quinta-feira, 26 de março de 2026

Vespas

Eu odeio vespas. Elas me aterrorizam e, por algum motivo, parecem ter algum tipo de vendeta pessoal contra mim. Insetos no geral têm, pelo menos alguns tipos. Eu me esforço muito para ser gentil com os bichos, o melhor que eu consigo. Se eu vejo uma aranha, tento identificar qual é para poder espantá-la, colocar perto de uma janela ou pôr para fora. Se for venenosa demais, ou uma que eu não conheça, geralmente eu mato. Eu não *quero* matar nenhuma delas. Eu queria conseguir me comunicar com os insetos e dizer que eu não faria mal a eles se eles não fizessem mal a mim. Mas enfim, estou me desviando. Os insetos me odeiam. Eu geralmente mato vespas porque elas são agressivas. Eu não mato abelhas; eu gosto de abelhas e elas não têm nada contra mim, geralmente. Eu evito matar aranhas quando dá. Na verdade, eu até gosto de insetos. Uma parte de mim fica apavorada com eles, então eu tendo a evitar alguns tipos — mais frequentemente aqueles que pulam ou voam. Eu odeio quando coisas pulam ou voam na minha direção. Mas ainda assim eu evito machucá-las se eu puder. Enfim, eu amo insetos. A maioria deles também não parece se incomodar comigo. Eu até já passei um banho inteiro conversando com uma aranha venenosa na cortina. Eu tinha acabado de entrar, e era daquelas facilmente reconhecíveis como perigosas, mas eu não tinha como matá-la. Então a gente conversou.

Mas *vespas.* Elas me ODEIAM, e eu posso dizer com segurança que o sentimento é recíproco. Eu já fui picado tantas vezes na vida que perdi a conta. Eu sou tipo um mata-insetos ao contrário: eu tento evitá-las e elas chegam mais perto e me mordem, ou me picam, me deixam com coceira e dor. Enfim, já falei demais. Você já tem todo o contexto e a “história de fundo” de que precisa.

Ontem eu fiquei preso no meu quarto com uma vespa. É um quarto pequeno, então a gente ficou cara a cara. Eu nem sei de onde ela veio; não tem buracos nem frestas na minha parede ou no chão, e nenhuma janela estava aberta. Minha aposta é que foi um portalzinho direto do inferno. Eu estava rolando o feed no celular quando ouvi o som. Aquele zumbido *infernal* que me dá um arrepio na coluna toda vez que eu ouço. Eu tenho fobia de vespas, caso você ainda não tenha percebido.

Ela estava perto da porta e ficava dando rasantes no teto e mergulhando na minha direção, como um caça minúsculo e maligno de inseto. Eu só fiquei sentado ali. Eu estava paralisado. Em alguns momentos, ela pousou no teto e eu achei que dava para eu escapar, mas então ela voava para baixo de novo. Tem uma janela perto da minha porta, e por fim ela pousou ali. Eu fiquei sentado e decidi que ia levar uns minutos para juntar coragem e então fugir, provavelmente para pegar uma arma e esmagar aquela pixiezinha satânica. Eu mantive os olhos nela enquanto criava coragem. Ela estava olhando para fora pela janela, com uma perninha apoiada no vidro. Era como se ela estivesse… ansiando, ou algo assim. Como se estivesse encarando a janela com saudade. Sentindo falta de alguma coisa.

E foi nesses momentos que eu percebi como as vespas são bonitas, quando você olha de verdade. Aterrorizantes, mas de um jeito belo. Como uma fada feita de sangue. Quando eu vi, eu tinha começado a falar sem parar com a vespa. No começo eram só coisas simples, aquelas coisas que você diz para um bicho assustador. “Eu só tô aqui na minha”, “fica aí em cima, amiga”, “não tem nada para ver aqui”, esse tipo de coisa. Mas, conforme foi passando, eu comecei a desabafar alguns dos meus problemas com o bicho. Reclamações pequenas sobre trabalho, amigos, coisas assim.

Para ser sincero, eu tinha ido dormir tarde na noite anterior. Eu estava cansado naquele dia, então, enquanto eu ficava resmungando para o inseto, comecei a cochilar um pouco. Eu e a vespa tínhamos formado uma espécie de trégua, eu acho. Eu tinha decidido evitar matá-la se fosse possível, e acho que ela sabia disso. Ela percebeu que eu não era uma ameaça. Quando eu pensei nisso, eu até me senti um pouco culpado. Como se aquela vespa nunca tivesse conhecido gentileza na vida, e eu estivesse tratando ela com a mesma crueldade. Ela não tinha feito nada comigo. Então eu peguei uma garrafa de água meio vazia que estava ao lado da minha cama, enchi a tampinha com água e, depois, peguei alguns pedacinhos de comida do pote do meu gato e coloquei na beirada do peitoril da janela. Eu não sei se é isso que vespas comem ou bebem, mas a intenção é o que vale.

Na próxima coisa que eu lembro, eu estava dormindo. Foi estranho: eu sonhei, mas não lembro com o quê. Tudo o que eu lembro é uma cócega na minha orelha e um zumbido ao fundo do sonho que eu estava tendo. Mas eu dormi bem o suficiente. Quando eu acordei, a vespa tinha sumido. Eu quase me senti… triste. Como se eu tivesse perdido um amigo. Para falar a verdade, eu não tenho muitos.

Agora é hoje, e eu não sei por que eu escrevi isso. Eu sinto falta da vespa. Eu estou com um problema estranho e queria contar para ela. Eu estava mais ou menos bem quando acordei, mas, conforme o dia foi passando, eu desenvolvi uma dor de cabeça horrível. E eu ainda consigo ouvir aquele zumbido. É como se alguma coisa estivesse batendo dentro da minha cabeça. E toda vez que eu me mexo, tem essa cócega lá dentro, como bolinhas de gude minúsculas rolando.

Pode ser só que eles não estejam encaixando direito, mas tem uma pressão na minha orelha, encostando no meu fone de ouvido. Como se alguma coisa estivesse tentando escapar, mas não conseguisse sair. A sensação passou agora há pouco, mas agora tem uma pressão atrás do meu olho. É horrível, parece que ele pode simplesmente saltar para fora a qualquer segundo agora…

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