terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Os Insetos Estão Ficando Maiores

"Você percebeu que os insetos estão ficando maiores, ou sou só eu?"

Não lembro quem disse isso no trabalho, mas a frase ficou martelando na minha cabeça enquanto eu terminava minhas tarefas. Foi uma frase tão casual, tipo um pensamento bobo de última hora. Eu já odiava insetos do jeito que eles são agora, exceto talvez as joaninhas, que até são legais. Só de pensar na frase eu já tremi e segui com meu dia. Empurrei aquilo pra fora da mente e pensei em outras coisas. O que eu ia fazer pro jantar, o que eu deveria escrever no meu diário, coisas desse tipo. Qualquer coisa pra manter minha cabeça longe de insetos gigantes.

Não posso dizer que sou a pessoa mais observadora do mundo, mas algumas semanas atrás eu vi uma aranha-saltadora na minha entrada de carro do tamanho de uma moeda de um dólar. Olha, onde eu moro elas normalmente são só do tamanho de centavos. Ver uma daquele tamanho me assustou pra caralho. Mantive distância, mas a última coisa que eu queria era aquele filho da puta peludo pulando na minha perna e me fazendo gritar tão alto que acordasse os vizinhos. Era grande, sim, mas não era nada fora do comum pra mim. Na minha opinião, todas as aranhas parecem ‘grandes demais’.

No dia seguinte, meu vizinho George bateu na minha porta e falou:

"Você não vai acreditar nisso."

"O que foi?", eu perguntei.

Ele estava com um sorriso enorme no rosto, quase eufórico. Tipo criança que acabou de encontrar algo que não devia. Ele acenou pra eu ir junto:

"Vem cá, me segue. Cara, espero que ele ainda não tenha voado!"

Calcei minhas chinelas e fui atrás dele pro quintal da casa dele. Assim que ele abriu o portão e apontou, meu queixo caiu ao ver um grilo do tamanho de um filhote de cachorro. O inseto gigante estava devorando o pé de tomate dele. As pernas traseiras esfregavam uma na outra fazendo um som de chirp surpreendentemente metálico e alto.

"Legal, né?"

"Legal se você acha que insetos nojentos são legais."

"Você acha que se eu começar a dar comida pra ele, ele fica por aqui, tipo um bicho de estimação?"

"Faça o que quiser, cara."

Naquela noite, os sons suaves normais dos grilos foram substituídos por um monte de chirps altíssimos, tão descarados quanto o grasnar de patos ou gansos. Enfiei tampões de ouvido e coloquei a música ambiente no volume máximo.

Acordei com um cachorro gritando, um som que gelava o sangue de qualquer um. Era um latido agudo, cheio de medo. Saí da cama e olhei pela janela do quarto pra ver o cachorro da outra vizinha, a Clara — um buldogue — se contorcendo na grama. Alguma coisa brilhante e preta estava enrolada nele, com pinças gigantes cortando a nuca dele.

Era a porra de uma centopeia.

Corri da cama, calcei os sapatos e saí correndo pra fora. Aquele cachorro podia até me acordar no meio da noite às vezes, mas nenhum animal de estimação merece aquela merda. Pulei a cerca e corri até o cachorro. A centopeia estava cravando as pinças no pelo, as centenas de pernas finas como lápis acariciando o corpo dele freneticamente. Quando eu agarrei ela, a sensação foi muito errada.

Quando você pega um inseto normal, ele parece estranho porque os animais geralmente são peludos ou têm textura dura. Insetos são diferentes: duros como pedra mas leves como uma pena. Quando peguei a centopeia, ela tinha peso, parecia que eu estava levantando uma cobra.

Ouvi uma voz:

"Que porra é essa?!"

Era a Clara, olhando em pavor pra mim enquanto eu arrancava aquele inseto do cachorro dela. Juro que, enquanto eu puxava, as pinças afundavam ainda mais no pelo. O sangue tingia o pelo branco do cachorro. Com um último puxão forte, arranquei ela do cachorro e as pinças levaram junto um pedaço de carne. Enquanto eu segurava aquilo nas mãos, ela se contorcia loucamente, as pernas se mexendo pra cima e pra baixo. Levantei ela acima da cabeça e joguei por cima da cerca na direção da rua, torcendo pra algum coitado passar por cima e ter que limpar as rodas.

Clara correu pro lado do cachorro e olhou os ferimentos.

"Que porra foi aquela?", ela gritou, "Pelo amor de Deus, o que era aquilo?"

"Eu não sei!", respondi, "Deve ter sido algum tipo de centopeia mutante ou sei lá o caralho!"

"Escuta… Obrigada, Burt!"

"Tranquilo, só leva ele pro veterinário agora mesmo!"

Ela assentiu e saiu correndo pro carro, deixando um rastro de sangue de cachorro pra trás.

No dia seguinte, antes de ir pro trabalho, eu estava cuidando do meu jardim e, embaixo da terra, alguma coisa enorme se mexeu. A pele rompeu a superfície da terra solta e eu vi um corpo grande, viscoso e cheio de anéis. Era claramente uma minhoca, mas também era algo gigantesco. Pensei em tocar nela, mas aí ela afundou de volta na terra.

Quando voltei pro trabalho, todo mundo estava reunido numa reunião discutindo como marketear um novo desodorante com cheiro de árvore Bradford Pear. Perguntei se alguém já tinha sentido o cheiro de uma árvore Bradford Pear e eles disseram que não. Quando eu contei como era o cheiro, eles piraram pensando em como vender aquilo. Fizemos um breve intervalo e, enquanto eu estava sentado perto de uma janela checando e-mails, ouvi um helicóptero passando. Só quando olhei pra fora que não vi helicóptero nenhum, mas ouvi o barulho pesado das hélices.

Aí eu vi o besouro-de-junho, com a casca verde-azulada brilhando sob o sol quente. A princípio parecia de tamanho normal, até eu perceber que ele estava bem longe. As asas batiam tão alto que pareciam um helicóptero. Levantei o celular pra tirar uma foto e foi aí que ele voou na minha direção. Não era pra me atacar, por assim dizer, ele só estava voando sem rumo. Quando passou perto da janela, o tamanho real ficou óbvio. Ele pairou do meu lado; as asas subiam e desciam rápido e barulhentas, fazendo as janelas tremerem. O besouro-de-junho era mais ou menos do tamanho de um urubu, a envergadura era absurdamente grande, e de perto dava pra ver aquelas pernas gigantes penduradas como pêndulos. Ele olhou pro reflexo dele por um segundo e depois zumbiu embora.

Quando eu estava dirigindo de volta pra casa, vi luzes piscando em volta de um acidente de carro. Na pista, tinha um carro virado e, do lado, um besouro-rinoceronte do tamanho de um cavalo, cheio de buracos de bala. Pus esverdeado escorria dos furos e pingava no asfalto. Baixei o vidro e perguntei pra um policial:

"Ei, que porra aconteceu aqui?"

O policial olhou pra trás pro cenário e voltou os olhos cansados pra mim:

"Estamos recebendo chamados assim a semana toda, mas os caras da delegacia achavam que era algum tipo de pegadinha elaborada. Aí recebemos uma ligação sobre um besouro virando um carro. Quando chegamos, não esperávamos ver aquela coisa correndo por aí. Ele partiu pra cima da gente e nós só abrimos fogo."

"Tem outros… desse tipo?"

"Insetos grandes? Não sei… talvez."

Ele fez sinal pra eu seguir e eu fui pra casa.

Tive muita dificuldade pra dormir, por razões óbvias. Eu não fazia ideia do que caralhos estava acontecendo com o mundo ao meu redor. Aqueles insetinhos insignificantes que se arrastavam debaixo dos nossos pés estavam simplesmente ficando maiores e maiores a cada dia. Eu estava quase pegando no sono quando ouvi alguma coisa empurrando e abrindo minha porta. Olhei por cima dos lençóis e vi algo me encarando da porta. Aquilo preenchia todo o batente, o corpo era imenso, e no escuro eu não conseguia identificar o que era. Coloquei meus óculos e peguei o celular. Acendi a lanterna e iluminei aquela forma escura gigantesca na minha frente… e queria não ter feito isso.

A aranha-saltadora tinha voltado.

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