O primeiro encontro veio com um acidente de carro. Com seis anos, eu brincava no parque quando o rangido dos pneus quebrou a paz. O tempo parecia se esticar enquanto eu testemunhava o veículo perder o controle, culminando em um acidente catastrófico. No meio do tumulto, um sussurro gelado acariciou meu ouvido: "Somos os caídos que não seguem."
Aos nove, o coro sombrio ecoou novamente. Era um dia ensolarado na piscina da comunidade, cheio de risos e respingos, subitamente silenciado quando uma criança de quatro anos foi retirada sem vida da água. No meio dos gritos frenéticos por ajuda, o mesmo sussurro arrepiante retornou, um murmúrio sombrio se infiltrando em minha consciência.
O encontro mais assombrado ocorreu aos quinze, testemunhando a queda fatal de um trabalhador da construção de um arranha-céu. A cena horrível se desdobrou na realidade nítida, acompanhada por aquele sussurro agora familiar, mais insistente: "Somos os caídos que não seguem."
Esses encontros com a morte me deixaram isolado, carregando uma verdade secreta que eu não conseguia compreender. Conforme avancei para a idade adulta, minha busca por entender essa conexão se intensificou. Eu me aprofundei no ocultismo, buscando respostas em tomos esotéricos e lendas sombrias.
Minha busca me levou a um prédio abandonado, rumorado como um nexo de atividade paranormal. Foi lá, no meio do deterioro e lendas sussurradas, que finalmente os encontrei - os arquitetos dos sussurros. Eles surgiram das trevas, uma congregação de figuras sombrias com olhos que pareciam carregar séculos de tristeza.
Suas vozes, uma mistura arrepiante de desespero e autoridade, me envolveram. "Você sempre foi tocado pela mão fria do outro mundo", entoaram, suas palavras como gelo contra minha pele. "Desde a sua juventude, nós o observamos, sentimos sua sintonia com a morte. Não é por acaso que a tragédia é sua companheira constante."
Eles se revelaram como os caídos, anjos exilados do céu, mas não alinhados com Lúcifer. Tinham escolhido um caminho de condenação solitária, vagando pela Terra, alimentando-se da angústia e desespero que cultivavam.
Em sua recordação solene, falaram de uma guerra que uma vez rugia nos céus, uma batalha celestial pelas almas da humanidade entre o Todo-Poderoso e Lúcifer. No meio desse conflito cósmico, eram anjos dilacerados entre a obediência divina e o atrativo da rebelião. Sua indecisão levou à sua queda, expulsos do céu, nem com Deus nem com Lúcifer, condenados a vagar pela Terra. Cortados do poder divino e infernal, eram forçados a se sustentar semeando tragédias entre a humanidade.
Enquanto falavam, o ar ficava denso com a presença sinistra deles, uma escuridão tangível que parecia distorcer a própria realidade. "Somos os caídos que não seguem", proclamaram, seu tom uma mistura de convite e advertência. "Você, que sentiu nosso toque frio desde a infância, está preparado para abraçar seu destino? Você nos liderará?"
Então, com uma gravidade que parecia dobrar o próprio ar ao nosso redor, apresentaram seu ultimato. "Você tem seis dias", declararam, "seis dias para decidir se se juntará a nós em nossas peregrinações eternas, para nos liderar, para moldar os destinos tanto dos vivos quanto dos mortos."
Naquele momento, a magnitude de sua proposta pairava sobre mim. Liderá-los poderia significar uma descida a um reino de sombras e tristeza, uma jornada além da compreensão mortal. No entanto, havia um fascínio, um chamado para desvendar a extensão completa da minha conexão com essas entidades enigmáticas. A escolha estava diante de mim, envolta em escuridão e incerteza, mas me chamando para um destino que sussurrava meu nome desde a infância.
O relógio estava correndo, cada segundo um sussurro do passado, cada dia um passo mais perto de uma decisão que definiria minha existência. Aceitarei a oferta deles e liderarei os caídos, ou recusarei esse caminho sombrio e buscarei um destino diferente?


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