São exatamente quatro galões de termiticida industrial pra mascarar completamente o cheiro de um trato digestivo aberto. Eu descobri isso hoje à noite. Tô sentado na cabine da minha caminhonete de trabalho agora mesmo, cheirando a pinho químico e suor, só encarando o volante enquanto o motor ronca em marcha lenta.
Tenho 36 anos. Trabalho no controle de pragas no turno da noite pra esses complexos de apartamentos de luxo caríssimos e inflados no centro da cidade. Você não ia acreditar no quão porcos esses ricos são. Eles moram nesses apartamentos de três mil dólares por mês, mas deixam comida pra viagem apodrecendo em bancadas de mármore importado. Deixam os cachorros de raça pura mijarem no piso de madeira nobre.
Eles são parasitas. Sério, piores que as baratas que eu borrifo veneno. Não mato qualquer um. Sou um limpador. Só miro nos piores dos piores, aqueles que tratam tudo e todo mundo ao redor como um vaso sanitário.
Pega o Apartamento 412. Um babaca arrogante do ramo financeiro. Ele deixa sacos de lixo pingando no corredor pra estragar o carpete. Na semana passada, eu vi ele gritando com uma faxineira idosa porque ela desconectou o roteador dele sem querer. Ele era a praga perfeita. Precisava ser exterminado.
Eu tenho os crachás master. A gerência do condomínio dá pros técnicos da noite pra gente fazer os borrifamentos preventivos mensais obrigatórios nos apartamentos vazios ou onde o pessoal tá dormindo. Normalmente, meu método é impecável. Eu entro por volta das 3 da manhã. Coloco minha máscara respiratória, vou direto pro quarto deles, passo um zip tie industrial pesado no pescoço enquanto eles tão no sono REM profundo, e puxo. Bonito, limpo e acaba em dois minutos.
Aí eu só dobro o corpo e arrasto pra fora num dos meus bins amarelos de químicos com rodinhas. Os bins são herméticos e aguentam até cinquenta galões. Fiz isso quatro vezes esse ano. Ninguém olha duas vezes pro cara cansado de pragas carregando equipamento pra van no meio da noite. É um trabalho invisível.
Hoje à noite ia ser igualzinho. Eu entrei no 412 às 3:15 da manhã. O apê cheirava a cerveja velha e maconha. O cara tava dormindo de bruços num colchão caro sem lençol. A TV tava no mudo, passando uns highlights de esportes. Eu tava de luvas, sacos de lixo pesados prontos, e o zip tie mais grosso esticado entre as mãos. Entrei no quarto dele, completamente silencioso.
Mas o filho da puta idiota tinha um bong de vidro enorme bem no chão do lado da cama. Eu não vi na escuridão. Minha bota de trabalho pesada acertou a base e ele estourou contra o criado-mudo. Pareceu um acidente de carro naquele quarto quieto pra caralho.
Ele se sentou na hora, bem acordado, e me viu ali de pé no uniforme escuro e máscara respiratória. Eu pulei em cima dele com o zip tie, mas ele surtou e jogou uma luminária de latão pesada da mesinha de cabeceira direto na minha cara. Acertou meu osso zigomático — porra, dói pra cacete agora, tá inchando meu olho.
Ele gritou. Um grito de verdade, gutural, de pavor puro. Eu o derrubei no colchão e tive que usar as mãos nuas. Não deu pra ser cirúrgico ou limpo. Foi uma briga feia e desesperada. Ele se debatia, arranhava minha cara, chutava a parede de dry-wall com tanta força que rachou. Thump. Thump. Thump.
Finalmente prendi os braços dele com os joelhos, enfiei os polegares na traqueia e esmaguei com tudo que tinha. Pareceu pisar num galho seco. Ele engasgou e cuspiu, sangue espirrando na minha máscara, até finalmente amolecer.
Mas o barulho... porra, mano, o barulho foi catastrófico. Bem quando os braços dele caíram, ouvi batidas fortes e agressivas na porta da frente.
"Ei! Tá tudo bem aí dentro? Vou chamar a polícia!", gritou uma voz abafada do corredor.
Jesus Cristo. Meu estômago despencou de vez. Não deu pra usar o bin. Não deu pra limpar. Só peguei minha bolsa de ferramentas, saí correndo pela porta da varanda, e desci pela escada de incêndio de metal como um rato. Rasguei minha jaqueta num parafuso enferrujado na descida. Tô quase certo de que o cara do segundo andar tava olhando pela janela quando pulei no beco. Vi uma sombra se mexer atrás das persianas.
Agora tô estacionado a três milhas dali, atrás de um strip mall, tremendo, bebendo água morna. Será que aquele cara viu minha cara? Viu o logo da empresa nas minhas costas? Tenho que ir trabalhar amanhã como se nada tivesse acontecido pra não parecer suspeito. Fico checando o retrovisor, esperando luzes piscando.
Ele arranhou meu pescoço. Será que pegou meu DNA debaixo das unhas? Nem sei. Não paro de ranger os dentes.
Eu ferrei tudo dessa vez...


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