quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Acho que minha cachorra está tentando me substituir

Eu, Sandra, e meu namorado, Chris, estávamos morando juntos há três anos e a vida já estava começando a ficar monótona. Quando o Chris estava fora, trabalhando, eu não tinha nada para fazer, então, cerca de um mês atrás, decidimos adotar um bichinho para apimentar as coisas. Fomos até o abrigo local para adotar um cachorro.

A maioria das pessoas que já foram a um abrigo de animais costuma dizer que sentiram uma conexão instantânea com algum bicho específico e que simplesmente sabiam que eles e o pet se dariam bem. Eu nunca senti essa conexão, mas meu namorado, por outro lado, se sentiu estranhamente atraído por uma pastor alemão dourada. Diferente dos outros, ela não latia sem motivo para a gente e, em vez disso, ficava encarando o meu namorado com olhos suaves.

— É ela — ele disse, com um sorriso. — Sandra, acho que devíamos ficar com ela!
Eu não me importava com qual cachorro a gente escolhesse, contanto que decidíssemos por um. Eu só estava super animada para ter um bichinho para amar e cuidar.

— Qual é a história dela? — perguntei para a tratadora.

— Ah, ela é uma docinha. O dono anterior enlouqueceu, ficou com ciúmes dela e a trouxe para cá.

Sabendo o que sei agora, o dono anterior dela estava certo e muito provavelmente não era louco coisa nenhuma. Ficamos no abrigo mais um tempinho para preencher a papelada e voltamos na semana seguinte para buscar a cachorra.

Decidimos dar o nome de "Luna". A Luna era uma cachorra muito doce, mas só quando o meu namorado estava por perto. Assim que ele saía para o trabalho, ela subitamente ficava agressiva comigo e fazia xixi em objetos meus aleatórios. Ela me encarava sem parar até o Chris voltar para casa e, se eu desse um único passo, ela rosnava para mim. Quando o Chris estava em casa, ela era um anjo. Passava a maior parte do tempo aninhada com ele. Talvez o dono anterior dela tenha maltratado ela e a deixado com medo de mulheres, pensei.

As coisas começaram a ficar estranhas quase duas semanas atrás, quando eu comecei a ter sonhos extremamente vívidos em noites alternadas. Eu sonhava que era uma cachorra e vivia de forma bem feliz, me importando apenas com comida e com ser amada pelos meus donos. A vida de cachorra era simples, e os meus pensamentos também. Isso durava o que pareciam horas antes de eu acordar. Toda vez que eu despertava, a Luna estava na beirada da cama, me encarando com olhos escuros e frios.

Eu não achei que esses sonhos fossem nada alarmante, porque é normal que a gente tenha sonhos estranhos depois de uma decisão tão grande na vida.

Hoje de manhã, eu tive um pesadelo. O Chris saiu para o trabalho e, como de costume, a Luna fez xixi nos meus sapatos. Eu peguei uma toalha e comecei a limpar os sapatos quando, de repente, fiquei extremamente sonolenta. Larguei a toalha e fui me sentar no sofá, caso eu fosse desmaiar. Apaguei rápido e fui mergulhada imediatamente em um pesadelo.

Eu era uma cachorra de novo, mas dessa vez eu era a Luna. Na hora, eu sabia que estava sonhando e tentei sair daquilo. Já tive sonhos lúcidos antes, mas esse não era um deles. Eu estava em pânico, mas tudo o que eu conseguia fazer era latir ou gemer. Olhei para a minha direita e notei a toalha no chão, onde eu a tinha largado. Olhei na direção do sofá e vi o meu eu humano de verdade deitado exatamente como eu tinha feito segundos atrás. Comecei a latir sem parar para chamar a atenção dela. Eu assisti horrorizada enquanto ela virava a cabeça na minha direção e abria os olhos. Ela sorriu, com a boca se esticando de um jeito largo e não natural para um ser humano.

— Você foi uma cachorrinha malvada — ela disse, de forma condescendente. Ela se levantou do sofá com um movimento rápido e brusco e começou a andar em minha direção como uma criança que acabou de aprender a andar. Eu acordei instantaneamente do pesadelo e, com certeza, eu estava em pé exatamente na posição em que me vi, pairando sobre a Luna.

Eu sou sã o bastante para saber que o Chris não vai acreditar em mim, então eu vou levar a Luna de volta ao abrigo antes que ele chegue em casa. Tenho medo de que, se eu não fizer isso agora, ela vai me substituir.

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Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon