quinta-feira, 16 de julho de 2026

Acertei um veado com o carro e ele me seguiu para casa

Estou tentando localizar um resgate de animais ou algo do tipo na zona rural de Washington. Sabe, eu fiz uma merda bem grande na quinta-feira passada e estou me sentindo muito mal por causa disso. Especialmente porque ele tem me seguido por aí. Certo, deixa eu explicar e aí talvez vocês possam me dizer nos comentários se alguém pode ajudar. Eu agradeceria muito.

Então, meu nome é Justin. Só para já me apresentar. Eu moro numa área muito legal no interior, mais ou menos perto de Mead. Acho que Spokane é a cidade grande mais próxima daqui. É afastado, é bem pacífico. O único problema é que é uma porra para conseguir qualquer tipo de ajuda ou serviço por aqui, porque a gente fica a quilômetros de distância da maior parte da civilização. Enfim, eu trabalho no turno da noite metade do tempo. Eu pego a estrada e vou para a cidade ou para onde meus serviços são necessários, já que trabalho com segurança. Eu estava voltando para casa na minha caminhonete depois de um turno de doze horas bem longo e exaustivo. Algum evento idiota que literalmente tomou o dia inteiro e se estendeu pela noite. Era depois das 2 da manhã. Eu estava exausto. É provavelmente por isso que meus olhos estavam embaçados e eu quase saí da estrada duas vezes.

Eu estava a uns dois, talvez três, quilômetros de casa quando vi alguns veados vagando pelas árvores perto da estrada. Não é uma visão incomum, fique sabendo. Eu até alimento os rebanhos daqui sempre que posso gastar um dinheiro extra com milho ou outras rações. São animais lindos. Só não conto a eles que também os acho muito saborosos quando dou uma maçã na mão. (Não quero gente do PETA nos comentários dizendo que sou malvado por comer carne de veado, eu aprecio os veados como parte do nosso ecossistema natural. Eles só estão abaixo de mim na cadeia alimentar. Não é minha culpa.) Eu não vi nenhum veado no asfalto em si, fique sabendo. Eu até diminui o ritmo por um instante para ter certeza de que poderia desviar ou frear caso visse algum.

Eu estava tão perto de casa, porém, e minhas pálpebras estavam ficando pesadas só de pensar na minha cama. Os travesseiros macios como penas e o edredom isolante estavam chamando meu nome. Meus olhos podem ter se fechado por alguns segundos, mas só isso. Eu não cochilei nem nada. Eu ainda estava dirigindo em linha reta e firme na estrada quando os abri de novo. Mas aí vi um borrão nos meus faróis e senti uma "tromba" dos infernos contra a frente da minha caminhonete. Sinto ânsia de vômito só de pensar nisso, sério.

Foi uma cena horrível. Tinha sangue respingado na grade, pedaços de pelo presos no metal. Eu parei assim que percebi o que tinha acontecido, mas ainda tive que andar alguns metros de volta até o local do impacto. Agradeci a Deus por meu celular estar carregado para eu poder usar a lanterna. Gotas de sangue e pedaços de carne se espalhavam por aquela parte da estrada, levando até uma valeta gramada. Engoli seco, sabendo o que encontraria, parcialmente escondido por aquela grama. E lá estava ele.

Surpreendentemente, ainda respirava. Mas por pouco. Um corte aberto, estendendo-se pelas costelas em direção à barriga, ainda escorria sangue. A saliência de órgãos úmidos, inchados e arroxeados, brilhava entre a pele rasgada e o osso exposto. Já havia uma poça considerável de líquido escuro embaixo dele. O feixe da minha lanterna foi para o rosto dele, onde vi que seu focinho estava entreaberto enquanto ofegava. Líquido vermelho e grosso escorria entre os dentes. As narinas se dilatavam enquanto ele soltava pequenos sons agudos e ofegantes. O que me surpreendeu foram os olhos. Ele estava olhando diretamente para mim. Os olhos dele eram tão expressivos que dava para ver as brancas e as pupilas, pequenas como pontinhos na luz. Eu já tinha visto olhos de veado de perto antes, sempre eram marrons e sempre bem sem graça. Mas esses olhos? Eram lindos. Quando se fala de um veado ensanguentado e moribundo, claro. Eles tinham um ar de emoção que me acertou em cheio no peito. Havia um efeito quase iridescente e brilhante neles enquanto reagiam à lanterna. Olhei longa e fixamente para a criatura indefesa debaixo de mim e senti uma tristeza profunda e repentina.

Tenho maturidade o suficiente para dizer que chorei e não senti vergonha. Eu soluçava enquanto acariciava a cabeça e o focinho do veado, e ele me deixava.

— Tá tudo bem, coisa linda — murmurei, tentando confortá-lo. — Eu te peguei, tá tudo bem. — Pensei que talvez, se eu conseguisse levantá-lo e colocar na minha caminhonete, poderia levá-lo ao veterinário mais próximo? Mas eu nem sabia onde ficava o veterinário mais próximo. E um veterinário provavelmente não estaria aberto a essa hora, e muito menos seria capaz de atender um veado. A respiração ficou mais difícil e uma película escura e espessa saiu da boca dele enquanto ele soltava sons de engasgo.

— Ah, lindo... — lágrimas ardiam nos meus olhos enquanto eu percebia o que estava acontecendo, — só fecha os olhos. Tá tudo bem, vai acabar logo. Vai acabar. — O olho do veado se fixou no meu rosto enquanto todo o corpo dele se contraía. A pálpebra tremeu, fechando pela metade antes de ele emitir um grito que me fez soluçar. O abdômen se elevou mais uma vez, o sangue continuando a escorrer do ferimento. Depois ele ficou imóvel, e tudo ficou em silêncio. Minha mão passou sobre a cabeça dele de novo, esfregando as orelhas. Eu tinha ouvido que a atividade cerebral continuava por alguns segundos após a morte. Se isso fosse verdade, eu não queria que a última experiência dele fosse fria e escura. Acariciei a orelha esquerda dele, sentindo o toque macio e aveludado que poucas pessoas têm a chance de experimentar. Um entalhe redondo estava marcado nela. Eu me perguntei o que teria causado aquilo.

Não me interpretem mal. Eu entendo que animais morrem naturalmente o tempo todo. O que é mais um veado morto, quando há rebanhos inteiros vagando pelas florestas? Pode me processar, eu tenho um coração mole para animais. Minhas cachorras Lucy e Chucky podem confirmar isso. Eu derramei algumas lágrimas por um esquilo morto e despedaçado que elas me trouxeram no ano passado. Esse doeu especialmente porque eu fui o culpado. Se eu tivesse olhado com mais atenção para a área ao redor da estrada, não teria atingido esse veado. Ele ainda estaria vivo, pulando pela floresta com a família dele.

No fim das contas, não havia mais nada que eu pudesse fazer. Eu entendi isso. Enxuguei os olhos, entrei na caminhonete e completei o curto trajeto até casa. Por mais triste que eu estivesse, pensei que aquilo seria o fim. Acontece que eu estava errado.

Acordei por volta das 11 da manhã no dia seguinte. Café e alguns ovos eram meu objetivo depois que me libertei das cobertas. Lucy e Chucky estavam animadas para sair antes do café da manhã. E eu não ia limpar cocô de golden retriever do meu tapete. Então deixei-as sair. Quando fui pegar uma espátula no escorredor de louças perto da pia, dei uma olhada pela janela. Lucy estava fazendo as necessidades dela perto da varanda, nada incomum ali. Chucky estava só cheirando aquele pedaço de terra estéril que eu planejava transformar em jardim, mas ainda não tinha feito. Abri um sorriso, sentindo-me contente naquele momento. Meus olhos se desviaram para cima, em direção à floresta que faz divisa com meu quintal. Ela desce até um pequeno riacho, muito bom de ter nos meses quentes. Eu não sentia necessidade de cercar todo o meu quintal, já que minhas cachorras são bem treinadas e nunca saem da área geral sem mim. Isso tornava possível que muitos animais selvagens chegassem até nosso espaço, porém. Então não fiquei surpreso quando avistei a silhueta de um veado parado na folhagem, bem na linha das árvores. Imaginei que uma das cachorras o veria em breve, o espantaria e voltaria correndo para casa. Mas elas ainda não tinham reagido. Dei de ombros, pensando que elas entrariam em breve, e comecei a fazer meu café da manhã.

Não demorou muito até eu ouvir arranhões na porta dos fundos. Minhas duas cachorras entraram tropeçando uma na outra, correndo em direção aos potes de ração cheios. Enquanto bebia meu café, olhei pela janela da porta enquanto a trancava. Lambi os lábios ao perceber que o veado ainda estava parado no mesmo lugar. Sem se mexer. Isso era algo que eu não via com frequência. Forcei a vista na direção dele, tentando entender se meus olhos estavam apenas pregando peças. Seria apenas um arbusto com formato estranho? Ou talvez um chamariz de caçador? Andando até minha área de jantar, espiei pela janela maior para ter uma visão melhor da floresta. Estranhamente, parecia que o veado tinha se movido. Mas só a cabeça. Congelei por um momento, processando o que estava vendo. Era um veado, sim. O corpo dele não tinha se movido nem um centímetro do lugar onde o vi primeiro, mas a cabeça estava me seguindo. Eu conseguia perceber porque, quando eu me movia, ele se movia levemente. Ele mantinha os olhos em mim. Como diabos um veado poderia saber que eu estava ali tão longe, através de uma parede, ainda por cima? É seguro dizer que isso me assustou um pouco. Aquela parte supersticiosa e com medo do sobrenatural em mim teve a ideia de que o rebanho de veados queria vingança pela noite passada. Mas eu sabia que isso era ridículo. Provavelmente ele só estava atordoado ou algo assim. Coloquei minha xícara de café na mesa, me perguntando se deveria ir lá fora verificar ou algo do tipo. O trauma da noite passada ainda permanecia na minha mente, e se houvesse algo que eu pudesse fazer por esse veado, eu gostaria de tentar. Mas assim que minha caneca bateu na mesa com um pequeno tilintar, o veado inclinou a cabeça. Ele se curvou num ângulo estranho, quase como se houvesse algo errado com o pescoço dele. Depois, ele simplesmente se virou na direção das árvores e saiu saltando, desaparecendo na folhagem. Fiquei aliviado no começo. Enquanto observava a silhueta sumir entre os troncos, parei. Ali, na orelha esquerda do veado, havia um entalhe redondo. Era quase imperceptível, mas estava lá. Ou talvez eu estivesse enlouquecendo. Pensei que estivesse. Não havia chance de aquele veado da noite passada ter sobrevivido. Eu o vi dar o último suspiro, deixei o corpo dilacerado dele numa valeta. Então, usando meu bom senso, ignorei como sendo um veado com uma cicatriz parecida. Talvez houvesse uma fazenda ou um projeto de rastreamento de animais por aqui que usasse etiquetas e elas foram removidas ou arrancadas. Dois veados poderiam ter a mesma cicatriz. Isso não era tão estranho. Eu já tinha visto alguns machos com flechas saindo dos flancos ou do peito antes, e aquilo não era sobrenatural. Uma orelha com entalhe não era nada.

O veado estava de volta quando cheguei em casa do trabalho. Tarde de novo, mas só por volta da meia-noite. Abri uma cerveja na cozinha, a luz jorrando da janela para o quintal. Meus olhos o capturaram completamente por acaso. Luz suficiente, na verdade apenas um brilho, conseguiu tocar as árvores na beira do quintal. Ainda era o bastante para refletir em olhos iridescentes e imóveis no escuro. Pisquei e esfreguei os olhos, tentando ver se estavam apenas pregando peças em mim. Não estavam. Um veado — e aposto que era o mesmo — estava no mesmo lugar de antes. Olhando fixamente para mim. Um arrepio percorreu minha espinha, embora eu relutasse em deixar que me afetasse ainda mais. Veados são veados. A floresta é a casa deles. Por mais que eu estivesse assustado depois dos acontecimentos de ontem, não ia me permitir ficar paranoico com a vida selvagem local. Qual seria o próximo passo, pensar que pássaros são microfones para acompanhar os veados que tudo observam? Não, não sou um maluco conspiratório, obrigado. Fechei as cortinas e continuei minha noite.

Achei que ignorar resolveria o problema. Não resolveu. Se é que alguma coisa, o problema piorou. Muito pior. Já se passaram vários dias, quase uma semana, e o veado não parou de aparecer. O mesmo veado — sei disso com certeza agora. O entalhe é inconfundível na orelha dele. Sempre do mesmo tamanho, lugar e formato. No começo, ele ficava na área perto das árvores. Tudo bem. Não estava perto o suficiente para alertar as cachorras; na verdade, elas pareciam não se importar com ele. Ele também parecia não se importar com elas. Ele só me observava. Mantinha os olhos em mim, não importa onde eu estivesse. Se na varanda ou dentro de casa andando de cômodo em cômodo. Ele estava sempre me olhando. Tentei me aproximar dele duas vezes, e nas duas vezes ele sumiu antes mesmo de eu chegar a poucos metros de casa. Virou o rabo, disparou de volta para a floresta. Nunca consigo ter uma visão completa e total dele. Mas ontem à noite, aconteceu outra coisa que realmente me deixou alarmado.

Era meu dia de folga, então fiquei vagando pela casa a maior parte do tempo. Colocando algumas séries em dia, bebendo umas cervejas e petiscando à vontade. As pestinhas também estavam felizes por eu ficar em casa, mesmo que meu ritmo circadiano já estivesse todo ferrado há muito tempo e a gente já não tivesse mais o mesmo horário de sono. Tiramos muitos cochilos. Eu também não tinha visto o veado. A floresta estava vazia. Pensando bem, foi realmente bem estranho. Não me lembro de ter visto nem esquilos nem pássaros no quintal. Foi um dia bem sem graça. Então, provavelmente umas 22h30. Eu tinha decidido que o lixo da minha cozinha estava fedendo muito e precisava ser levado para fora. Vestido apenas com minha cueca e um roupão, carreguei o saco até a entrada da garagem. Era uma noite pacífica, a temperatura estava quente o bastante para eu não precisar de jaqueta, e os grilos cantavam na grama. Senti uma aura de calma pura se instalar sobre mim, do tipo que vem quando tudo está em silêncio e você não tem preocupações reais naquele momento. Jogando a tampa da lixeira de volta sobre o recipiente, parei por um instante. De repente, senti algo estranho. Sabe quando você acha que está sozinho e sente seu corpo ficar alerta sem saber por quê? Os pelos da pele começam a arrepiar, ou os músculos ficam tensos sem aviso. Foi assim que me senti. Atrás de mim, ouvi um silencioso "clac".

Me virei, sem realmente pensar no que encontraria, apenas concentrado naquela sensação. Meu primeiro pensamento foi "Porra". A visão à minha frente fez meu estômago cair na sola dos pés. Era o veado. Não estou falando de um veado, estou falando do mesmo veado. Era o veado que eu atropelei. Tinha que ser. A luz da minha varanda e da lua não eram uma fonte excelente, mas eu sei o que vi. O entalhe na orelha estava tão claro quanto o dia. O corpo dele ainda estava visivelmente quebrado e torto em alguns lugares, como se uma das patas dianteiras estivesse num ângulo estranho. Eu nunca tinha notado isso antes, não quando ele estava escondido nos arbustos me observando. O corte aberto no flanco ainda estava presente, mesmo que o sangue seco agora estivesse incrustado com terra, folhas e pequenos galhos com espinhos. Eu ainda conseguia distinguir as formas dos órgãos e intestinos saindo da carne. Sinceramente, a pior parte era o rosto. Era como se o músculo tivesse afundado, deixando a pele esticada em alguns lugares e caída para dentro em outros. A língua tinha inchado e estava manchada com tons de azul e preto, saindo da boca como um verme gordo e morto. Os olhos eram os mesmos, porém. Grandes, expressivos, brilhantes. Olhando para mim com uma intensidade profunda que eu não — não podia — entender. Ficamos ali, nos encarando por alguns momentos. Sinceramente, pareceu muito mais tempo. Ele estava a poucos centímetros de distância, perto o bastante para tocar. Não que eu quisesse. Eu estava horrorizado. Meu corpo estava congelado, mas meu estômago estava revirando. Eu tinha feito aquilo. A pata quebrada deu um passo em minha direção. Outro "clac" contra o asfalto me despertou do meu estupor aterrorizado. Eu vi uma substância escura e grossa escorrer entre os lábios dele, o focinho se aproximando de mim num ritmo alarmante. Recuei assustado, e no momento em que me movi, ele também se moveu. Mas em vez de avançar em minha direção, ele se jogou para trás. Um som nojento saiu do corpo dele quando ele bateu no chão. Mas assim que tocou o chão, ele já estava se levantando desesperadamente. Sinceramente, não sei como ele se moveu tão rápido. Com ferimentos daqueles, aquele veado deveria estar morto ou pelo menos incapaz de se mover. Exatamente como estava na valeta na semana passada. Agora, porém, ele estava saltando para longe, em direção à floresta, num ritmo que eu nunca vi nem mesmo o veado mais saudável conseguir. Entrei correndo para dentro, trancando-me na segurança da minha casa bem iluminada.

É onde estou agora, e honestamente estou me sentindo muito culpado por toda essa situação. Depois de pensar bem, tenho certeza de que o veado está gravemente ferido. Ele está claramente atordoado, confuso e realmente não vai bem, se o sangue e as entranhas expostas eram algum indicativo. Toda a confusão que vivi esta semana é certamente um sinal de dano cerebral, e ele tem uma pata quebrada. Eu tentaria ajudar ele mesmo, mas não entendo nada de medicina veterinária. Também não tenho uma arma minha, mesmo que provavelmente devesse ter, já que moro no meio do nada. Se eu o vir de novo, acho que atualizo vocês. Sei lá, me sinto muito mal por ele. Talvez ele tenha estado tentando pedir ajuda esse tempo todo, e tudo o que eu fiz foi ignorá-lo e achar que era assustador. Se alguém por aqui tem experiência em lidar com emergências médicas com veados, localizem este o mais rápido possível. Acho que ele realmente precisa de ajuda.

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Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon