Quando eu era criança eu tive câncer — de pulmão, o que é raro em crianças, mas lá estava eu, com oito anos, passando por quimio, depois cirurgia, depois mais rodadas de remédios, exames e tomografias até eu começar a odiar o tratamento mais do que a própria doença. Toda vez que tinha mais uma ida pro hospital eu chutava, gritava e batia minha cabeça fraquinha em todos os móveis, torcendo pra que se eu fizesse o maior escândalo possível meus pais desistissem e me deixassem ficar em casa.
Eles nunca desistiram. Me pegavam no colo e me arrastavam pra qualquer procedimento que eu tivesse naquele dia, e no final eu venci o câncer, embora estivesse tão acabado que nem consegui comemorar direito.
Qualquer hora que eu pegava um resfriado ou sentia alguma dor ou coceira inesperada no corpo, tudo em mim travava de terror achando que estava acontecendo de novo — células ruins nascendo dentro de mim, se espalhando pelo meu sistema pra plantar suas sementes em outros órgãos.
Mesmo quando cresci e virei adulto, esse medo ficou comigo. Tinha noites em que minha parceira Deanna ficava acordada comigo, me abraçando forte até eu parar de tremer, como um cachorro com colete anti-ansiedade.
“Eu nunca vou superar isso”, eu dizia, e ela acariciava meu cabelo, que às vezes eu sonhava que estava caindo de novo, ou que alguma outra coisa estava crescendo por baixo.
“Tá tudo bem”, Deanna dizia. “Eu entendo, amor. Eu sei.”
Mas eu nunca acreditei nela — como ela poderia saber? Deanna não tinha sido aquela criança pequena na cama desconfortável do hospital, não entendia como era ler as notícias e ouvir falar de cada contágio e epidemia, certa de que se o câncer não voltasse, então seria meu sistema imunológico — destruído pelas doenças — que me deixaria na mão.
Eu passava muito tempo dentro de casa, tossindo e coçando mais como reação de achar que estava doente do que por qualquer coisa que realmente tivesse pegado. Uma fadiga forte e inexplicável vinha e ia, acabando tão rápido quanto começava. Mas quando Deanna também ficou doente, isso me chocou pra caralho.
Ela tinha sido saudável durante todos os oito anos que eu a conhecia, nunca pegando nada além de um resfriado ou uma gripe de verão de vez em quando, e mesmo assim ela aguentava firme e melhorava em poucos dias. Ela boxeava, nadava, fazia trilhas, acordava às 6 da manhã na maioria dos dias com a garrafa de água na mão, se abaixando pra me dar um beijo no rosto sonolento enquanto eu piscava pra ela do travesseiro.
Então quando eu cheguei do trabalho uma noite e vi Deanna com os olhos vermelhos e frágil debaixo de um cobertor no sofá da sala, fiquei espantado. No começo eu até brinquei com a novidade da coisa.
“Eu devia saber que ia te pegar eventualmente”, eu disse, arrancando dela uma risada fraca. “Todo mundo no escritório pegou essa merda de vírus agora. Toda aquela tosse e coceira me fez ameaçar pedir demissão. Todo mundo ganhou folga amanhã. Posso ficar em casa e cuidar de você.”
“Vou ficar bem”, disse Deanna. “Vou estar de pé e ativa de novo antes que você perceba. Só me dá um tempo.”
Mas quando duas semanas se passaram sem ela melhorar, minha velha paranoia médica começou a ativar, aquela voz familiar e insistente que não estava mais no fundo da minha cabeça, e sim bem na frente.
“Ela vai morrer, Terry. Ela vai pegar câncer, igual você pegou, e depois ela vai morrer.”
“Me deixa te levar no médico”, eu disse, vendo Deanna arrastar os pés de volta do banheiro, o rosto dela tão consumido pela doença que parecia quase só osso. “Isso pode ser grave, D. Você precisa começar a levar a sério.”
Deanna sentou no sofá e começou a cutucar distraidamente um pedaço de pele na parte de trás da mão. Não tinha nenhuma erupção, mas a pele dela coçava do couro cabeludo até os dedos dos pés como se estivesse viva e protestando por ter que ficar onde estava. Nada parecia ajudar, nem os cremes, nem duchas frias, nem anti-histamínicos que eu tinha tentado quando estava na posição dela. Mas ela não aceitava nenhuma outra ajuda, não importava quantas vezes eu insistisse.
“Eu não preciso de médico”, ela disse, se arrastando pelo sofá pra deitar a cabeça no meu colo. “Você superou. Eu também vou.”
Pra mim aquelas eram palavras de mau agouro, o que as pessoas sempre diziam antes de morrer dormindo ou ligadas a um respirador. Esperança falsa, espantada como uma mosca.
Lentamente, no entanto, Deanna começou a melhorar, embora ainda coçasse o suficiente pra ativar minhas próprias compulsões. Às vezes ficávamos sentados lado a lado, enfiando as unhas pra cima e pra baixo nos braços até sangrar.
Então, do nada, Deanna parou de coçar completamente, embora ainda tirasse cochilos longos e profundos que me faziam achar que ela tinha morrido dormindo. Numa tarde que me liberaram mais cedo do trabalho, cheguei em casa e encontrei Deanna deitada no sofá com os olhos fechados e as persianas baixadas. A única luz no quarto vinha da TV, piscando vermelha e branca no rosto imóvel dela.
Enquanto eu ia acordá-la, notei uma onda fervilhante de movimento nas bochechas e testa dela e descendo pelo pescoço, como estática preta. Demorou um segundo pra registrar que o que eu estava vendo eram centenas de formigas, rastejando pra dentro dos olhos, nariz, ouvidos e boca de Deanna e saindo de novo em filas ocupadas, suas antenas se mexendo, seus corpinhos marrons brilhando na luz fraca.
Olhando pra elas eu pensei: ‘ela deve estar morta. Ela morreu e elas estão comendo o corpo dela.’
Mas eu conseguia ver o peito de Deanna subindo e descendo, o movimento inconsciente dos pés dela debaixo do cobertor. Então, quando eu me inclinei sobre ela, os olhos dela se abriram de repente, as formigas correndo de volta pra dentro do corpo dela até só restarem algumas.
“Dee”, eu disse, com a voz falhando no meio. “Tinha bicho pra caralho em cima de você. Elas acabaram de entrar em você.”
Deanna olhou pra mim, o rosto sem expressão nenhuma, aquele brilho carinhoso de sempre tinha sumido dos olhos dela.
“Eu sei.”
Eu fiquei olhando enquanto ela se levantava contra as almofadas do sofá, se espreguiçando até uma das juntas estalar.
“Você sabe”, eu repeti. “Como assim você sabe? O que isso quer dizer, porra?”
Deanna levantou a mão pra tocar as formigas que ainda estavam no rosto dela, guiando elas gentilmente pra dentro de um dos ouvidos. Eu nem conseguia me mexer pra impedir; impotente, fiquei parado, quase me dobrando de ânsia de vômito.
“Não faz isso”, eu disse. “Dee, que porra você tá fazendo?”
“Elas moram aqui”, disse Deanna simplesmente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Eu sou a casa delas.”
Eu lembro de ter pensado: ‘isso não pode ser possível. Por que as formigas não morrem? Elas não deveriam se afogar nos fluidos ou serem esmagadas ou mortas pelo calor?’
Mas agora que eu olhava de verdade pra Deanna eu conseguia vê-las se mexendo nos cantos dos olhos e por baixo da pele, um movimento constante ondulando.
Ela estendeu a mão pra pegar a minha, e só então meu corpo se soltou da posição congelada enquanto eu me afastava, sem querer que ela me tocasse.
“Como as formigas chegaram aqui?”, eu me ouvi perguntando. “A gente teve algum tipo de infestação na casa, ou...”
Deanna balançou a cabeça.
“Não, amor. Não. Elas vieram de você.”
Ela se levantou pra abrir as persianas, depois apontou pro espelho pendurado atrás do sofá.
“Se você olhar com atenção suficiente vai ver elas em você também. Elas estavam se escondendo de você. Não queriam que você soubesse que elas estavam aí. Você poderia ter feito alguma coisa, se machucado, e elas não queriam isso. Perder a colmeia.”
Eu fui até a janela e fechei as persianas com um estalo, sem querer ver o que ela via, sem querer acreditar nela. Mas agora que eu estava concentrado eu conseguia sentir o movimento de corpinhos pequenos dentro de mim, abrindo túneis e câmaras pra morar e pros ovos delas chocarem.
“Não”, eu disse. “Não. Eu teria notado.”
“Você não teria”, disse Deanna. “Elas fazem com que não doa. Elas não são como outras formigas. Vieram de algum lugar muito longe. Longe demais pra imaginar. Elas precisavam da gente, corpos vivos pra carregar elas. Palácios pra rainha delas.”
Ela estava falando numa voz suave e quente, tentando me conquistar. Tentando fazer o que estava acontecendo com a gente parecer algo bom.
“Não”, eu disse baixinho. “Não fala isso. Como você sabe disso, afinal?”
Deanna sorriu, e eu percebi que era o sorriso de alguém que tinha entendido que uma coisa terrível estava acontecendo com ela e decidiu se jogar de cabeça pra dentro, abraçar em vez de sucumbir.
“Eu sei coisas agora”, ela disse. “Qualquer coisa que elas querem que eu saiba, elas me fazem entender. Elas estão no meu cérebro. Os túneis delas vão até o fim, e enquanto elas entram e saem elas liberam feromônios e químicos; é o jeito delas de falar entre si, e comigo. É assim que eu sei o que elas estão fazendo. Elas queriam que eu soubesse que elas estavam aí.”
Eu mal conseguia olhar pra ela. Quanto mais ela falava, mais eu via os corpinhos minúsculos trabalhando dentro dela, roendo um labirinto de buracos pela carne dela.
“Por que elas iam querer que você soubesse sobre elas? Por que eu não sabia? Por que elas não me contaram?”
“Sua colônia achou que você ia tentar fazer alguma coisa contra si mesmo”, disse Deanna. “Tentar se livrar delas de alguma forma. Não teria funcionado, de qualquer jeito. Não do jeito que você ia querer.”
Os olhos dela se desviaram dos meus, e eu vi uma formiga cair de um cílio pro lábio superior dela, desaparecendo por baixo imediatamente.
“O que você tá dizendo?”, eu perguntei.
Tinha relutância na resposta de Deanna, uma verdade que ela não queria soltar.
“Agora que as formigas estão dentro de você elas estão... te mantendo vivo. Pensa bem. Se elas não estivessem aí, teria tanto dano deixado pra trás. Tantos túneis, buracos e ferimentos. Você morreria sem elas dentro de você; as secreções delas te mantêm saudável, seus órgãos funcionando. Seu cérebro. Elas estão te ajudando. A gente. Todo mundo que elas entram vai viver muito tempo. Não vão mais ficar doentes como antes, não depois que os corpos se ajustarem a abrigar as formigas. Você não vai mais precisar se preocupar com câncer.”
Deanna tentou me tocar de novo, os braços subindo em volta do meu pescoço. Eu bati a panturrilha na base do sofá quando me desviei.
“Eu não quero ser um formigueiro”, eu disse. “Eu não quero essas porras dessas coisas vivendo dentro de mim.”
“Mas elas têm que viver, agora”, Deanna protestou. “Têm que. Você e os caras do escritório foram os primeiros. Elas entraram em você sem você nem sentir. Sempre que você chega perto de outras pessoas algumas formigas saem correndo e vão pra cima delas; é assim que as novas colônias crescem. Daqui a pouco elas vão estar no mundo inteiro. Todo mundo vai ter a sua.”
Eu levantei a mão pra boca, segurando o ácido que sentia subindo do estômago.
“Por que você tá ok com isso? Quantos buracos elas comeram na sua cabeça?”
Tristeza tocou o rosto enlouquecido na minha frente.
“Eu tenho que estar ok com isso”, disse Deanna. “Já aconteceu. Tá acontecendo com todo mundo. Alguns vão saber. Outros não. Algumas pessoas vão lutar contra, e você lutou por tanto tempo, T. Tanto tempo. E por que você lutaria quando isso pode ser melhor pra gente?”
Ela veio na minha direção, e eu senti uma vontade súbita e violenta de empurrar ela pra longe, uma vontade que me assustou. Eu fiquei enjoado de mim mesmo, querendo colocar a mão na pessoa que eu mais amava. Se é que ela ainda era uma pessoa.
“Deanna”, eu disse. “Como eu sei que ainda é você falando comigo e não elas? Como eu posso saber que você ainda é você?”
Ela sorriu de novo, mas triste dessa vez.
“Você ainda é você”, ela disse. “Né?”
O pânico tomou conta de mim, dúvida, horror e um novo terror do futuro superando meu medo do câncer.
Eu comecei a esquentar.
“Eu preciso sair daqui”, eu me ouvi dizendo. “Não consigo ficar aqui com você. Eu preciso fazer alguma coisa.”
“Você não pode”, disse Deanna suavemente. “Não tem nada que você possa fazer. Eu sei que você entende. Você consegue sentir.”
Ela colocou a mão na minha bochecha, e eu senti as formigas debaixo da pele da palma dela se mexerem em resposta a mim. Senti as minhas se agitarem em resposta.
“Não me toca”, eu disse, e pulei pra trás contra a porta da frente, procurando a maçaneta desesperado. “Meu Deus. Meu Deus do céu.”
Dessa vez Deanna não se aproximou, só ficou me olhando do outro lado da sala.
“Então vai lá fora”, ela disse. “Vai ver como tá. Aí você decide o que fazer. Eu não vou te impedir.”
Eu vi alguma coisa nos olhos dela então, um medo e resignação totalmente humanos. Medo que eu me matasse, ou matasse ela, ou outras pessoas. Medo que eu deixasse ela sozinha com as formigas.
Não foi suficiente pra eu ficar.
Eu saí batendo a porta da casa, parando só pra vomitar seco na rua. Mesmo enquanto meu corpo sacudia com a força de uma náusea que as formigas não deixavam virar doença de verdade, eu sentia o caos ao meu redor. Tinha vozes gritando, discutindo, e o que eu achei serem gritos distantes, que por sanidade própria eu quis acreditar que eram só crianças brincando, com risadas mal ouvidas.
Mesmo assim eu me endireitei e comecei a andar pela rua, andei até encontrar a fonte daqueles gritos. Um homem na frente do número 62 estava espancando a filha adolescente até a morte com um martelo, a cabeça dela se debatendo derramando os miolos no gramado. Insetos corriam em ondas pretas oleosas do corpo moribundo, saindo do ferimento e debaixo das roupas. Ratos fugindo de um navio afundando.
Quando a garota morreu o homem foi atrás das formigas com o martelo também, batendo a cabeça da ferramenta de novo e de novo até cair de joelhos de exaustão e desespero. Os olhos vermelhos dele me seguiram enquanto eu atravessava pro outro lado da rua, mas ele deixou o martelo onde estava, coberto de massa cinzenta e insetos esmagados.
Tinha outros corpos mais adiante na rua, alguns abandonados pelos entes queridos, outros sendo arrastados pra dentro de casas ou carros, presumidamente pra serem escondidos ou descartados. Uma mulher com máscara médica branca estava borrifando inseticida na fachada inteira da casa dela; quando eu passei ela parou e virou o frasco pra si mesma, mantendo o dedo apertado mesmo enquanto gritava de dor.
Observando ela eu me perguntei se Deanna tinha enlouquecido de um jeito diferente, se eu tinha enlouquecido agora, do meu próprio jeito. Será que eu ainda tinha uma mente afinal, ou minhas memórias e emoções eram só regurgitações das formigas tentando manter meu corpo vivo ao redor delas?
O que elas iam comer agora que os túneis estavam construídos? Talvez elas dividissem o que eu comia, ou mandassem exploradoras pelos muitos buracos em mim pra buscar sustento de fora.
Talvez elas me comessem devagar, esperassem minhas células regenerarem e comessem de novo, os químicos que expeliam garantindo que se alimentassem da minha carne por todas as vidas delas.
Eu fiquei grato que elas talvez nunca me deixassem saber.
Eu continuei andando, então, e exatamente como Deanna tinha sugerido tinha gente carregando suas famílias rindo pros carros, levando sacolas de mercado pra dentro de casa, correndo, se encontrando na rua pra fofocar — normais, pelo menos por fora, sem nenhum conhecimento do que estava vivendo dentro deles. Mesmo assim, toda vez que eu parava pra olhar com atenção eu conseguia ver os insetos alienígenas se contorcendo debaixo da pele, movimentos que você só notaria se soubesse o que procurar.
Depois tinha aqueles que eu assumia que sabiam o que estava vivendo dentro deles, e tinham escolhido continuar sem se matar ou matar uns aos outros. Escolhendo viver aceitando o novo jeito sob invasão, aceitando que eram basicamente cadáveres vivos, manipulados por uma vida inteligente. Os rostos deles estavam tensos, os corpos se contorcendo em repulsa que não conseguiam suprimir nem pra manter as aparências.
Por fim tinha as pessoas como Deanna, calmamente cortando a grama ou exercitando os pets ou qualquer número de atividades cotidianas, presas na ilusão de que isso poderia ser um jeito melhor de viver. Uma relação de benefício mútuo em vez de uma infecção parasitária letal se fosse removida.
Eu não conseguia mais olhar pra elas. Não aguentava os olhos delas me seguindo, me reconhecendo pelo que eu era. Me lembrando disso.
Eu encontrei o caminho de volta pra casa, consciente a cada passo das formigas vivas dentro de mim. Quando entrei pela porta da frente de novo, Deanna saiu da cozinha, sacudindo água e espuma de sabão das mãos, tendo lavado a louça na pia. Era hilário de um jeito sombriamente cômico que ela ainda se sentisse compelida a fazer coisas domésticas, sabendo que não era mais uma pessoa, mas um vaso pra seres parasitários viverem, se alimentarem e se reproduzirem dentro.
Se tivéssemos nossos próprios filhos eles provavelmente nasceriam já infectados pelo útero dela, ou se adotássemos — uma menina, como Deanna sempre sonhou — tudo que ela teria que fazer era tocar na criança pra deixar ela igual a gente.
Ela faria isso porque amava. Ia querer que fôssemos uma família do jeito que pudéssemos.
“Terry”, disse Deanna. “Você decidiu o que vai fazer agora?”
Tinha medo nos olhos dela de novo, que eu imaginei que não era totalmente dela.
Mesmo assim, eu tive pena dela. Eu tinha começado isso, sendo um dos primeiros a ser infestado, a espalhar o que estava em mim pros outros.
Eu fiquei com Deanna naquela casa, fui trabalhar como sempre e assisti enquanto as formigas cresciam em número, atravessaram todos os países do mundo e governavam eles de dentro.
O que mais eu poderia ter feito?


0 comentários:
Postar um comentário