Tudo começou algumas semanas atrás. Um cheiro estranho estava vindo da minha geladeira. Eu vasculhei ela inteira, procurando a causa da fedentina. Depois de alguns minutos procurando, encontrei uma caixa de tomates, coberta de mofo. Achei estranho, já que só tinha comprado os tomates alguns dias antes, mas não pensei muito nisso. Talvez fosse uma caixa estragada. Joguei eles fora, dei de ombros e esqueci do assunto.
Até que, na semana seguinte. Eu tinha comprado frutas e verduras frescas na noite anterior, mas quando acordei e saí do meu quarto, o mesmo cheiro da semana passada invadiu a minha cozinha. Abri a geladeira e fiquei chocado com a cena. Quase todas as frutas e verduras que eu tinha comprado — há menos de doze horas — estavam mofando, ou em algum outro estado de putrefação.
Tirei tudo de lá, despejei no lixo e levei o saco para fora, para jogar no quintal. Quando voltei, fiz uma limpeza profunda na geladeira inteira, garantindo que não ficasse nenhum resquício que pudesse fazer a comida apodrecer.
No começo, fiquei meio chocado, mas também preocupado. Depois de limpar a geladeira, decidi voltar ao mercado para reclamar da mercadoria. Claro, eles estavam vendendo comida já podre, era a única explicação lógica.
Quando cheguei no mercado, contei minha situação para a caixa. Ela me olhou com uma expressão cansada e me mandou falar com o gerente. Curiosamente, me disseram que nenhum outro cliente havia reclamado daquele problema. Recebi meu dinheiro de volta da compra, mais um vale-presente de cinquenta dólares pelo transtorno. Satisfeito o bastante, fui para casa e decidi tentar fazer compras em outro mercado.
Peguei o carro e dirigi até um grande supermercado na cidade vizinha. Fiz minhas compras de sempre, paguei e voltei dirigindo para casa.
Quando cheguei, verifiquei imediatamente se havia algum sinal de podridão ou mofo na comida, antes de usar parte dela para fazer uma salada. Algumas horas depois, apaguei de exaustão e dormi até de manhã.
Quando acordei, um cheiro estranho vinha da minha boca. Eu conseguia reconhecê-lo vagamente, mas não sabia dizer de onde. Desculpei como sendo bafo matinal e fui até o banheiro escovar os dentes e, com sorte, afastar aquele cheiro horrível. O rosto que vi no espelho me fez gritar de horror: parecia que um mofo preto, branco e esverdeado estava crescendo na minha cara. Corri para tentar lavar aquilo, mas fiquei ainda mais aterrorizado ao ver minha pele caindo em pedaços.
Meu primeiro pensamento foi correr para a cozinha. Eu precisava verificar a comida. Quando entrei na cozinha, um cheiro me atingiu feito um trem, e foi aí que percebi de onde eu reconhecia o cheiro da minha respiração. Era a podridão. Abri a geladeira, e toda a minha comida recém-comprada caiu para fora, em diferentes estágios de decomposição. Gritei de novo.
Enquanto escrevo isto, não tenho certeza se me resta muito tempo. O mofo está se espalhando.


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