Não faz muito tempo que consegui um pouco de MDMA para mim e para a minha ex-namorada. Era nossa primeira vez experimentando essa substância. Nosso plano era apenas relaxar juntos, ter uma noite tranquila e agradável.
Porém, cerca de uma semana antes, ela decidiu não participar. Disse que não queria envolver-se com drogas mais pesadas. Respeitei sua decisão, mas, mesmo assim, decidi seguir em frente. Tomei a dose pouco antes de ela chegar em casa. O vendedor foi bem claro: tomar apenas um quarto. Mas eu, na minha ignorância, tomei metade.
Trinta minutos depois, minha ex chegou. Eu ainda não sentia quase nada. Quinze minutos depois, tudo mudou: estava hiperativo, alerta e o mundo parecia mais vibrante, mais claro. Pensei que tudo estava perfeito.
Então, em vez de continuar subindo, veio a queda. Um cansaço intenso e pegajoso me engoliu. Sentia-me esgotado, como se tivesse sugado minha alma. Parecia mais o efeito de um opioide do que qualquer outra coisa. O MDMA deveria despertar o desejo, deixar o corpo em chamas. Mas o meu simplesmente apagou. Não consegui fazer absolutamente nada com ela.
Acabamos apenas assistindo a um filme, imóveis, por uns vinte minutos - pelo menos acho que foram vinte. O tempo se tornou algo pegajoso, escorregadio, impossível de medir. Mal conseguia acompanhar o ponteiro do relógio.
Foi quando comecei a desmaiar. Meus olhos pesavam como chumbo. Adormeci lentamente, com os braços erguidos até o rosto, as mãos curvadas numa posição grotesca. A única coisa que lembro é acordar de sobressalto dizendo "não está batendo" e engolir o resto de MDMA.
Depois disso, devo ter desmaiado novamente. Quando abri os olhos, já era noite fechada. Meu maxilar estava travado como se tivesse sido soldado com ferro, o suor escorria frio pelo meu corpo e um pânico selvagem me rasgou por dentro. No fundo da minha mente, sabia exatamente o que tinha feito.
Tentei vomitar. Nada saiu. Mal sentia as mãos. Enfiei os dedos garganta abaixo e quase não senti nada - como se o corpo já não me pertencesse mais.
Corri desesperado para o quarto da minha mãe. Devia ser umas oito da noite, talvez um pouco mais. Minha ex, ao ver o estado em que eu estava, simplesmente desapareceu. Contei tudo para minha mãe. Ela, Deus a abençoe, reagiu com uma calma que ainda me assusta.
E então o verdadeiro pesadelo começou.
Entrei num estado de hiperatividade selvagem. Não conseguia descruzar os braços. Minha cabeça rolava para trás sozinha, como se uma força invisível a puxasse. Falei coisas profundamente íntimas para minha mãe - segredos que nem eu mesmo lembrava ter guardado. A única frase que ficou gravada foi quando revelei, sem hesitar, onde escondia meus cogumelos mágicos. Falava num ritmo insano, gaguejando quase todas as palavras, a língua tropeçando na própria velocidade.
Não lembro quase nada desse período. Quando voltei a mim, uma hora e meia havia se passado - e para mim pareceram apenas cinco minutos. Foi aí que percebi: eu tinha estragado tudo.
Aos poucos o corpo foi voltando ao normal. Minha mãe foi dormir e me pediu para fazer o mesmo. Não obedeci. Fumei quatro doses seguidas e saí para caminhar, tentando acalmar a tempestade que ainda rugia dentro de mim.
Foi quando vi o homem. Jaqueta azul, calça de moletom preta. Não tinha rosto - apenas um vazio negro, um buraco sem fim onde deveria haver olhos, boca, vida. Ele estava parado, olhando diretamente para mim. Quando me aproximei, tremendo, era apenas um poste solitário à beira da rua.
Voltei correndo para casa. Ao girar a chave na fechadura, uma velha pulou em cima de mim, as mãos estendidas como garras. Foi nesse momento que a realidade me atingiu: eu estava alucinando demais, muito além do suportável.
Entrei no quarto. Havia uma grande mancha negra sobre a minha cama. Uma coisa viva, respirando devagar, pulsando. Percebi que era uma ilusão. Só precisava dormir. Me preparei para deitar, mas tomei cuidado para nunca olhar para o espelho enquanto escovava os dentes e lavava o rosto - olhava fixamente para o chão, como se o reflexo pudesse me engolir.
Deitei-me. As vozes surgiram quase imediatamente. A cama se mexia sozinha, rangendo. Alguém estava deitado bem ao meu lado, respirando quente e úmido contra meu rosto. Em certo momento, dedos frios e longos deslizaram devagar pelo meu cabelo, acariciando minha cabeça com uma intimidade doentia, possessiva.
De alguma forma, contra todas as probabilidades, consegui dormir.
Acordei na manhã seguinte arrasado. A ressaca foi brutal, impiedosa. Abri os olhos já chorando histericamente, soluçando sobre minha namorada ter ido embora, sobre ela não se importar, sobre um monte de outras besteiras que eu mesmo havia plantado e agora colhia em forma de facadas no peito.
Ainda tinha uma entrevista de emprego marcada para aquela mesma manhã. Fui assim mesmo. Mal conseguia articular as palavras. Estraguei tudo.
Minha ex tirou fotos minhas durante o "rolê". Nas fotos, apareço deitado na cama, completamente apagado, braços esticados para trás numa posição bizarra, como se estivesse em plena overdose.
Meu coração doeu fisicamente por quase duas semanas depois disso. Batia irregularmente, como se quisesse lembrar a cada segundo o quanto esteve perto de parar.
Só consigo agradecer por ainda estar aqui, vivo. Mas, sinceramente, não sei direito o que aconteceu naquela noite. Mal consigo lembrar pedaços. É como se parte de mim tivesse ficado presa lá, nas sombras.
Agora é fevereiro de 2026. Tudo isso aconteceu em março de 2025. Sinto que não aprendi a lição como deveria, porque depois disso fiquei ainda mais obcecado por substâncias. Comecei a usar muita cocaína, a brincar com Xanax e me tornei meio alcoólatra em muito pouco tempo. Aos vinte anos, já sei mais sobre drogas do que qualquer pessoa deveria saber. Mas é o que é.
Tudo faz parte da vida... ou da morte que quase me arrastou para o outro lado.


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