sexta-feira, 13 de março de 2026

Eu Não Tinha Intenção de Destruir a Coisa Mais Preciosa do Mundo Pra Mim

Eu encostei a cabeça na parede da sala de emergência do nosso hospital local, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. E não era só por causa da dor. O inchaço e a erupção cutânea já tinham diminuído depois de várias injeções de anti-histamínico e outros medicamentos anti-alérgicos, mas meu coração estava se despedaçando pela minha pobre e querida Elvera.

Eu não queria. Não consigo acreditar que matei a coisa mais preciosa do mundo pra mim.

Olhei pra mim mesmo na câmera frontal do celular. Ainda parecia gravemente doente. A polícia tinha me interrogado, mas não havia nada além de uma aranha esmagada e ensanguentada no meu quarto, e eles tiveram que me soltar. Disseram que iam procurar a Elvera enquanto ajudavam os paramédicos a me tirar dali. Eu ouvi eles comentando “surto psicótico” e “paranoico” com a recepção da emergência.

Aquele dia tinha sido igual a quase todos os outros dias que eu passava com a Elvera. Estávamos na cama e era a “vez” dela. Passei os dedos pela pele dela, brilhante e sedosa, sentindo como era macia e adorável sob minhas mãos.

E então, tentei reprimir o tremor familiar quando os membros dela se alongaram, ela ganhou mais quatro patas, cerdas brotaram da pele lisa, a cabeça cresceu e os olhos se multiplicaram. Eu rolei pra longe dela.

Uma aranha do tamanho de uma bola de praia ficou tremendo na cama, no lugar onde a Elvera, um segundo antes, estava se contorcendo e gemendo de prazer. A transformação foi muito rápida.

E, por sorte, durava só alguns minutos. Tentei controlar minha expressão e meu corpo pra ela não ver o medo, que nunca tinha diminuído nem um pouco em todos esses meses.

Eu odiava e temia aranhas desde criança, mas isso nunca tinha aparecido nos primeiros dias do nosso relacionamento.

Mais ou menos três semanas depois do que tinha sido o melhor relacionamento da minha vida até então, a Elvera decidiu que confiava em mim e me contou o motivo de nunca ter deixado eu fazê-la gozar.

“Eu viro uma aranha”, ela murmurou.

Eu congelei. Soube imediatamente que ela não estava brincando nem louca, só contando a verdade nua e crua.

“Ninguém mais sabe. Eu nunca gozei com um parceiro antes.” Ela se aninhou em mim. “Tinha um espelho ao lado da minha cama quando eu era criança. Eu estava, sabe, experimentando, e aí aconteceu. Eu consegui ver a aranha no espelho.”

Eu não conseguia falar nada. Ela olhou pra cima, preocupação sombreando os lindos olhos verdes dela. “Você não se importa, né? Isso não muda nada… eu… eu te amo tanto… eu nunca contei pra ninguém… eu quero ficar com você de verdade, deixar você fazer tudo comigo…” Ela se pressionou contra mim, completamente nua, e meu coração derreteu mesmo enquanto eu ficava excitado. Eu a puxei pra perto e sussurrei: “Shhh, amor, tá tudo bem. Eu te amaria mesmo se você virasse uma minhoca, lembra?”

Ela riu e chorou ao mesmo tempo e então se abriu pra mim. Eu enfiei os dedos bem fundo dentro dela, e logo em seguida ela gozou.

Isso tinha sido seis meses atrás. Eu sempre soltava ela assim que começava a transformação, pra não sentir o corpo dela encolhendo e inchando, os membros crescendo e as cerdas. Ah, as cerdas.

Eu não conseguia me acostumar. Fui até a janela do quarto. Estava piorando. Porque agora o amor da Elvera tinha crescido, ela queria que eu a segurasse enquanto gozava, que eu a acariciasse enquanto ela estava na forma de aranha. Ela queria mais. Nunca disse em voz alta, mas eu sabia, pelo olhar de reprovação e desejo no rosto lindo dela quando voltava pra forma humana. E ela tinha começado a falar de casamento e compromisso.

Ela só ficava aranha por alguns minutos. E todo o resto era perfeito.

Um movimento chamou minha atenção — eu me virei. Ela estava vindo correndo na minha direção. Nunca tinha feito isso antes. Sem dizer uma palavra, entendendo minha aversão, ela sempre respeitava minha distância enquanto era aranha.

Mas agora ela estava se aproximando. Dei um passo pra trás, impulsivamente peguei minha pantufa e levantei.

A aranha grande pulou em mim e mordeu, injetando veneno no meu sangue. Eu gritei de agonia e então golpeei com a pantufa. A dor e o horror me deixando atordoado, a pantufa esmagou completamente a minha amada Elvera. Eu caí no chão uivando, num paroxismo de dor e luto.

Eu nunca mais vou amar de novo.

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.

Quem sou eu

Minha foto
Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon