quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O Pesadelo do Meu Filho Está Virando Realidade, e Acho que Acabei de Ouvir a Voz da Minha Mulher no Corredor

Aquela noite foi a primeira vez que eu o encarei. Minha esposa estava no trabalho, e meu filho dormia no quarto dele. Eu acordei por volta das duas da manhã para ir ao banheiro e segui pelo corredor.

— Caralho! As palavras escaparam sem querer quando vi a silhueta de uma criança parada no corredor escuro. Era o Danil, meu filho de seis anos. Ele estava imóvel, balançando levemente.

— Danil, o que você está fazendo aqui? — perguntei. O silêncio foi minha única resposta. Cheguei perto e olhei bem para o rosto dele. Seus olhos estavam arregalados, fixos em um ponto no escuro.

Sonambulismo, percebi. Já tinha acontecido há cerca de um ano, embora eu não tivesse visto com meus próprios olhos naquela época; eu só o tinha encontrado dormindo na mesa da cozinha. Agora, ali estava ele.

Peguei-o suavemente pelos ombros e o guiava em direção à cama. Não se deve acordar alguém de repente quando está naquele estado.

— Debaixo da cama — ele murmurou, ainda em transe.

— Você vai dormir na cama, Danil. Não debaixo — falei baixinho, sabendo que ele não conseguia me ouvir direito.

— Tem alguém debaixo da cama — ele resmungou. Um instante depois, ouvi um farfalhar fraco vindo do meu próprio quarto.

Coincidência. Só uma coincidência, tentei me convencer, tentando abafar o medinho que começava a subir no peito. Deitei o Danil na cama e escutei. O barulho tinha parado.

Voltei sorrateiro para o meu quarto, não vi nada e fiquei atento. Silêncio total. Acendi a luz e chequei debaixo da cama, depois escaneei o resto do quarto. Não achei nada, então atribuí à minha imaginação e voltei a dormir.

Apesar de tudo aquilo, o sono veio rápido. Mas depois de um tempo, um barulho estranho perto de mim me acordou de sobressalto. Na névoa do meio-sono, ouvi a voz do meu filho:

— Pai, olha aqui!

Abri os olhos de repente. O guarda-roupa estava escancarado, e roupas espalhadas por todo o quarto. Esfreguei os olhos, tentando entender a bagunça. O Danil deve ter andado dormindo de novo e destruído tudo, pensei.

— Pai — a voz dele chamou do corredor, seguida de uma risadinha.

Sentei na cama e vi a silhueta do Danil na porta escura. De repente, ele disparou em direção à cozinha, rindo alto.

Será que ele está fazendo isso dormindo?

Um peso de pavor se instalou no meu peito enquanto eu o seguia. Meus dedos encontraram o interruptor, e a cozinha se iluminou. Vazia.

Fiquei ali, coçando a cabeça, confuso. Enquanto minha mente tentava entender onde ele poderia ter ido, uma risada ecoou de cima.

Lá, bem no teto acima de mim, estava o meu filho. Ele sorria para mim, brincalhão.

— Você me achou — disse ele.

Paralisado de terror, o observei sorrir. Alguns segundos depois, a voz dele mudou para um tom de excitação alegre:

— Agora é a sua vez de se esconder. Vou contar até dez e sair para te procurar.

Um brilho de loucura maníaca acendeu nos olhos arregalados dele. Sem fôlego de expectativa, ele sibilou:

— Mas eu vou te achar.

Saí correndo. Fui para o quarto do Danil o mais rápido que minhas pernas aguentaram. Nem sei por que escolhi aquele quarto. Bati a porta com força e só então olhei para a cama. Lá estava o Danil, ronco suave, dormindo profundamente.

Totalmente confuso, sentei na beirada da cama, minha mente a mil. Logo, um grito triunfante e alto ecoou da cozinha, seguido de risadas:

— Pega-pega, já vou!

Depois vieram os passos. Eles se aproximaram do quarto com uma velocidade inacreditável. Um segundo depois, pararam bem na frente da porta. Ouvi uma risadinha infantil brincalhona.

Consumido pelo terror, comecei a me arrastar para trás na cama, o que perturbou o Danil dormindo. No momento em que ele começou a acordar, as risadas no corredor cortaram, seguidas do baque surdo de um corpo caindo no chão.

— Pai, eu tive um pesadelo assustador — meu filho disse, agarrando meu braço com as mãos trêmulas.

— O que... que tipo de pesadelo? — Eu estava tão apavorado quanto ele, mas tentei me manter calmo por causa dele.

— Sonhei que ele estava te perseguindo! — Danil disse, horrorizado.

— Quem é "ele"? — perguntei, completamente perdido.

Aquele Que Se Faz de Humano! — Lágrimas brotaram nos olhos do meu filho. — Eu sonhei que ele brincava de esconde-esconde com você, e você não conseguia achá-lo. Mas aí você o achou no teto da cozinha, e aí foi a vez dele de te procurar. E você ficou com medo e correu pra cá.

— Isso... — Tentei superar meu próprio medo. — Isso foi só um sonho.

Aquele Que Se Faz de Humano queria te machucar! — Danil soluçou. — Lembra que eu te falei que uma vez sonhei que ele brincava com o nosso vizinho?

Era quase impossível impedir minhas mãos de tremerem. Lembrei que, um mês antes, nosso vizinho tinha sido encontrado morto no apartamento dele. O laudo oficial disse que ele tinha escorregado e tido uma "queda infeliz"... infeliz o suficiente para ser a última.

— Não se preocupe — falei para o meu filho, deitando ao lado dele. — Foi só um pesadelo ruim. Quer que eu durma aqui com você hoje?

— Quero — ele enxugou as lágrimas e se agarrou a mim com força.

Eu também estou com tanto medo quanto você, Danil, pensei. Porque eu acabei de viver tudo o que você descreveu...

Na época, eu não entendia direito o que tudo aquilo significava. Mas depois, formei uma hipótese maluca que, infelizmente, acabou sendo verdadeira.

No momento em que eu tinha acordado o Danil sem querer naquela noite, a criatura atrás da porta tinha se esvaído, desmoronado e desaparecido. De manhã, só encontrei as roupas espalhadas pelo meu quarto.

Não acontecia com frequência, mas toda vez era um pesadelo. Por alguma razão desconhecida, apenas os sonhos mais aterrorizantes do meu filho se tornavam parte da nossa realidade. E embora os monstros desaparecessem no momento em que ele acordava, as consequências que deixavam para trás permaneciam. Nós chamávamos essas entidades de Pesadelos.

Os Pesadelos variavam. Alguns eram coisas relativamente inofensivas que só serviam para assustar; outros eram predadores agressivos e perigosos, com força e velocidade imensas.

Aquele Que Se Faz de Humano, o que eu conheci naquela primeira noite, é um dos piores. Você não percebe de imediato que não está falando com seu filho ou sua esposa, mas com um monstro. É assustador, principalmente quando você percebe que a coisa poderia facilmente te despedaçar se quisesse.

Depois da visita de um Pesadelo, muitas vezes tínhamos que comprar móveis novos ou roupas e fazer uma faxina profunda no apartamento.

Tivemos que trocar toda a fiação duas vezes por causa de Aquele Que Vem das Cinzas. Quando ele aparece, todas as lâmpadas do cômodo explodem, e os fios elétricos queimam completamente. Tudo o que ele toca vira carvão e cinzas. Seus olhos flamejantes escaneiam o ambiente com avidez, procurando as coisas mais fáceis para incendiar.

Às vezes, a primeira impressão sobre um Pesadelo pode estar errada. Uma vez, encontrei marcas no papel de parede: impressões de mãos e o contorno de um rosto, como se alguém tivesse se encostado na parede por dentro. Danil disse que era Aquele Que Se Esconde nas Paredes inspecionando o quarto. Pensando que a criatura só nos observava em segurança atrás do gesso, achei que não fosse uma ameaça.

Mudei de ideia quando, uma noite, uma mão saiu da parede e agarrou meu antebraço. Era uma pegada mortal que apertava a cada segundo, até que ouvi um estalo e senti uma dor agonizante. Meus gritos acordaram o Danil, e tudo o que restou do monstro foi um pedaço inchado e rasgado de papel de parede.

As pessoas provavelmente pensam que, em situações assim, o exército ou cientistas aparecem e levam o "sujeito" para experimentos. Mas, na realidade, ninguém ligava. A maioria achava que eram delírios de um louco... mesmo com os pulsos eletromagnéticos massivos, a fiação queimada e as paredes literalmente retorcidas.

Tentamos fazer algo a respeito, mas nada funcionava. Quando perguntei ao Danil de onde ele tirava os nomes daquelas coisas, ele disse que simplesmente sabia como chamá-las no momento em que as via nos sonhos.

Os Pesadelos pioravam a cada vez, e um dia, o impensável aconteceu.

Cheguei tarde do trabalho depois de um turno brutal. Minha esposa não estava em casa, e meu filho estava no quarto dele, encolhido debaixo do cobertor.

— Ei, Danil — falei, colocando a mão no ombro dele. 

— O que foi?

— Ele veio — meu filho respondeu, chorando.

— Quem? — Afastei o cobertor com cuidado. Danil olhou para mim, soluçando.

— Ele machucou a mamãe.

— O quê? — Medo e tristeza me atingiram na hora. — Onde ela está? O que aconteceu?

— Ela vai chegar logo.

— Ufa — senti um alívio. — Bom, quem foi que veio aqui? — perguntei, mais alto.

Shhh! — Danil acenou com as mãos, desesperado. — Eles vão nos ouvir.

— Quem vai nos ouvir? — Não entendi. Eles sempre desaparecem quando ele acorda, então qual é o problema?

— Amor, cheguei — uma voz familiar chamou do corredor. Levantei para ir até ela, mas Danil agarrou minha mão com uma força aterrorizante e sussurrou:

— Não vai lá fora! A gente tem que se esconder!

— Por quê? Você ainda não me disse quem veio ou o que aconteceu com a mamãe.

— Quem veio foi... — Danil engasgou quando passos soaram perto da porta. Pareciam de alguém que estava aprendendo a andar. Alguém se aproximava com pisadas desajeitadas, pesadas, arrastando os pés pelo carpete.

Aquele Que Ressuscita os Mortos — Danil terminou.

Ele gritou quando a porta foi arrombada com violência, e o cadáver da minha esposa apareceu na entrada.

Senti uma mão fria e podre se fechar em volta do meu pescoço, e o mundo ficou preto.

Acordei de repente, ofegando tão forte que meu peito ardia. Meu coração batia descontrolado nas costelas, e minha pele estava úmida de um suor frio e doentio. Por um longo momento, fiquei ali no escuro, agarrado ao edredom, esperando os passos desajeitados ecoarem no corredor ou a risada maníaca soar da cozinha.

Mas só havia silêncio. O som suave e rítmico da respiração vinha do meu lado. Virei a cabeça, os olhos ardendo de lágrimas de alívio puro e sem filtro. Minha esposa estava ali, dormindo profundamente, o rosto tranquilo na luz pálida da lua que filtrava pelas cortinas. Ela não era um cadáver frio; estava quente, viva e segura.

Saí da cama cambaleando, as pernas pesadas como chumbo, e fui até o quarto do Danil. Fiquei na porta, a respiração presa na garganta até vê-lo. Ele estava estirado na cama, ronco suave, um braço pendurado para fora. Não havia monstro no teto. Nenhuma sombra se mexia no canto do quarto.

Afundei no chão do corredor e enterrei o rosto nas mãos, esperando a tremedeira passar. Era só um sonho. Um truque cruel e vívido de uma mente exausta por plantões e pelas ansiedades profundas da paternidade. Fiquei ali por muito tempo, deixando a normalidade da casa silenciosa me envolver.

Finalmente, levantei para voltar para a cama. Mas, ao me virar, meu pé esbarrou em algo no carpete. Olhei para baixo, o coração pulando uma batida.

Bem ali, no meio do corredor, havia um único pedaço pequeno de papel de parede carbonizado. Estiquei a mão para tocá-lo, mas, quando meus dedos roçaram a cinza, parei.

Do quarto do Danil, ouvi-o murmurar uma frase no sono:

— Ele está contando até dez agora, pai.

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