sábado, 7 de fevereiro de 2026

Meu novo smartwatch tem esse recurso estranho

Então… eu realmente não sei por onde começar com isso, então vou simplesmente começar do jeito mais óbvio possível: adivinha… foi aí que tudo começou.

Antes de mais nada, quero deixar claro que eu nunca gostei muito do Natal. Nunca mesmo. Não tenho nenhum motivo especial pra isso — é só que, pra mim, essa coisa toda nunca fez sentido, nunca “clicou”, como parece fazer pra maioria das pessoas.

Neste Natal, como sempre, eu não pedi nada em particular. Eu nunca peço. Mas minha irmã, como sempre faz, não aceitou um “não” como resposta e ficou insistindo pra ver se eu dava alguma pista, qualquer coisa que eu pudesse usar ou quisesse ganhar. Só que, sério, não tinha nada que eu quisesse. Mesmo assim, ela continuou teimando até achar algo.

Então, quando fui abrir os presentes com a família toda reunida, o dela era… um smartwatch. Confesso que fiquei surpreso com o palpite certeiro. Até porque eu andava de olho num relógio novo depois que o meu antigo morreu de repente — ele bateu com força demais na bancada de mármore da pia do banheiro e simplesmente parou de funcionar. Agradeci muito a ela, é claro. Quanto aos outros presentes, foram coisas bem comuns pra alguém que não pede nada: só as meias de sempre e camisetas com estampas ridículas.

Depois de voltar pra casa, conferi se todas as roupas serviam e separei tudo em duas pilhas: o que ficava e o que eu precisaria trocar pelo tamanho certo. Aí fui configurar o novo relógio e dar uma olhada nele.

Não era uma marca que eu já tivesse ouvido falar, e eu não sabia absolutamente nada sobre ela. Mas, sendo um presente, eu não podia ser exigente nem reclamar — afinal, era um relógio “de graça”, né?

Durante a configuração, apareceram as perguntas de sempre: permissão pra usar dados de localização, sincronização com o celular, se eu queria que ele monitorasse minha frequência cardíaca ou não. Mas aí veio uma opção diferente, que me pegou de surpresa — um recurso que eu nunca tinha ouvido falar:  

> “Deseja ativar o monitor de medo?”

Com botões de “Sim” ou “Não”.

Lembrei que pensei: “Ah, deve ser alguma novidade nova que tão testando nesses modelos mais baratos antes de lançar nos relógios famosos. Tipo um teste beta com usuários reais.” Então pensei: “Por que não? Vamos lá.”

Esqueci disso rapidamente e nem liguei mais por um tempo. Só recebia as notificações normais de smartwatch: “Frequência cardíaca alta” ou “Você deveria descansar um pouco”. Coisas comuns, sabe?

Mas numa noite — eu moro sozinho, então a casa tava vazia, como sempre, e não tinha nada acontecendo — eu tava só deitado no sofá, vendo qualquer besteira na TV, sem pensar em nada de importante. Foi aí que apareceu a notificação:  

> “Medo detectado.”

Isso me pegou completamente de surpresa. Eu não tava com medo de nada, de jeito nenhum. Tava só assistindo a algum filme de comédia aleatório e pensando em ir dormir. Mas só de ver aquela mensagem, senti um frio na espinha — aquela sensação esquisita, tipo quando você sente que tá sendo observado, mesmo achando que tá sozinho.

No fim das contas, ignorei. “É só frescura”, pensei. E fui dormir sem mais nada acontecer.

Só que, depois disso, a notificação começou a aparecer de vez em quando… cada vez com mais frequência. E, com o tempo, eu comecei a sentir medo só de ver a mensagem. Era como se eu tivesse virando paranoico por causa de algo que eu sabia que não existia.

Até que, numa noite, enquanto eu tava deitado na cama tentando pegar no sono, ouvi um barulho vindo do andar de baixo — um clique suave, tipo alguém batendo de leve numa mesa de madeira.

E adivinha? A notificação disparou de novo.  

> “Medo detectado.”

Dessa vez, concordei com ela. Sentia que não tava sozinho. Como se tivesse algo — ou alguém — dentro de casa comigo.

Liguei todas as luzes e vasculhei cada cômodo, procurando qualquer sinal de movimento. Nada. Tudo exatamente como sempre: vazio, silencioso, normal. Concluí que a paranoia tava piorando por causa do relógio, então resolvi desligá-lo. Se o problema era eu ficar assustado com as notificações, então tirar o relógio do jogo resolveria tudo, certo? Voltei pra cama.

Mas aí, por volta das 2h54 da manhã, fui acordado por uma vibração na mesinha ao lado da cama. Era o relógio. A notificação dizia:  

> “Medo detectado.”

Achei aquilo extremamente estranho — e, cara, deu um frio de arrepiar. Foi aí que ouvi de novo. O clique. Só que dessa vez… muito, muito mais perto. Parecia que alguém tava batendo de leve na parede do meu quarto, do corredor.

Naquele momento, eu tava tremendo inteiro. O medo me engoliu por completo e me prendeu na cama, imóvel. Quando o barulho parou e eu finalmente juntei coragem pra sair de novo, fui devagar, cômodo por cômodo, conferindo tudo. Travei a porta da frente, verifiquei todas as janelas — tudo estava trancado desde o início. Na verdade, nada tinha sido mexido. Cheguei até a trancar a porta do meu quarto e guardei o relógio numa gaveta da escrivaninha. Tentei dormir de novo, torcendo só pra conseguir mais algumas horas de sono antes de tentar entender o que diabos tava acontecendo pela manhã. Talvez eu precisasse de um psiquiatra… mas isso seria um problema de amanhã.

Só que… aconteceu de novo.

Fui acordado pelo som abafado do motor de vibração do relógio, ainda dentro da gaveta. Nem precisei levantar pra ver a notificação — eu já sabia o que ia dizer:  

> “Medo detectado.”

Nesse ponto, eu tava completamente apavorado. Meu coração devia estar batendo a mil por hora. E, no canto mais escuro do meu quarto, consegui enxergar — mal, mas enxerguei — dois pequenos pontos brilhantes, sombrios, que eu juro que eram olhos.

Antes mesmo que eu conseguisse reagir, meu instinto de luta ou fuga assumiu o controle… e eu desmaiei.

De manhã, quando acordei de novo, corri por todos os cômodos da casa procurando qualquer coisa fora do normal. Nada. Absolutamente nada. Nem liguei pra me arrumar pro trabalho ou seguir minha rotina matinal. Fui direto pro psiquiatra — o primeiro resultado no Google. Nem me dei ao trabalho de avisar no serviço; eles iam perceber quando eu não aparecesse.

Contei pra ela tudo o que acabei de contar pra você — cada detalhe que lembro. Ela só disse que era paranoia induzida por estresse, já que não havia nenhuma evidência real de que algo tivesse acontecido de verdade.

Receitou uns remédios pra ansiedade, ensinou exercícios de respiração e marcou uma consulta pra semana que vem.  

Mas, mesmo assim…  

Isto aqui é um aviso:
Se você tiver um relógio com esse tal “monitor de medo”… jogue fora.

Já fiz isso. Nunca mais quero ver aquela porra.

Mesmo que seja só minha mente pregando peças em mim…  

Agora eu não sei o que é pior:  

— Ser o relógio me deixando paranoico, me fazendo ver coisas que não existem…  

— Ou ele ter algum sexto sentido, capaz de detectar medo de verdade…  

Ou pior ainda… ser capaz de detectar coisas que a gente não deveria ver.

Na verdade… não quero saber.

Só quero que tudo volte a ser como era antes.

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