A selva no oeste de Honduras estava agitada depois das chuvas recentes. Deslizamentos de terra haviam rasgado as encostas de calcário, deixando pedregulhos e detritos espalhados ao longo da trilha estreita. Eu abri caminho pela vegetação rasteira, botas afundando no solo úmido, folhas roçando minhas pernas.
Um movimento repentino chamou minha atenção. Algo minúsculo, marrom, rápido, disparou sobre uma pedra na entrada da caverna. Minha mão desceu instintivamente e o esmagou contra a rocha. O estalo molhado revirou meu estômago. Minha pele se arrepiou. Senti um calafrio descer pelas minhas costas, um medo sem nome se enrolando no meu estômago, e ainda assim eu sabia que precisava seguir em frente.
O deslizamento havia aberto uma caverna que não estava em mapa nenhum, uma fenda estreita parcialmente obscurecida por detritos. Uma lufada de ar frio escapava, carregando um cheiro úmido de terra. Meu peito apertou, músculos se contraindo com uma tensão que eu não entendia completamente. Larguei minha mochila, verificando meu capacete com lanterna e minha lanterna de mão.
Eu me agachei na entrada, dizendo a mim mesmo que entraria só um pouquinho. Apenas alguns minutos. As paredes de calcário estavam escorregadias de umidade, raízes rastejando pelo chão como veias. Liguei meu capacete e comecei a rastejar para frente, cotovelos raspando contra a pedra áspera. A escuridão engoliu tudo além do feixe de luz.
Então, enquanto me movia pela escuridão, vi uma luz — uma luz irregular. Rastejei para mais perto para olhá-la melhor, até perceber que era um reflexo da minha lanterna.
Congelei por uma fração de segundo. Algo estava captando o feixe da minha lanterna à frente. Um brilho, preciso demais, padronizado demais para ser aleatório. Meu peito apertou.
Através da luz fraca, vi uma textura estranha — centenas de pequenos pontos de luz refletida, como mil estrelas em miniatura piscando de volta para mim. Eles se moviam sutilmente conforme eu mudava de posição, formando um mosaico que quase parecia… vivo.
Pisquei. Aproximei-me mais, apoiado em cotovelos trêmulos, e percebi que os pontos de luz estavam organizados em um padrão geométrico, em forma de favo de mel. Olhos de mosca. Centenas de pequenas facetas, cada uma refletindo o feixe da minha lanterna em pontinhos nítidos.
E então notei algo mais. Naquelas pequenas reflexões, algo mais cintilava — formas, linhas… um rosto. Meu rosto. Ou pelo menos, minha cabeça, distorcida, fragmentada através das milhares de pequenas lentes. Cada piscada multiplicava a imagem, fragmentava-a, como encarar mil espelhos ao mesmo tempo.
O instinto tomou conta. Girei e comecei a rastejar para trás, desta vez com as mãos e joelhos, palmas das mãos rasgando contra a pedra áspera. A criatura não avançou imediatamente, mas o som de pernas estalando ecoou baixinho, de modo perturbador, como cascalho seco se movendo. Meus braços queimavam. Meus joelhos estavam em carne viva. Cada respiração vinha rasa e rápida.
E então o chão mudou. Minha lanterna revelou movimento por toda parte. Centenas, talvez milhares de baratas menores — no chão, nas paredes, rastejando pelo teto. Estavam em todo lugar. Pretas, marrons, brilhantes. Fluíam como um tapete vivo sobre cada superfície, tecendo entre as rochas, desaparecendo e reaparecendo enquanto se moviam.
Uma deslizou sobre meu braço. Outra sobre meu peito. Pequenas patas coçavam e beliscavam, raspando os pelos da minha pele. Suas antenas se contraíam, roçando meu pescoço. Meu estômago se revirava. Minhas mãos tremiam, mas eu não conseguia parar de rastejar.
Eu podia sentir as vibrações fracas e irregulares da colônia através do calcário abaixo de mim, um formigamento sutil e constante que fazia meus músculos estremecerem. Cada raspada de cotovelo, cada centímetro de movimento trazia mais delas em contato. Algumas se agarravam à minha camisa, patinhas minúsculas pressionando minha pele enquanto eu me arrastava para trás. Tentei não gritar.
Eventualmente, a exaustão me venceu. Desabei no chão, peito pressionado contra a pedra fria, suor escorrendo pelo meu rosto. A criatura gigante pairou à frente. Minha lanterna repousava sobre ela, refletindo em seus olhos enormes e facetados.
Ela não se mexeu. Nem um tremor. Nem uma corridinha. E ainda assim, a colônia fervilhava ao meu redor, escalando rochas, paredes e teto. Meu peito ofegava enquanto baratas rastejavam sobre mim, roçando minhas clavículas e deslizando sob meus cotovelos. Meu estômago se torcia, minha pele se arrepiara, cada nervo em carne viva com pânico nauseante.
Então percebi: a criatura gigante não tinha se movido nadinha. Enquanto a luz permanecesse sobre ela, ela ficava imóvel. Sua imobilidade contrastava violentamente com a massa contorcida ao meu redor. Meu medo se aguçou em um terror concentrado — uma parte fascínio, uma parte repulsa primitiva.
Rastejei para trás, mantendo o feixe da minha lanterna fixo na criatura massiva. Cada piscada, cada tremor da minha cabeça fazia com que ela avançasse. A exaustão me fez vacilar novamente. Caí sobre os cotovelos. E então, finalmente, entendi: enquanto a luz permanecesse fixa nela, ela ficava congelada. Sua paciência se tornou uma espécie de impasse cruel.
Por fim, a luz do dia apareceu. O alívio surgiu quando rastejei completamente para fora da caverna e caí na terra lá fora. Meus braços estavam em carne viva, minhas pernas tremendo, mas eu estava vivo.
Peguei minha mochila e minha pistola. Com as mãos trêmulas, atirei às cegas para dentro da caverna. Ecos sacudiram as paredes de calcário. Atirei todos os cartuchos. O estalar e o clicar desapareceram.
Por um momento, pensei que a criatura tivesse fugido ou talvez eu a tivesse acertado na minha fúria cega de balas. Mas o silêncio era deliberado. Ela havia esperado. Pacientemente. Calculando. Esperando o barulho acabar.
Ouvi suas pernas batendo contra a rocha, e sua boca estalando enquanto se movia. O barulho ficou mais fraco a cada segundo. Suspirei de alívio, caí no chão e comecei a chorar.
Uma semana depois, voltei — não para explorar, mas para marcar a caverna em um mapa. O deslizamento a havia aberto recentemente, deixando paredes de calcário irregulares e uma entrada estreita. Esbocei cuidadosamente a entrada e registrei minhas observações.
A criatura permanecia lá dentro, paciente e imóvel. Sua presença permanecia em minha mente como uma sombra.
Dei a ela um nome no meu diário: Caverna da Praga. Curto, simples e sinistro.
Mesmo agora, pensar nos olhos refletivos, nas partes bucais trituradoras e no bater suave das pernas faz minha pele se arrepiar. Mas a pequena barata esmagada na entrada — aquela que destruí instintivamente — deixou uma estranha clareza para trás. Eu havia sobrevivido a algo que fazia meu corpo se revoltar com o mero pensamento, e ainda assim, estranhamente, me sentia… diferente. Menos medroso. De alguma forma, mais forte.
A Praga espera na caverna, paciente, silenciosa e eterna. E sei que vou me lembrar daquela lição silenciosa, aquela que meu corpo entendeu antes que minha mente pudesse nomeá-la.
Mesmo depois de contar a história inteira, ainda sinto que não fiz jus a ela. Isso pode ser em parte porque me recuso a desenterrá-la de novo. Aquele momento viverá para sempre na minha mente, trancado nas profundezas mais escuras, ou devo dizer, nas cavernas da minha mente.


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