quarta-feira, 13 de maio de 2026

Minha gata é só de dentro de casa agora

Enterrar o chihuahua da vizinha foi uma coisa, mas está ficando demais agora. Não me entenda mal, Nurgle é a gata mais doce do mundo inteiro em todos os outros aspectos.

Sempre que tenho meus amigos em casa ela ronrona e se esfrega neles e nunca morde. Ela e nossa gata tigrada geriátrica Magenta se davam muito bem antes do pobre coraçãozinho dela parar.

Até achei levemente fofo quando ela aparecia com uma tamia viva de vez em quando. Mas aí ela chegou em casa um dia com um corte enorme no flanco.

Coloquei ela na caixa de transporte e pus no banco do passageiro do meu Ford Fusion e parti para o veterinário. Ela não parecia muito machucada, mas o sulco profundo em seu flanco cinzento e peludo estava preto de sangue coagulado, e eu não precisava que ela pegasse uma infecção enorme no corpinho de três quilos dela.

A veterinária a recebeu imediatamente e examinou a ferida. Ela me disse que já estava bem crostada e deu a ela antibióticos e um cone para impedi-la de lamber a ferida, além de analgésicos.

Depois disso ela parecia mais ansiosa para sair, e começou a chegar em casa mais tarde do que o normal. Às vezes ela vinha arranhando a porta às duas da manhã com sangue por toda as patas e o focinho. Eu a dava banhos e depois ficava um pouco enjoado toda vez que ela fazia massagem em mim nos dias seguintes.

Ela começou a trazer animais mortos quase todos os dias. Às vezes eu acordava com uma dúzia de tâmias e esquilos desentranhados no meu quintal dos fundos e tinha que pegar um saco de lixo e arrancá-los da grama.

Eu tinha ficado complacente com a imensa quantidade de morte. Isso até eu encontrar um chihuahua brutalmente mutilado no meu quintal dos fundos, ainda guinchando por socorro.
Eu conhecia muito bem aquele cachorro.

Minha vizinha de meia-idade Cathleen levava seus dois chihuahuas para o quintal da frente quando saía para cuidar do jardim. Eles perseguiam os vizinhos da rua de trás e eu estava apenas esperando o dia em que um deles se atropelaria.

Senti pena da Cathleen, ela era uma mulher legal, mas eu sabia como seria se ela descobrisse que Nurgle tinha assassinado o cachorrinho fofo dela. Então fui ao galpão, peguei uma pá, e acabei com o sofrimento do pobre cachorro.

Esse foi apenas o primeiro de muitos túmulos de cachorro no meu quintal dos fundos. A sede de sangue dela só escalou daí para frente. Cathleen parou de deixar os cachorros saírem sem supervisão a partir de então, então Nurgle encontrou outros cachorros no bairro.

Eu não a deixava sair, mas de alguma forma ela saía mesmo assim. Cheguei a tomar cuidado extra quando saía para não deixá-la escapar comigo. Tive que começar a trancar as janelas quando ela descobriu que conseguia arrombá-las.

Mesmo isso não a impediu de fugir. Um dia encontrei um pastor alemão adulto que ela de alguma forma tinha arrastado de algum lugar. Ela tinha conseguido alcançar a garganta dele e rasgá-la.

Ela trazia vira-latas mortalmente feridos para casa com tanta regularidade que eu nem me dava ao trabalho de guardar a pá, simplesmente a mantinha na varanda dos fundos.
Eventualmente descobri que algumas das janelas que eu tinha trancado tinham sido destrancadas de alguma forma, então preguei elas fechadas. Aí eu soube que ela não era a única que queria que ela saísse de casa.

Eu estava me preparando para dormir outro dia, quando ouvi um estrondo no outro cômodo. Tinha uma pedra no chão. Grosseiramente rabiscado no chão estava uma mensagem simples de três palavras inscritas no chão com carvão: DEIXA ELA SAIR.

Parecia uma coisa insana de fazer, mas fui na loja de ferragens e comprei algumas tábuas. Tapei as janelas com tábuas. Não sabia mais o que fazer.

Esta manhã ouvi o grito agudo inconfundível de uma mulher. Corri desesperado para encontrar Nurgle, mas ela não estava dentro. Senti uma bola de boliche se materializar no meu estômago quando percebi que ela estava lá fora. Quando cheguei ao quintal dos fundos, Cathleen já estava morta.

É meio da tarde agora enquanto escrevo isso. Levou horas para cavar um buraco fundo o suficiente para Cathleen. Não consigo imaginar quanto mais tempo teria levado para alguém alto ou especialmente grande.

Nurgle está sentada no meu colo agora, fazendo massagem com as patas enegrecidas de sangue. Não sei o que fazer. Não posso mais deixá-la sair, mas não sei se consigo impedi-la. O que eu faço?

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Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon