Beleza, então… essa é a minha primeira vez postando aqui — o que eu acho que faz sentido, a menos que eu tenha dado azar com encontros aleatórios assim antes — mas enfim. Isso aconteceu ontem à noite, então eu ainda tô meio abalado e encucado com tudo isso. Eu até escrevi sobre no meu diário, mas um amigo comentou comigo sobre esse subreddit, então achei que talvez esse fosse um lugar melhor pra contar isso, já que aqui eu estaria “entre amigos”, por assim dizer.
Eu moro na cidade. O crime aqui é concentrado mais em algumas áreas específicas, mas onde eu moro é tranquilo. Tranquilo o bastante pra andar à noite sem problema. Os únicos casos envolvendo criminosos que tivemos no bairro foram roubos de carro, mas isso já faz alguns anos.
Enfim, mesmo morando na cidade, tem um campo enorme do lado de uma escola perto da minha casa. Cabe facilmente dois campos de beisebol completos ali, e ainda sobra espaço — o lugar é gigantesco. À noite é um lugar muito bom pra espairecer ou simplesmente aproveitar o céu noturno, porque dali dá até pra ver as estrelas, mesmo estando na cidade.
No fundo do campo, do lado oposto à escola, é a parte mais escura à noite — fica longe dos postes e de qualquer iluminação. Tem uma árvore grande bem no meio daquela área mais afastada. Nessa árvore tem um par de balanços improvisados que eu gosto de usar pra relaxar, ficar no telefone ou só passar o tempo.
Então… ontem à noite eu fui pra lá por volta das 21h30. O lugar tava bem vazio, ainda mais considerando que era noite de aula. Do balanço eu conseguia ver algumas pessoas bem longe, perto da rua do outro lado do campo, e outras perto da escola, diretamente à minha frente. Então o lugar onde eu tava parecia isolado e confortável.
Eu fui pra lá pra ligar pra um amigo. Eu tava usando meus AirPods com o modo transparência ligado, mas entre conversar com ele e ficar balançando, eu praticamente não conseguia ouvir mais nada ao redor. Ficamos conversando uns dois minutos, até que ele disse que precisava desligar e me ligar depois. Eu encerrei a chamada e vi que tinha uma mensagem da minha namorada. Parei de me balançar pra olhar o celular e, por algum motivo, resolvi levantar a cabeça e olhar em volta.
No escuro, eu vi uma figura andando diretamente na minha direção.
Devia estar a uns 30 metros de distância.
Na mesma hora eu senti aquele desconforto estranho no estômago. Eu não tinha falado pra ninguém que estaria ali, e aquela figura vinha em linha reta na minha direção. Ele também não vinha andando reto desde a escola — ele tava vindo num ângulo diagonal, o que fazia parecer muito proposital que ele estivesse indo exatamente até mim.
Eu meio que travei por um instante. Pensei que talvez ele tivesse me visto porque eu tava me balançando até segundos antes, e a luz do meu celular devia estar me iluminando um pouco, ainda mais com o breu que tava ali.
Aí pensei: “talvez seja alguém passeando com cachorro ou algo assim”.
Mas conforme ele foi chegando mais perto, dava pra ver claramente que era um homem usando um moletom preto ou escuro. Ele parecia grande, alto… talvez entre 1,80m e 1,83m. E ele continuava vindo direto na minha direção, no mesmo ritmo constante.
Finalmente eu levantei e comecei a andar rápido, mas tentando manter a calma, em direção à escola, meio que cruzando diagonalmente o caminho dele. Acho que eu não queria parecer desesperado.
Quando cruzamos, ele olhou pra mim.
Eu não conseguia ver o rosto dele, mas dava pra perceber que ele virou a cabeça na minha direção enquanto continuava andando até o lugar onde eu tava antes. E sem hesitar nem por um segundo, ele sentou exatamente no balanço em que eu tava e começou a se balançar… olhando pra mim.
Eu sei que ele tava olhando pra mim porque ele manteve a cabeça virada na minha direção depois que sentou.
Pelo jeito físico e pela aparência, meu instinto dizia que era um homem mais velho, mas obviamente eu não tenho como ter certeza.
Enquanto eu me afastava daquela parte escura e caminhava em direção à escola, comecei a sentir que ele talvez fosse começar a me seguir. Então tentei ficar de olho nele enquanto andava, mas tava tão escuro lá atrás que, depois de certa distância, eu já não conseguia mais enxergar nada.
Quando cheguei perto da escola, tentei tirar uma foto com longa exposição usando a câmera que eu tinha levado, mas a imagem saiu borrada demais pra identificar qualquer coisa.
Pouco depois, meu amigo me ligou de volta. Eu atendi, mas falei pra ele esperar um minuto porque eu ainda tava olhando ao redor. Ele percebeu pelo meu tom de voz que tinha alguma coisa errada, e enquanto perguntava o que tinha acontecido, eu notei alguém parado perto das árvores ao lado da escola.
Devia estar a uns 20 metros de mim.
Não parecia ser o mesmo cara, mas me passou a mesma sensação ruim, porque ele tava completamente imóvel no meio das árvores e arbustos, olhando na minha direção.
Eu encarei ele e comecei a falar mais alto no telefone, meio que tentando deixar claro que eu tava numa ligação. Aí ele se virou e foi embora.
Depois disso eu fui direto pra casa, completamente assustado e confuso.
Minha cabeça ficou a mil pensando no que poderia ter acontecido se eu tivesse ficado lá, e por que aquele cara tava vindo direto até mim daquele jeito. Aí me veio um pensamento perturbador: talvez ele tivesse achado que eu era um adolescente ou algo assim.
Minha namorada sugeriu que talvez fosse um ponto de encontro pra tráfico e eu simplesmente tivesse chegado lá sem querer antes da pessoa certa.
Tanto ela quanto o meu amigo recomendaram que eu ligasse pra polícia e passasse a descrição do cara, caso ele estivesse rondando ali atrás de crianças — ainda mais porque tinha jovens por perto.
E foi o que eu fiz.
Mais tarde naquela noite, um policial me ligou pra confirmar a descrição. Eu até me senti mal porque não tinha muita informação útil pra passar, mas ele disse que tudo bem e que eles ficariam atentos a qualquer atividade suspeita na área.
Enfim… espero que essa seja a última vez que eu poste aqui.
Foi tudo muito bizarro.
Eu ainda tenho um monte de perguntas na cabeça.
Mas fico feliz de ter ido embora dali, porque meu instinto dizia que aquele lugar não tava seguro… e eu resolvi não ignorar isso.


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