terça-feira, 9 de junho de 2026

Nós Roubamos do Velho Errado

Eu provavelmente estou prestes a confessar um crime. Não, vários crimes. Porra. Eu não devia dizer nada, mas vou dizer. Tinha que haver uma prova, um testemunho do que realmente aconteceu. Se eu pudesse voltar atrás… eu nunca teria roubado aquele filho da puta velho.

Eu sempre fui um ladrão. Sempre procurando o caminho mais fácil e cortando cantos sempre que possível. Eu sempre fui aquele cara na escola que mal se safava e nunca ligava pra porra nenhuma. Quando a escola acabou, eu finalmente estava livre, só que eu não queria um emprego normal. Então comecei a vender maconha pra fazer uma grana.

Na época, era mais do que suficiente pra me sustentar, e eu fiquei nessa linha de trabalho até encontrar algo ainda mais lucrativo. Roubar velhos. Meu amigo Freddy e eu ajudávamos idosos entregando refeições e cuidando das necessidades básicas que eles não conseguiam mais lidar sozinhos, e sempre que descobríamos onde eles guardavam a grana, a gente roubava. Simples. A melhor parte era que a gente ainda era pago pra fazer essas coisas.

Era um emprego numa empresa que prestava serviços pra idosos, onde eles pagavam pra ter gente indo toda semana ajudar com tarefas básicas que eles não conseguiam mais fazer sozinhos. É, era trabalho pesado, o tipo de trabalho que eu passei a vida inteira tentando evitar… só que esse pagava um salário e vinha com um bônus bem gordo, se é que você me entende. Valia a pena.

Como eu disse antes, eu sempre fui um ladrão. Eu sempre tentei ganhar dinheiro fazendo o mínimo possível. Com o nosso esquema, a gente trabalhava, beleza. Às vezes até ficava exaustivo, mas a gente ainda conseguia tirar vantagem.

Enquanto prestávamos esses serviços de assistência pros idosos, Freddy e eu tínhamos tempo de descobrir onde eles guardavam a grana. Enquanto um de nós distraía o velho ajudando com alguma coisa, tipo entregar o almoço, lavar a roupa dele, ou até guardar as compras, o outro rapidamente vasculhava a casa sem chamar atenção.

A gente tinha esse esquema todo planejado e funcionando que nem uma máquina. Quando os velhos percebiam que tinham sido roubados, nunca desconfiavam da gente. A gente era os jovens simpáticos que apareciam a cada dois dias pra ajudar por uma hora. Alguns deles provavelmente nem tinham percebido ainda que tinham sido roubados.

É, é, eu sei. Como eu pude fazer uma coisa dessas? Eu sei que é isso que vocês estão se perguntando. Nesse mundo, ou você come ou é comido, e eu preferia ser quem tava comendo. Não importava o custo. Pra ser sincero, aqueles velhos já tinham vivido a vida deles, já tinham aproveitado. Era a minha vez de aproveitar a minha. Pra que diabos eles precisavam daquela grana? A maioria mal conseguia sair da cadeira, então era melhor eu aproveitar aquele dinheiro pras minhas próprias coisas.

Onde tudo deu merda feia foi com o velho Jepson. Enquanto Freddy e eu estávamos ajudando ele com os serviços básicos, a gente encontrou um cofre pequeno escondido dentro do guarda-roupa dele. Se tinha dinheiro escondido em algum lugar daquela casa, tinha que ser ali. O cofre era velho, ainda tinha um daqueles cadeados de combinação mecânica. Isso não nos impediu de tentar. Se é que teve algum efeito, só nos deixou mais empolgados de roubar.

Freddy e eu passamos meses estudando como abrir aqueles tipos de cofre através de informações e vídeos que a gente encontrou na internet. Acabou virando só mais uma habilidade pros nossos esquemas.

Quando finalmente nos sentimos confiantes o suficiente pra executar o roubo, a gente entrou em ação. E foi exatamente isso que aconteceu. A gente se sentiu pronto pra abrir aquele cofre, e foi o que fizemos. Enquanto eu guardava a comida que o velho Jepson tinha pedido pra gente comprar, Freddy ficou lá em cima tentando arrombar o cofre.

O velho Jepson sentado numa poltrona assistindo televisão. Ele devia ter uns oitenta anos e usava uma máscara conectada a um tanque de oxigênio pra ajudar a respirar. Eu sabia muito pouco sobre ele, além do fato de que ele tinha lutado na Guerra do Vietnã e não tinha nem mulher nem filhos. Se eu quisesse saber mais, podia ter perguntado. Aposto que aqueles velhos falariam sem hesitar só pra aproveitar a companhia, mas eu sinceramente não tava nem aí pra eles. Eu não me importava com eles nem com as histórias deles. Eu só queria a grana deles, nada mais.

Eu tinha acabado de guardar a última das compras que a gente tinha feito pro velho Jepson quando Freddy desceu parecendo meio estressado.

"Temos um problema, Vince," ele sussurrou pra mim. "O velho só tem uma fita VHS no cofre."

Eu fiquei confuso. Que porra ele queria dizer com não tinha dinheiro? Quem tinha um cofre e não guardava dinheiro nele?

"O quê? Uma fita VHS?" eu sussurrei de volta, completamente confuso, ainda tentando processar o que tinha acabado de acontecer.

"É, e eu não consegui encontrar dinheiro em lugar nenhum também," ele disse preocupado.

A gente tinha se preparado por tanto tempo só pra abrir aquele cofre, e não tinha nada de valor dentro. Uma fita VHS. Mas se ela tava trancada dentro de um cofre, então tinha que valer alguma coisa, então decidi na hora que a gente devia levar ela mesmo assim. Talvez ela realmente fosse valiosa e a gente pudesse vender na internet. O Ebay podia ter nos dado uma fortuna com aquela parada. Mas na época, eu não tava nem perto de convencido de que valia alguma coisa. Eu só tava tentando manter o otimismo. Como dizem, a esperança é a última que morre.

"Pega a fita mesmo assim e vamos cair fora daqui," eu disse decepcionado, querendo estar a quilômetros daquele lugar.

Freddy rapidamente foi pegar a fita enquanto eu fingia me ocupar com outra coisa antes de a gente ir embora. Eu tava puto da vida. Todo aquele trabalho pra nada. Que diabos não guardava dinheiro num cofre? O velho Jepson devia ter grana escondida em algum lugar, mas tava fora do nosso alcance.

Alguns minutos depois, Freddy voltou. Ele assentiu pra mim, me avisando que podíamos ir embora. A gente se despediu do velho Jepson e saiu daquela casa. Por sorte, ele tinha sido nosso último cliente do dia, porque depois daquela merda eu não tinha paciência pra ir na casa de outro velho. A pior parte era terminar o dia de mãos abanando.

Algumas horas depois, Freddy e eu nos encontramos no meu apartamento. Eu tinha ido na casa da minha mãe pegar um aparelho de VHS pra gente poder assistir o que tinha na fita. Eu esperava que fosse algum filme raro ou talvez um filme super popular tipo Star Wars que pudesse valer muita grana.

Freddy trouxe dois six-packs de cerveja. A gente começou a beber antes mesmo de eu olhar pra fita.

"Aquele velho filho da puta realmente nos fodeu," eu disse, ainda puto com o que tinha acontecido. "Me mostra a fita."

"Nem me fale…" Freddy resmungou irritado enquanto me entregava a fita.

Era literalmente só uma fita VHS normal. A única diferença era que ela não tinha etiqueta. Antigamente, as fitas VHS costumavam ter uma faixa branca onde as pessoas escreviam o conteúdo da fita pra poder identificar o que tinha nela. Essa não tinha nada. Era completamente preta.

Eu não conseguia parar de me perguntar o que diabos podia ter naquela fita pro velho Jepson guardar ela trancada dentro de um cofre. A gente estava prestes a descobrir.

Eu abri outra cerveja e inseri a fita no aparelho. A imagem clássica das barras coloridas verticais apareceu por uns três segundos. Aí apareceu uma filmagem de uma floresta. A gente tava vendo a perspectiva de alguém caminhando pelas matas. Era de noite. A única coisa iluminando a floresta era a luz da câmera. Ficou assim por cerca de um minuto. Só alguém andando pelas matas até que… apareceu uma mulher amarrada no tronco de uma árvore.

"Jesus Cristo!" Freddy gritou, dando um pulo de choque.

Eu não disse nada. Não consegui. Eu tava tão horrorizado quanto com o que estava vendo. A mulher amarrada na árvore tava seminua. As roupas dela estavam rasgadas, cobertas de arranhões e um pouco de sangue. Ela parecia desnutrida e desidratada. A câmera se aproximou dela, e a gente conseguia ver os ferimentos e o estado frágil dela mais claramente. Vou admitir que já tava ficando difícil continuar olhando pra televisão. Eu queria desviar o olhar, mas continuei assistindo apesar de como aquilo me deixava desconfortável.

A câmera se afastou da mulher e foi colocada numa pedra próxima, apontada pra ela amarrada na árvore. Alguns segundos depois, a pessoa que tinha segurado a câmera o tempo todo entrou no quadro e encarou diretamente pra ela.

"Não é possível, porra!" Freddy disse, incapaz de acreditar no que estava vendo.

"É o Jepson…" eu sussurrei, ainda em choque. Eu não conseguia acreditar no que estava olhando.

Jepson encarou a câmera como se tivesse se certificando de que ela estava posicionada corretamente. O Jepson que tava ali na nossa frente não era o Jepson velho que a gente conhecia, aquele que precisava de máscara de oxigênio e mal conseguia andar. Esse era um Jepson mais jovem. Uns trinta anos mais jovem. Muito mais saudável do que o velho acabado que a gente conhecia.

Eu comecei a ficar com medo. Eu não gostava do que podia acontecer em seguida. Eu sentia que Freddy sentia a mesma coisa que eu, mas eu nem olhei pra ele. Nossos olhos estavam grudados na televisão.

Jepson começou a se afastar da câmera e se aproximou da mulher imóvel amarrada na árvore. Ele começou a cheirar o corpo dela como um animal, aí começou a lamber ela. Ele lambia principalmente os ferimentos dela.

Eu tava enjoado com o que estava vendo e aterrorizado com o que viria em seguida.

Do nada, Jepson cravou os dentes no ombro da mulher. Sangue começou a jorrar do ferimento. Ele arrancou um pedaço do ombro dela com os dentes. A boca dele tava coberta de sangue. Alguma coisa saiu dela — eu não consegui dizer o que era — mas ela tava sendo drenada, e Jepson tava recebendo aquilo. Ele parecia mais vivo. Eu não consigo explicar melhor o que eu vi. A mulher ficou toda enrugada, tipo um boneco inflável esvaziado.

Eu tava completamente horrorizado. Eu nunca tinha visto nada igual antes, nem nos filmes. A pior parte era que era real. Cem por cento real. Isso me deixou ainda mais enjoado. Eu queria vomitar, mas consegui segurar.

Jepson caminhou em direção à câmera e passou pra trás dela. Ele pegou alguma coisa que a gente não conseguia ver porque tava atrás da câmera. Um momento depois, ele voltou pro quadro carregando um pequeno galão vermelho. Eu imediatamente percebi o que era. Um galão de gasolina. E eu percebi o que ele estava prestes a fazer com ele.

Ele se aproximou lentamente da mulher, que ainda tava amarrada na árvore, e derramou o líquido do galão vermelho sobre ela. Eu sabia que era gasolina, e eu sabia que ele ia queimar ela.

Quando ele terminou de derramar gasolina sobre a mulher e a árvore, Jepson caminhou de volta em direção à câmera. Ele pegou ela e mais uma vez se aproximou do que restava do corpo sem vida, enrugado da mulher, encharcado de gasolina. Quando ele ficou cara a cara com ela, ficou ali por alguns segundos, como se saboreasse o que tinha feito antes de destruir as provas.

Como Jepson tava segurando a câmera, Freddy e eu estávamos vendo a mulher da perspectiva dele. A gente conseguia ver claramente o que ele tinha feito com aquela pobre mulher. Parecia que toda a carne tinha desaparecido do corpo dela, sobrando só pele e osso. Era horrível de se olhar. Aquela imagem provavelmente ficaria queimada no meu cérebro pro resto da minha vida.

Jepson pareceu procurar alguma coisa no bolso. Ele puxou a mão, segurando um isqueiro. Ele acendeu e jogou na árvore onde o que restava daquela mulher pendia. Em milissegundos, a árvore explodiu em chamas, e em segundos tanto a árvore quanto a mulher foram consumidas pelo fogo. Jepson deu um passo pra trás, afastando-se levemente da árvore em chamas sem nunca desviar a câmera. Ele manteve ela apontada pras chamas. Eu tinha que admitir que havia algum tipo de beleza mórbida naquela árvore queimando. Mas eu não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido antes, ou parar de me sentir enjoado. Sujo por causa do que a gente tinha testemunhado.

Depois de ficar ali assistindo a árvore queimar por um tempo, a imagem começou a encher de ruído estático, e aí a imagem congelou. Isso significava que a fita tinha chegado ao fim.

Freddy e eu encaramos aquele quadro final sem dizer uma palavra por vários minutos. O que a gente tinha acabado de assistir era perturbador, até traumático. A pior parte de tudo era que a gente tinha testemunhado um assassinato macabro, mórbido e bizarro cometido por alguém que a gente via e ajudava regularmente. O velho Jepson, que agora mal conseguia andar e mal conseguia respirar, já andou por aí matando pessoas e filmando seus assassinatos bizarros. E ele tinha guardado isso trancado dentro de um cofre. Ele considerava aquela fita VHS sua possessão mais valiosa. Esse pensamento só me fez sentir ainda mais inquieto.

Que diabos a gente tinha se metido… Era tudo o que eu conseguia pensar antes de finalmente quebrar o silêncio.

"A gente tem que colocar a fita de volta no cofre, como se nada tivesse acontecido," eu disse com medo, preocupado que o velho Jepson já tivesse percebido que tava faltando.

"Eu tenho uma ideia melhor," Freddy disse pensativo. "Por que a gente não chantageia o velho filho da puta? Dinheiro em troca da fita."

Eu tenho que admitir que Freddy era basicamente como um irmão gêmeo pra mim. Por isso a gente se dava tão bem e pensava da mesma forma, como ladrões. A gente podia ter pais diferentes, mas éramos incrivelmente parecidos em personalidade, na forma de pensar e executar nossos esquemas. Mas pela primeira vez, eu não gostei daquela ideia. Depois de assistir aquela fita, eu tava com medo do velho Jepson. Muito medo.

"Não. A gente não pode. Você viu o que ele fez com aquela mulher?" eu disse, tentando convencê-lo.

"É, mas ele tá velho agora. É diferente. Além do mais, ele praticamente nos deve dinheiro depois dessa merda."

"Não me conta nisso. Se você quer chantagear aquele velho filho da puta, vai em frente, mas me deixa fora," eu disse.

"Qual é, Vince. Ele não vai fazer nada."

"Não. Não me conta nisso."

"Tá bom, fica à vontade. A gente faz do seu jeito então. Não faz sentido fazer sozinho," ele disse, parecendo um pouco decepcionado.

Eu fiquei aliviado que ele tinha desistido da ideia. O velho Jepson era claramente perigoso, então se meter em mais esquemas com ele era uma ideia terrível. Eu pretendia nunca mais ver o velho Jepson depois de devolver a fita. Eu não conseguia olhar pra ele da mesma forma depois de descobrir seu segredo mais obscuro. E pra ser sincero, depois do que eu tinha visto, eu sentia que sempre teria que ficar em alerta porque eu acreditava que ele podia me matar a qualquer momento.

O dia seguinte foi normal, ou pelo menos pareceu normal, mas por dentro eu tava uma merda completa o tempo todo. Eu não conseguia parar de pensar naquela fita e no que o velho Jepson — muito mais jovem naquelas gravações — tinha feito. Eu mal dormi porque não conseguia parar de imaginar aquela mulher "drenada" pendurada na árvore. A ansiedade só aumentava sempre que eu pensava em ter que devolver a fita no dia seguinte.

Parte de mim queria desesperadamente que aquele dia chegasse pra eu finalmente me livrar da fita e nunca mais ver o velho Jepson na minha vida. Outra parte de mim tava aterrorizada de ter que olhar pra ele de novo.

Aí finalmente chegou o dia D. Eu não conseguia pensar em mais nada. Não posso falar pelo Freddy, mas acho que ele tava nervoso também, e aquela fita tinha afetado ele também. A gente tinha que devolver a fita custe o que custasse.

Quando chegamos na casa do velho Jepson, a gente fingiu que tava tudo normal. A gente entrou sozinho já que tinha as chaves. O velho Jepson sentado na poltrona assistindo televisão como sempre.

"Olá, Sr. Jepson, como o senhor tá hoje?" eu perguntei com meu sorriso de sempre.

"Eu sei que vocês dois merdinhas roubaram minha fita," ele disse imediatamente, sem nem nos cumprimentar ou tentar esconder. O tom dele era sinistro.

Eu congelei. Eu tava completamente aterrorizado. Ele sabia. Porra. Era o pior cenário possível.

"Sr. Jepson, deve ter algum mal-enten—" eu comecei nervosamente, tropeçando completamente nas palavras, até ele me interromper.

"Cala a boca. Eu sei muito bem que foram vocês dois que roubaram a fita," ele disse firmemente, num tom ameaçador. "Agora me diz, vocês gostaram do que viram?"

Ele sorriu de um jeito sinistro. Eu me arrependi tanto de ter roubado aquela fita. Se eu pudesse voltar atrás… mas já era tarde demais.

Freddy puxou a fita da pequena bolsa que tava carregando e se aproximou do velho Jepson, irritado. Ele ficou bem perto dele enquanto Jepson permanecia sentado na poltrona.

"Quer sua fita de volta, seu velho doente? Então vai ter que pagar primeiro. Dez mil dólares em dinheiro pela fita, senão… eu entrego isso pra polícia," Freddy disse sem hesitar, sem nenhum nervosismo. Só pura confiança.

O velho Jepson soltou uma gargalhada.

"Então entrega pra polícia. E quando eles perguntarem como a fita parou nas suas mãos, o que você vai dizer? Que caiu do céu ou que você roubou?" o velho Jepson disse com um tom sarcástico na voz.

Essa jogada de chantagem que Freddy tinha armado na última hora era um ato de desespero. Eu admirava a coragem dele, mas o velho Jepson não parecia intimidado. Nem um pouco. Isso era um péssimo sinal.

Freddy agarrou o velho Jepson pela gola da camisa e puxou o rosto dele perto do seu. Eles estavam a menos de trinta centímetros de distância.

"Escuta aqui, seu pedaço de merda velho, eu tô nem aí se eu roubei a fita e a polícia descobre. Eles vão ver que tipo de merda doentia você fez se você não nos der a grana. Eu juro que eu—" Freddy tava dizendo com confiança, irritação clara na voz, quando o velho Jepson de repente se lançou pra frente e mordeu o nariz dele, cortando-o no meio da frase.

Isso me pegou completamente desprevenido. Eu congelei, sem palavras, enquanto acontecia. O velho Jepson tinha os dentes cravados no nariz do Freddy. Sangue jorrou e escorreu pra todo lado. Freddy gritou de agonia.

Aí o velho Jepson arrancou o nariz do Freddy limpo, e ainda mais sangue jorrou. O rosto do Jepson tava encharcado de sangue. Freddy desabou de joelhos com um buraco no rosto onde o nariz dele tinha estado, e alguma coisa saiu dele, como se ele tivesse sendo drenado. E o velho Jepson tava recebendo aquilo. Igual ao que tinha acontecido com a mulher na fita.

Quando parou, Freddy desabou no chão completamente enrugado, sobrando só pele e osso… ele parecia um boneco inflável esvaziado. O velho Jepson parecia ligeiramente mais jovem do que tinha estado cinco minutos antes. Era como se ele tivesse recuperado mais cinco anos de vida.

O velho Jepson olhou pra mim com um sorriso sinistro.

"Você é o próximo," ele disse. O rosto dele tava completamente coberto de sangue, e os olhos dele pareciam brilhar amarelo.

Adrenalina bombeou pelas minhas veias a todo vapor. Eu nem pensei. Em pânico, no momento em que ele disse isso, eu imediatamente corri pras escadas que levavam ao quarto dele, onde a gente tinha roubado a fita. Esse era o problema — eu devia ter corrido direto pra porta da frente, mas infelizmente não foi o que eu fiz. Foi uma decisão tomada no impulso, alimentada por desespero, pânico e estresse.

Eu subi as escadas em segundos, pulando dois degraus de cada vez. Eu me senti como se tivesse tomado duas ou três latas de energético. Logo depois, eu arrombei no quarto dele e bati a porta atrás de mim. Sem perder um segundo, eu empurrei cada móvel que ele tinha no quarto em frente à porta.

Pouco tempo depois, o velho Jepson chegou na porta do quarto. Ele tentou abrir, mas não conseguiu. Ele começou a bater os punhos na porta como um louco.

"Você acha que pode escapar de mim?! Não esqueça, é você que tá preso aqui comigo, não o contrário!!!" ele gritou.

"Vai se foder, seu pedaço de merda velho!!!" eu gritei de volta, mais uma vez no impulso.

"Eu consegui viver por mais de duzentos anos sem ninguém nunca me descobrir, e você acha que um rato de esgoto como você vai me derrubar?!?!" o velho Jepson gritou do outro lado da porta, loucura se infiltrando na voz dele. "Eu drenei a alma e a força vital do seu amigo, e cedo ou tarde você será o próximo. É só uma questão de tempo."

Eu não disse nada. Fiquei perfeitamente imóvel, aterrorizado, encostado nos móveis que eu tinha empurrado em frente à porta pra impedir ele de entrar e me matar.

"Você vai ser a última pessoa cuja força vital eu dreno, e aí eu finalmente vou poder morrer em paz," ele disse com raiva, como se Freddy e eu tivéssemos interrompido algum tipo de plano.

Na verdade, tínhamos. Foi aí que eu percebi que de alguma forma ele drenava a força vital das pessoas pra recuperar anos da própria vida. As peças começaram a se encaixar lentamente. Ele queria morrer naturalmente. Ele tava cansado de viver. Mas a gente tinha arruinado os planos dele.

Aquela fita servia como uma lembrança pra ele reviver seu passado sangrento e mórbido. Talvez ele até se masturbasse assistindo ela. Talvez fosse a única coisa que ainda o excitava. Eu não sabia ao certo. Isso era só uma teoria. A única coisa que eu sabia com certeza era que ele tinha matado muito mais pessoas, e eu não fazia ideia de quantas. Ele era basicamente um serial killer, e o mais bem-sucedido da história do planeta. Ninguém tinha descoberto ele antes, exceto Freddy e eu, puramente por acidente.

Eu nem sabia se ele era humano ou algum tipo de entidade sobrenatural se alimentando daquela força vital pra sobreviver mais tempo. Mas nada disso importava naquele momento. A única coisa que importava era sair dali vivo. Como? Eu ainda não sabia.

É por isso que eu tô escrevendo isso enquanto me escondo no quarto do velho Jepson enquanto ele tenta arrombar a porta. Eu já ouvi ele pegando ferramentas e outros objetos pra derrubar a porta. Cedo ou tarde, ele vai entrar. Eu já liguei pro 911, desesperado pedindo ajuda. É a única forma de eu sair dali vivo.

Agora só resta esperar pela polícia… e rezar pra que eles não cheguem tarde demais.

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.

Quem sou eu

Minha foto
Escritor do gênero do Terror e Poeta, Autista de Suporte 2 e apaixonado por Pokémon