sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Eu descobri algo bem perturbador na minha casa...

Pra você realmente entender essa parada, acho que precisa saber como é o estado mental quando você tá caindo no sono. Sabe como é, você ainda tá consciente o suficiente pra perceber as coisas que rolam ao seu redor, mas não o bastante pra reagir ou pensar nelas de verdade – só uns pensamentos meia-boca que não fazem muito sentido?

Foi nesse estado que a maior parte disso começou a acontecer comigo.

Eu moro com minha esposa e minha filha. Ela dorme lá embaixo, e a gente dois dorme num quarto lá em cima. O nosso quarto é o primeiro depois da escada. Nos anos que a gente mora aqui, eu aprendi a reconhecer os sons da minha esposa e da minha filha subindo a escada, cada uma com o jeitinho dela, claro que soam diferentes.

O lance estranho é que, em algum momento, eu comecei a ouvir um conjunto diferente de passos subindo a escada. Minha esposa dorme na mesma cama que eu, então não podia ser ela, e minha filha não tem problema nenhum pra dormir, pelo menos que eu saiba, então acho que não era ela também.

É meio difícil passar por texto o quanto isso parecia uma bobagem na época. Veja bem, isso rolava quando eu tava nesse estado de caindo no sono que eu falei antes. Eu ouvia, mas não tava totalmente acordado, então nem pensava muito na coisa. Eu ouvia, aí vinha um pensamento vago tipo "quem foi esse aí?", e logo em seguida eu apagava.

Mas, se eu soubesse o que descobri esses dias, provavelmente eu acordava na hora que ouvisse aquilo.

Isso se arrastou por uns dias, acho. Minhas memórias desses incidentes eram bem nebulosas e cheias de sonho, tenho quase certeza de que, depois das primeiras noites, eu acabei dispensando tudo como se fosse só um sonho. Eu nem pensava nisso durante o dia. Talvez uns pensamentos fugidios no trampo ou em casa, antes da minha mente pular pra outra coisa. Agora que eu parei pra refletir de verdade, eu sinto que tava ignorando algo que eu devia ter levado bem mais a sério. Mas, de novo, não dá pra enfatizar o suficiente como o horário da noite atrapalhava minha capacidade de raciocinar direito sobre isso.

Depois de mais ou menos uma semana, um dos meus colegas de trabalho comentou de leve sobre um sonho que ele teve, e isso me lembrou do que tava rolando à noite. Foi a primeira vez que eu comecei a considerar de verdade o que diabos tava acontecendo. O fato de que aquilo já tava rolando há tanto tempo e de forma tão constante provavelmente também me deu o toque de que não era só um sonho esquisito.

Eu montei o cenário na minha cabeça: mais ou menos no mesmo horário toda noite, eu ouço alguém subindo a escada quando eu duvido seriamente que possa ser qualquer um da casa. Eu não tava... preocupado, exatamente. Mais curioso mesmo. Eu ficava pensando nisso de vez em quando pelo resto do dia no trampo. Quando cheguei em casa, minha esposa e minha filha já tavam lá. Eu perguntei pras duas se elas tinham levantado e feito alguma coisa na noite anterior, e nenhuma disse que sim.

Eu ponderei as possibilidades, e nenhuma delas me preocupava de verdade. Eu duvidava seriamente que tivesse um intruso arrombando a casa sem nenhum outro sinal, só pra subir a escada no meio da noite. Isso me deixou bem menos preocupado do que eu provavelmente devia ter ficado. Mas é, eu pensei no que fazer pelo resto do dia. Eu tive um pensamento engraçado e rápido sobre aquele cara da Bíblia que jogou farinha no chão pra pegar pegadas de alguém, aí veio uma ideia parecida de instalar um fio de tropeço.

No final das contas, eu cheguei à conclusão de que, se isso tava mesmo acontecendo, eu podia simplesmente gravar. Eu tenho um celular velho que ainda funciona, mas que eu não uso mais porque não pega as torres de celular modernas ou sei lá o quê, então pensei em abrir o app de gravação de áudio e deixar rodando a noite toda. Eu não queria usar meu celular atual, porque eu uso ele como despertador e não queria esquecer de desligar ou algo assim. Isso acabou me dando uma visão bem importante das coisas.

Eu acordei e tinha esquecido completamente da história toda. Lembrei que o gravador tava rodando no caminho pro trampo, mas percebi que ia me atrasar se voltasse pra pegar. Eu me perguntei rapidinho por quanto tempo aquela porcaria podia gravar. Não achava que ia encher a memória e travar o celular ou algo do tipo, mas ainda assim era esquisito de pensar.

Quando cheguei em casa, depois de dar um oi pra família, a primeira coisa que fiz foi subir e ouvir a gravação. Ela tinha, de fato, gravado a noite toda e o tempo inteiro que eu tava no trampo. Eu pulei entre períodos longos de silêncio procurando os sons da noite anterior. E eu encontrei mesmo o som de alguém subindo a escada tarde da noite. Nada mais. Nenhum barulho de quem quer que fosse mexendo em coisas ou fazendo algo que desse ruído.

Olha, é aqui que o fato de eu ter usado o celular velho vira algo importante. Como não era o meu atual, eu esqueci dele e deixei rodando, como eu disse, gravando até o momento em que eu subi pra pegar. Ao pular pela gravação, eu acabei deixando tocar uns segundos que capturaram antes de eu pegar o aparelho. Todo mundo na casa tem um som um pouco distinto quando sobe a escada, tenho certeza de que você já notou a mesma coisa se conviveu com as mesmas pessoas passando pelo mesmo lugar de um prédio repetidas vezes.

Isso, claro, me incluía. Eu só nunca tinha ouvido porque, óbvio, eu tava na escada toda vez que fazia esse barulho. Essa gravação foi a primeira vez que eu ouvi de verdade, apesar de minha esposa e minha filha terem ouvido incontáveis vezes. Algo que eu nem sei se já tinha parado pra pensar antes. E é essa parte que me deixa realmente preocupado, e me faz perceber que eu devia ter ficado apavorado o suficiente com o que tava rolando pra instalar uma câmera ou algo assim, em vez de só gravar como se fosse uma esquisitice boba: o som de mim subindo a escada pra pegar o celular era idêntico ao som que eu tava ouvindo à noite.

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Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon