quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Não consigo lembrar onde eu tô...

Meu nome é Travis. Tô postando isso aqui porque, estranhamente, é a única coisa no meu celular que parece estar funcionando agora. Tô encolhido debaixo de uma pilha de casca de árvore numa vala. Tá tão frio aqui… Nada disso faz o menor sentido… Vou começar do começo na esperança de que alguém consiga refazer meus passos e me encontrar. Se é que eu posso ser encontrado… Nem tenho mais certeza se eu ainda existo…

Eu saí com todo o equipamento essencial pra acampar: barraca, comida e o resto, não vou ficar listando tudo. Não é importante mesmo. Entrei no meu carro e dirigi até aqui. Sou campista experiente, já fiz várias viagens de acampamento disperso sozinho. Não fiz nada doido. Simplesmente estacionei o carro no começo da trilha e fui andando até achar um lugar bom pra montar acampamento.

Eu até te contaria a localização exata, mas por algum motivo não consigo lembrar pra onde caralho eu decidi ir. Tudo que sei é que tô em algum lugar nas montanhas do leste dos Estados Unidos. Quanto mais eu tento lembrar, minha cabeça dói pra caralho. Lateja como se tivesse um prego cravado direto na lateral da minha têmpora. Nem sei se essa informação tá certa…

Nem acho que esse post vai subir. Mandei um teste antes e vi que carregou, mas não tem nada que eu possa marcar nem ninguém pra mandar mensagem. Espero que os mods não tenham deletado, eu preciso de ajuda pra caralho…

Tudo isso começou só porque eu queria fazer uma porra de uma viagem de acampamento. Um pensamento fica apodrecendo na minha cabeça sem parar, tipo uma podridão doente e corrompida me levando pro que parece loucura pura. “Tudo que você fez foi andar uma milha pela trilha”… e foi só isso que eu fiz, porra! Estacionei o carro no começo da trilha e entrei… Acho…

Andei uma milha pela trilha, estiquei as pernas e montei acampamento. Joguei a mochila no chão, puxei a barraca e montei em minutos. Juntei umas pedras e fiz uma fogueira improvisada. Tirei carne moída e cozinhei em cima de uma pedra no fogo. Quando minha barriga tava cheia, rastejei pra dentro da barraca pra dormir.

Logo apaguei e tive uma noite incrível de descanso que eu tava precisando pra caralho. Acordei com o alarme do meu relógio de pulso. 6:30 da manhã, brilhando direto nos meus olhos. Limpando os restos de sono, a primeira coisa que notei foi como tava escuro pra porra lá fora.

O sol já devia ter nascido, é meio do verão. Sem falar que tava um frio do caralho, parecia fácil uns 20 graus negativos. Não pensei muito nisso, afinal tô nas montanhas. Decidi me agasalhar com a jaqueta mais pesada e as calças que eu trouxe justamente prevendo que podia esfriar. O frio, não sei que porra é essa.

Enrolei o saco de dormir, enfiei na mochila, abri o zíper da barraca. Rastejei pra fora e levantei devagar. Com as mãos na cintura, olhando ao redor, soltei um suspiro profundo.

Tá escuro… Tipo, ESCURO mesmo. Já eram quase 7 da manhã e ainda não tinha sol. Nada. Nem um pingo de luz no céu do sol aparecendo por cima da montanha. Parecia meia-noite. Não conseguia ver lua nem estrelas também. Só absorvi aquela atmosfera fria e escura pra caralho.

Chequei o celular pra ver se tinha sinal. Claro que não. Tô nas montanhas, óbvio. Enfiei o celular no bolso e cocei a cabeça, já meio irritado, pensando que porra eu ia fazer agora.

Ignorando a ansiedade que crescia na minha barriga. Olhei pras brasas ainda fumegando da noite anterior. Decidi que ia acender o fogo de novo. Achei que podia planejar o próximo passo depois de me aquecer.

Sentado na fogueira, agora já devia ser quase meio-dia. Segurei a cabeça com as mãos. No começo falei pra mim mesmo que talvez o relógio tivesse me acordado cedo demais, talvez o celular tá quebrado e com hora errada também, sei lá. Meu cérebro tava agarrando qualquer explicação normal possível nesse ponto.

Esperei até as toras virarem cinza e a luz começar a sumir. Finalmente decidi que era melhor voltar pro carro. Adeus “plano de ataque”. Só conseguia pensar em como tudo aquilo era desconfortável pra caralho. Alguma coisa não tava certa e eu precisava ver como o resto do mundo tava reagindo. Achei que ia conseguir sinal se saísse da floresta.

Enquanto andava, vi a fitinha amarela marcada numa árvore pra indicar pros outros caminhantes onde fica a trilha.

“Ótimo”, falei pra mim mesmo, com uma faísca de esperança subindo na barriga.

Olhei pra esquerda e pra direita tentando lembrar pra que lado eu tinha vindo. Meio que chutei e segui a trilha. Provavelmente não foi a jogada mais inteligente, mas eu tava tão nervoso que só dei um tiro no escuro. Literalmente.

Depois de mais ou menos uma hora andando, chutei um galho na minha frente. Ele fincou reto no chão, apontando pro ar como um homem implorando pra alguém puxar ele de um penhasco impossível.

Soltei uma risadinha comemorativa pra mim mesmo e continuei. Uns 5 minutos depois, outro galho apareceu na escuridão, saindo do chão do mesmo jeito sinistro do primeiro que eu tinha chutado.

Olhei pra cima e examinei os arredores. Claro que tinha galhos quebrados na árvore de cima.

Enquanto continuava, ouvia os sons dos grilos e sapos — uma cacofonia sussurrante de barulhos noturnos. Sapos berravam, grilos chiavam. Sentia a brisa gelada batendo no rosto, deixando meu nariz vermelho de frio.

“Espera aí”, falei pra mim mesmo. “Não…” Conforme eu chegava mais perto desse galho normal pra caralho na minha frente, me abaixei e olhei bem de perto. Outro graveto saindo do chão.

Musgo do lado direito, pelado do esquerdo. “Tá bom”, falei estudando o graveto. “Sabe de uma coisa…” Tirei a faca e serrei a ponta dele. Peguei a cabeça do graveto e finquei no chão bem do lado direito dele.

“Tô paranoico…” As palavras saíram da minha boca num tremor rouco e fraco. Levantei, sacudi a terra das mãos.

“Beleza, vamo dar o fora daqui, porra”, falei pra mim mesmo e continuei.

Enquanto ouvia os sons da floresta, notei que tinha alguma coisa errada com os chamados dos sapos. Parei morto no lugar e prestei atenção. Levou um ou dois minutos pra eu finalmente sacar o que tava errado. Era tipo uma coceirinha no fundo do cérebro. Quando identifiquei, me acertou como um tijolo na cara.

Todos soavam exatamente iguais. Claro que sapo repete o barulho à noite, mas parecia um áudio em loop. Os grilos também, assim que prestei atenção de verdade. O vento soprava a cada 2 minutos, exatamente pelo mesmo tempo. Que porra tá acontecendo?

Meu coração afundou… Pânico começou a fermentar no peito. Despersonalização batendo forte, um véu fino cobrindo minha mente pra proteger minha psique que já tava enfraquecendo. “De jeito nenhum. Não, não, não, não, não…” Falei correndo pro graveto.

Musgo direito, pelado esquerdo, ponta serrada e fincada no chão. “NÃO!” gritei de raiva e medo. “ISSO NÃO TÁ CERTO, PORRA, NÃO!” berrei como se estivesse discutindo com algum ser superior. Levantei e disparei em linha reta pela trilha. Três minutos de corrida depois, o mesmo galho apareceu de novo. Passei correndo por ele uma, duas, três vezes. Finalmente caí de joelhos na frente do graveto.

“O que tá acontecendo”, falei com lágrimas enchendo os olhos. “Tô dando voltas esse tempo todo? Não, impossível. Corri em linha reta por 10 minutos, andei PORRA DE UMA HORA E MEIA!” Bati no chão como criança raivosa. “GRRRAAAHHH! PORRA!” Levantei de novo.

Derrotado e completamente confuso, voltei pro lugar onde tinha montado acampamento no dia anterior. Não demorou nada, óbvio. Eu não tinha ido pra porra nenhuma.

Encontrei a mesma clareira, mas o sinistro pra caralho foi que a fogueira que eu tinha feito não tava mais lá. As pedras tinham voltado pro lugar exato de antes de eu mexer nelas. E não tinha resto de fogo nenhum.

“Por quê…” falei exausto com toda aquela loucura crescente. Joguei as mãos pro lado e comecei a pegar as pedras de novo.

Depois de colocar elas de volta no mesmo lugar, fiz outra fogueira. “De volta à estaca zero…” falei com um suspiro longo e pesado. Chequei a hora: agora eram 23h. Já tinha sido um dia inteiro. Nesse ponto a gravidade da situação nem tinha começado a cair pra mim de verdade.

Eu sabia três coisas:

Tá escuro.  
Eu tô completamente preso.  
E nada funciona como deveria.

Me deitei de novo no chão frio da floresta e fiquei olhando pro céu. Estiquei os braços, soltei um suspiro fundo. Cobri os olhos com as mãos e soltei um gemido longo de frustração.

“ALÔ!?”

Levantei num pulo e virei a cabeça na direção da voz. Alguém tava me chamando? Meu coração disparou, assustado e finalmente com uma esperança.

“ALÔ!?”

“EI!!” gritei de volta, desesperado.

“ALÔ!?”

Depois da terceira vez, uma onda de adrenalina percorreu meu corpo inteiro. Dessa vez eu ouvi de verdade: uma voz humana grotesca, molhada, borbulhante. Alguma coisa entre homem e mulher, não dava pra distinguir. Quase como um cara tentando forçar a voz mais grave do que ela é, mas com um tom feminino. Não soava certo. Nada nisso tava certo. Por que porra eu gritei de volta?

Me arrastei pelo chão da floresta e me joguei atrás de uma árvore. Fiquei sentado, respirando pesado, esperando qualquer coisa. Ouvi galhos estalando longe, mato sendo arrastado enquanto alguma coisa se puxava desesperadamente na direção do meu acampamento.

“Hahhhh… hahhhh… hahhhh… alô…” A voz saiu mais baixa agora, bem na beira da luz da minha fogueira.

Entre os arranhões no chão e a respiração daquela coisa, eu só ouvia meu próprio coração martelando nos ouvidos. Meu batimento acelerou enquanto eu escutava como aquela coisa… existia…

A respiração parecia alguém engasgando por ar, como se os pulmões estivessem cheios de um líquido viscoso, grosso e podre. Tentando desesperadamente puxar qualquer ar, dava pra ouvir um gorgolejo fraco… Os ossos raspando uns nos outros, estalos secos, como se só se mexer já doesse pra caralho naquela coisa. Dois baques altos, como se estivesse procurando apoio. Agarrou o solo duro, apertando com toda força pra se arrastar. Galhos e pedras estalavam e viravam pó com a força da pegada.

Fiquei surpreso pra caralho de como ela chegou rápido. Parecia que tava a pelo menos uma milha de distância. Nem achei que meu grito ia ser ouvido.

Segurei a respiração torcendo pra que aquela merda passasse… Apertei o peito tentando controlar a respiração. Não fazia ideia do que era aquela coisa. O que eu sabia era que não queria me entregar de jeito nenhum.

Meus dedos do pé se cravaram no chão, pronto pra correr o mais rápido possível. Cada célula do meu corpo gritava pra dar o fora dali. Queria correr, mas lá no fundo eu sabia que não era a escolha certa.

“alô…” disse com um tom triste, quase decepcionado por não ter encontrado nada.

Escutei a respiração ofegante dela sumindo devagar. Ouvi ela ir embora depois do que pareceu horas.

Esperei até não ouvir mais nada. Não queria ver o que quer que estivesse fazendo aqueles sons. Quando tive certeza máxima de que tava seguro, esperei ainda mais. Fiquei sentado até minha bunda ficar dormente. Depois andei bem devagar na direção oposta daquela abominação nojenta.

Encontrei uma vala um pouco maior que eu, funda o suficiente pra dar algum abrigo. Não quis ficar na barraca — isso não ia proteger porra nenhuma. Acendi a lanterna segurando a mão por cima pra não iluminar muito. Só usei quando precisei. Desempacotei a barraca, estendi ela plana e finquei no chão cobrindo a vala. Achei cascas de árvore grandes o suficiente pra colocar por cima. Achei que isso ia me manter camuflado do que quer que estivesse me caçando. Agora pelo menos eu conseguia me sentir um pouco seguro ali.

Rastejei pro meu lar improvisado. Fiquei deitado, pensando no que fazer em seguida. Tá escuro, e tentar achar saída já tinha se provado inútil. Finalmente com um tempo pra relaxar e organizar os pensamentos, lembrei que tinha trazido meu PLB. Por que caralho não usei essa coisa antes!

Pensa nisso como um botão de emergência pra trilheiros — manda um sinal pro satélite avisando as pessoas certas que ajuda é necessária.

Tirei da mochila, mexi rápido com ele nas mãos. Apertei o botão certo… e nada. Nada aconteceu. Sem bip, sem som nenhum indicando que o sinal foi enviado… Nada. Joguei o negócio inútil pro outro lado da vala.

Fiquei olhando pro canto escuro do meu abrigo improvisado. Sentindo que toda esperança tinha ido embora, decidi fazer a única coisa que ainda me dava algum senso de controle nesse pesadelo: pensar.

Eu podia mapear o lugar? Descobrir onde diabos eu tô? Quer dizer, devo estar no mesmo lugar que cheguei, né? Teria que ficar quieto. Chequei a bateria do celular: ainda 87 %, bom. Desliguei pra economizar. Minha lanterna tá ótima, troquei as pilhas antes de sair. Tenho faca pra proteção e roupa quente, então isso é positivo.

Deitei o corpo de volta na vala e soltei uma risadinha baixa. Pelo menos vim preparado. Então, se alguém estiver vendo esse post, tenho comida suficiente pra durar pelo menos uma semana. Com certeza dá tempo pra quem estiver lendo isso me encontrar.

Então primeiro de tudo: vou explorar a área ao redor e ver que porra tem aqui.

Se esse post subir, vou colocar uma atualização assim que der. Por favor, me desejem sorte.

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