Nossos estômagos doíam de fome, e nossas mentes afundavam em pensamentos de desespero. Mas nenhum de nós estava disposto a dizer em voz alta que toda esperança tinha se perdido. Estávamos perdidos, sim, mas ainda nos agarrávamos exteriormente a algum tipo de otimismo.
Essa não era a trilha que esperávamos, mas essa realidade sombria e terrível era nossa agora. Bolhas cobriam nossos pés, fazendo cada passo parecer um abraço de agulhas quentes na carne sensível. Nossas bocas estavam tão secas de sede que doía engolir.
Tudo o que queríamos era caminhar até um buraco de natação inesquecível para um mergulho refrescante e um momento memorável. Uma jornada divertida e empolgante entre melhores amigos.
Nas noites anteriores, tínhamos conhecido um companheiro de viagem que compartilhava nosso gosto por bebidas baratas em um pub sem pretensões perto do hostel. Foi ele quem nos contou sobre esse oásis idílico. Ele disse que o buraco de natação valia cada gota de esforço e determinação para chegar lá, e que, ao chegarmos, seríamos recompensados da forma mais generosa possível. O jeito como ele pregava sobre o buraco de natação, como se a jornada fosse a peça que faltava no quebra-cabeça que ele procurava há anos na vida, não nos deixou com dúvidas nem perguntas. Precisávamos viver isso na pele. Afinal, nossa viagem era para comemorar novos capítulos na vida. Parecia tão destino. Agora, estávamos bem no meio da caminhada dos infernos. Em certo momento, discutimos quantos dias fazíamos que estávamos perdidos. Não tínhamos certeza.
Já tarde da nossa última noite perdidos, chegamos a um mirante rochoso. Usando nossas lanternas de cabeça, olhamos ao redor, torcendo para ver algo — qualquer coisa — que nos desse um motivo para alegria. Sam começou a rir. Ele não conseguia acreditar. Havíamos chegado ao buraco de natação clandestino. Nós realmente conseguimos! Meg olhou para o céu noturno e agradeceu a Deus. Encontramos água! Abaixo de nós, víamos a piscina profunda, as lanternas refletindo na superfície da água.
Eu estava tão cansado naquele ponto. Tentei com força focar os olhos na cena à minha frente. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sam e Meg pularam do penhasco para dentro da água, um logo depois do outro.
Eu desabei no chão de exaustão. Uma náusea tomou conta. Fiquei ouvindo os sons dos meus amigos chapinhando lá embaixo. Tudo o que ouvia era silêncio. De repente, me lembrei de uma história que ouvi sobre um grupo perdido no mar. Depois de alguns dias, todos começaram a enlouquecer e alucinar barcos de resgate. Alguns dos homens pularam na água para saudar seus heróis salvadores e nunca mais foram vistos. O único sobrevivente foi o que ficou no barco avariado, esperando ajuda.
Respirei fundo e tentei me recompor. Achei que conseguia distinguir sons de risadas. Ou seria o vento? Não, eu ouvia risadas. Risadas alegres. Tinha certeza de que ouvia Sam e Meg chamando meu nome. Senti alívio e esperança pela primeira vez em dias. Justo quando eu me preparava para pular e me juntar aos meus amigos aliviados, para também sentir as águas calmas envolverem meu corpo dolorido e exausto, não consegui reunir força para me levantar por completo. Eu estava tonto demais e fraco. E a escuridão ficava cada vez mais vertiginosa. Tão vertiginosa. Uma sensação de enjoo de movimento me balançava até o fundo da alma. Era tudo tão avassalador. Tudo o que consegui fazer foi me encolher em posição fetal e me lembrar de respirar. Só respirar. Tudo vai ficar bem. Você está seguro agora. Só respirar.
Tudo o que me lembro depois disso foi acordar com o sol quente no rosto e olhar por cima da beira do penhasco para ver os corpos dobrados e quebrados dos meus amigos onde águas acolhedoras não existiam de jeito nenhum.
Não vou entediá-lo com os detalhes do meu resgate. Para ser honesto, não me lembro muito dessa parte da história. Disseram que eu estava em choque e gravemente desidratado. O hostel havia chamado a polícia local depois que não voltamos para pegar nossas coisas. Uma equipe de busca e resgate achou que tínhamos saído para encontrar o famoso e misterioso buraco de natação e imaginaram que nos encontrariam no lado norte do interior selvagem. Ficaram surpresos ao nos achar na direção completamente oposta.
Como eu estava na direção oposta do buraco de natação se tínhamos certeza de que seguimos as instruções que nos deram, até usando a bússola dos celulares antes das baterias morrerem? Será que todos nós entendemos errado as direções? Era algum tipo de brincadeira? O viajante se confundiu e disse sul quando queria dizer norte? O próprio viajante algum dia encontrou mesmo o buraco de natação como ele jurou? No fundo do meu estômago, não conseguia afastar a sensação de que fomos, de alguma forma, parte de um plano mais sinistro.
Tudo o que sei com certeza é que me arrependo profundamente de cada decisão que nos levou a procurar aquele poço perigoso.
Se você algum dia estiver viajando e um companheiro de aventura no bar falar com entusiasmo sobre um buraco de natação inacreditável, um paraíso que muda a vida se você conseguir encontrá-lo, eu imploro... não se deixe tentar por esse estranho. Não vá atrás dessa utopia aquática. Sua vida pode depender disso.


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