de seus filhotes.
Os jovens foram crescendo; com minha atenção total, estavam crescendo mais rápido do que o original havia crescido na mesma idade. Ele também continuou crescendo — assim como havia feito com o cesto, ele extrapolou o baú. Arranquei os pregos e deixei os lados achaterem enquanto seus membros se derramavam como intestinos. O fluido inundou o tapete do armário e se espalhou pelo meu quarto. Estendi seus membros o máximo que conseguia, colocando-os nas prateleiras do armário, sobre minha cama e por cima dos varões de cortina. Tinha uma dúzia de umidificadores espalhados pelo apartamento quando percebi que era melhor deixar o chuveiro ligado. De vez em quando eu tampava o ralo e deixava uma fina camada de água se acumular.
Muitas vezes eu ficava deitado no chão do banheiro por horas — nunca pra me limpar, apenas deixando a água correr sobre mim. Virou um hábito depois de descobrir que acalmava minha pele irritada. Um dia, uma crise repentina cobriu meus braços de pele vermelha e ressecada — ela se espalhava em manchas pelo peito e pelas pernas. Só frustrante no começo, mas foi ficando debilitante — escamas de pele morta caíam com cada movimento, e as dobras ficaram com um rosa vivo. Qualquer tipo de limpeza ficou impossível, já que os produtos químicos fortes deixavam minhas mãos em brasa, então eu só ficava no chuveiro encharcando o máximo que conseguia. A pior parte de ficar no banheiro era me ver no espelho. Às vezes fico me perguntando se fiquei tanto tempo deitado no chão porque detestava me ver quando levantava. A imagem me enojava toda vez: meus olhos estavam inchados, encrostados nas pálpebras e com olheiras roxas e infladas. Quebrei o espelho e parei de acender as luzes — algo que deveria ter feito muito antes, pra criar um ambiente de crescimento melhor. Só precisei chegar ao ponto em que ver meu corpo sem roupa à luz era a pior parte do dia. Meus olhos foram se adaptando ao escuro, e embora eu permanecesse envolto nas sombras, os traços mais vergonhosos ainda se destacavam. Houve algum consolo quando percebi que minha visão estava piorando — meu rosto inchado foi gradualmente crescendo ao redor dos olhos, e eu acordava muitas vezes com eles colados de pus. Achei que estavam infectados, assim como o resto de mim, e que em breve as bactérias os matariam. Era uma realidade que eu ia aceitando de bom grado — em parte porque não estava sozinho na experiência; ele estava passando pelo mesmo. O olho dele permaneceu no armário, uma orbe gigantesca ao longo da parede dos fundos, e conforme suas raízes de longo alcance inchavam ao redor da entrada, ele estava fadado a ficar trancado lá dentro.
Coexistimos por anos agora — milhares de filhotes nascidos e todos conectados; nossas vidas entrelaçadas o tempo todo. Não há lugar onde ele não chegue, e em breve isso também se aplicará a mim. Seus membros se encontram com os meus agora. Onde antes eu o segurava e temia que seria a última vez, sei que ele teme o mesmo — e provavelmente está certo. Ele vai cuidar de mim como cuidou dos seus filhotes — isso vem naturalmente pra ele. Ele consegue se virar sozinho e vai conseguir seguir em frente sem mim — disso tenho certeza. Mas não sou ignorante quanto à aparência dele. Ele vai ser encontrado algum dia. Só espero que os descobridores encontrem esse post primeiro. Estou mandando isso como minha última vontade e testamento — um apelo em nome da minha criação, para que ele receba a mesma gentileza que me mostrou. Ele não conhece as crueldades do mundo, e eu esperava que nunca fosse conhecer — não tenho mais nenhum poder sobre isso. Tudo o que peço é que o mundo não seja cruel com ele.