terça-feira, 4 de agosto de 2026

Uma Noite de Verão

Minha cidade natal está escondida nas montanhas, uma pequena aldeia adormecida cercada por colinas ondulantes. Logo fora da aldeia, há um pequeno rio, e todo verão ele se transforma em um parque de diversões para as crianças locais.

Eu costumava voltar e ficar alguns dias a cada verão, apenas para escapar do calor incessante da cidade. Lá não havia muito o que fazer, então eu pescava. Para fugir do sol escaldante, geralmente ia à noite com uma lanterna. E numa dessas noites, algo aconteceu que jamais esquecerei.

Naquela tarde, decidi tentar um lugar diferente, esperando um peixe melhor. Segui o rio mais rio acima do que o habitual e encontrei uma poça profunda e escura que nunca tinha notado antes. Pus a isca no anzol e arremessei. Não demorou muito até que a ponta da vara dobrasse fortemente, e senti uma pesada pressão vinda de baixo. De jeito nenhum era um peixe — nada naquele rio pequeno poderia resistir a uma luta assim. Puxei com força a vara, mas aquilo lá embaixo não se movia.

Preso no fundo, pensei. Então tirei os sapatos, subi as calças e entrei na água para soltar o anzol. A água estava fria, pouco acima dos meus tornozelos. Sigo a linha tensa com os dedos até tocar algo.

Era úmido. Macio. Dava sob meus dedos de uma forma que arrepiava minha pele. Depois cheirou — forte e podre, como algo que estivera mergulhado naquela água há muito, muito tempo, inchado e apodrecendo. Meu estômago revirou. Pensei que algum fazendeiro devia ter jogado um porco morto ou um saco de galinhas afogadas rio acima.

Quase sem pensar, direcionei minha lanterna para baixo na água.

O feixe pálido cortou a escuridão, e lá estava: um braço humano inchar, flutuando logo abaixo da superfície. A pele na parte de trás da mão estava encharcada e enrugada, os dedos levemente curvados. Meu anzol estava preso na roupa de uma manga. O resto do braço desaparecia nas profundezas negras, onde eu não conseguia ver nada.

Um zumbido agudo encheu minha cabeça. Era como se alguém tivesse derramado um balde de água gelada direto pela minha espinha. Minha mão ficou mole. A lanterna escorregou entre meus dedos e caiu no rio com um pequeno e repugnante *glup*. A luz se apagou.

Escuridão absoluta me engoliu inteiramente.

Era uma escuridão do tipo que te comprime, densa e sufocante. Eu não conseguia ver nada, mas sabia que aquele braço estava a menos de um pé de distância de mim. O único som era meu próprio coração batendo nos meus ouvidos. Por um segundo congelado, quase jurei ter sentido algo roçar meu tornozelo debaixo d'água, como se um rosto inchado estivesse flutuando a poucos centímetros da superfície, olhando para mim em silêncio.

Depois, perdi a cabeça. Girei e lancei-me em direção à margem, descalço e espalhafatoso como um louco. Meu joelho bateu contra uma pedra submersa, e a dor pareceu distante, abafada — mal a registrei. Arrastei-me para terra firme e corri. Galhos chicotearam meus braços e rosto. Pedras afiadas cortavam as plantas dos pés a cada passo, mas não diminuí o ritmo. Não conseguia afastar a sensação de que algo ainda estava ali, na escuridão, me observando da beira da água.

Finalmente, tropecei na poça de luz amarela sob o único poste de rua na extremidade da aldeia. Curvei-me, ofegando, tremendo tanto que mal conseguia me manter em pé. Meus braços e pernas estavam cobertos de cortes, e havia uma ferida profunda na sola do pé, coberta de barro e sangue.

Arrastei-me para casa, abatido e encharcado. Foi então que minha família me contou: alguns dias antes, um garoto havia se afogado na aldeia seguinte rio acima. Os pais tinham procurado pelo rio durante dias. Ainda não tinham encontrado o corpo.

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Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon