Eu sou um garoto normal do norte de Minnesota. Aqui em cima é bem tranquilo, na real. Mas eu moro na margem do Lago Superior, então o turismo é super normal. Tem uns idiotas por aí, mas isso provavelmente é o único problema de verdade que eu enfrento. Normalmente eu não sou o tipo de cara que posta ou fica falando sobre histórias assustadoras, assombradas ou lendas urbanas. Porém, hoje mesmo eu vi uma coisa tão perturbadora e estranha que tá me deixando genuinamente preocupado com o lugar onde eu moro.
Isso não é história inventada. É tudo real pra caralho, e é exatamente isso que torna tudo pior. Eu me sinto louco só de falar sobre isso, mas tá me incomodando tanto que eu precisava botar esses pensamentos em algum lugar. Tudo começou no sábado de manhã. Meu pai e eu estávamos nos preparando pra ir pescar um pouco ao norte da rodovia 61. Entre as cidades de Two Harbors e Duluth fica Knife River. É um vilarejo pequeno, com um restaurante antigo fechado, uma loja de doces e um defumador de peixes pescados no lago (os dois são grandes atrações turísticas), além de uma marina pra quem mora por perto. Chegamos no lago por volta das 14h e planejávamos pegar o movimento da tarde/noite pra tentar uns walleyes, mas só conseguimos uns percas miúdos e um walleye minúsculo (literalmente uns 12 cm). Não foi um dia ruim, só tranquilo e divertido. Saímos do lago, pegamos a Fox Farm Road, que ainda fica um pouco ao norte de Knife River.
Viramos da Fox Farm pra Knife River Road, que fica logo ao norte do vilarejo de Knife River e da rodovia 61. Deviam ser umas 19h30. Só eu e meu pai no carro, conversando sobre qualquer coisa que vinha na cabeça, sabe como é. Foi aí que as coisas tomaram um rumo perturbador e esquisito pra caralho. Estávamos descendo a Knife Road, no meio de uma conversa, quando meu pai avistou alguma coisa bem na vala ao lado da estrada. Alta, muito alta, ele disse que uns 3,6 metros, tão alta quanto o carro do chão até o teto, mesmo estando numa valeta de uns 1,2 metro de profundidade na lateral da estrada. Eu não vi ela parada ali do lado da estrada, porque estava no meio da conversa. Mas o que eu vi foi a criatura cair de quatro e começar a correr na direção do carro, bem na estrada. E ele não estava mentindo. Eu tive uma visão clara, que tá queimada na minha cabeça há umas 8 horas, e não passou um minuto sem eu pensar nisso. Era comprida, de quatro, correndo de um jeito muito estranho, quase como um cachorro. As duas patas da frente impulsionando pra frente, bem juntas, e as de trás em sincronia também, pra dar estabilidade e propulsão. Era branca. Pelagem espessa no corpo principal, e quase pele lisa nas extremidades daqueles membros esquisitos. O que era ainda mais preocupante é que ela não estava atravessando a estrada como um cervo faria. Ela cortou em ângulo. Como se quisesse ser atropelada. Essa foi a parte mais bizarra e assustadora. E quase aconteceu. Ficou literalmente a uns 1,5 ou 1,8 metro do carro antes de sumir da nossa vista.
No primeiro momento eu fiquei confuso. Virei pra olhar pelo retrovisor e soltei em voz alta: “Que porra foi essa?”. Repeti isso mais umas vezes. Fui tomado por uma onda gigante de curiosidade, mas com um toque de medo também. Achei que estava enlouquecendo. Vendo coisas. Não falei nada sobre o que eu tinha visto. Até que, poucos segundos depois, meu pai começou a falar sobre isso também. Foi a prova que eu precisava pra saber que não estava ficando louco. Ele descreveu a coisa com detalhes quase idênticos ao que eu vi. Fiquei muito confuso. Era absurdamente estranho, ainda mais numa hora tão esquisita do dia. Você pensaria que veria algo assim mais tarde, de noite. Mas não, às 19h30. Mil pensamentos passaram pela nossa cabeça. Tentando usar lógica pra entender o que tínhamos visto. O que, de novo, só confirmava que eu não estava pirando. “Não pode ser um urso. É janeiro, eles estão hibernando”. “Não é lobo, era branco puro, sem nenhuma outra cor”. Pensamos em todos os animais de porte médio a grande que conhecíamos, tentando juntar as peças do que formava aquela coisa profana. Mesmo assim, continuamos dirigindo normalmente, com só uns poucos minutos até chegar em casa.
A gente ainda ficou tentando dar sentido àquilo. Ele disse que foi quem viu ela parada na vala. Alta, desengonçada, com olhos pretos e miúdos. E a parte mais assustadora, segundo ele (eu pessoalmente não vi isso, mas depois da precisão com que ele descreveu tudo quando perguntei se ele também tinha visto, eu acredito que não estava inventando), foi que ela tinha mãos parecidas com mãos humanas. Não patas, não cascos, nada disso. Mãos. Absolutamente aterrorizante. Até agora a gente não faz a menor ideia do que era, e eu não tenho nada na cabeça que explique como ela se movia, como era a aparência ou por que parecia daquele jeito.
Aqui estou eu deitado na cama. 2h30 da manhã, sem conseguir dormir. Como eu disse, cada pedaço dessa história é completamente real. Nada foi inventado pela minha cabeça, e tudo aconteceu na mesma sequência que eu contei. Se você não acredita em mim, foda-se. Eu sei o que vi, sei que não estou louco. Eu nem presto atenção nessas coisas de criaturas criptidas ou qualquer merda do tipo. Mas hoje foi diferente. Pode apostar que eu não vou entrar na mata por um tempo depois do que aconteceu. Se você souber de qualquer coisa, por favor me conta.
Mas não espero que saiba.


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